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Festival Path: Realidade – Uma questão de perspectiva

Festival Path: Realidade – Uma questão de perspectiva

Os diferentes estados de consciência do ser humano modificam sua percepção da realidade e por isso acabamos não vendo as coisas como elas são de fato, mas sim como nós somos. Parece confuso não é mesmo? Porém a pesquisadora Mellanie Dutra, que esteve sábado no Festival path dando a palestra Realidade – Uma questão de perspectiva nos ajuda a compreender isso melhor.

Mellanie Dutra realizando a palestra Realidade uma questão de perspectiva
Instragram: @mellziland

Mellanie Dutra tem 26 anos e atualmente realiza Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Neurociências, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Trabalha com pesquisas envolvendo transtornos do neurodesenvolvimento, estudo da neurobiologia dos sistemas sensoriais e estratégias com machine learning para investigação de comportamento animal.

A realidade e suas diversas interpretações

A todo momento, nossos estados de consciência realizam uma interface entre tudo que o ambiente interno e externo nos fornece das mais diversas informações, reconstruindo a realidade em nossas mentes. Sendo a realidade grande demais para compreensão humana, nosso sistema nervoso identifica e traduz o universo para algo que possamos reconhecer. Mas cada ser vivo tem um tradutor diferente, por assim dizer.

Os animais enxergam o mundo de uma forma muito diferente da nossa. As abelhas, por exemplo, conseguem perceber a luz três vezes mais rápido que o ser humano e enxergam também os raios ultravioleta, o que é impossível para nós.

Flor vista pelo ser humano
Visão do Ser Humano
Flor vista por uma abelha em raios ultravioletas
Visão de uma abelha

Já os camaleões enxergam o mundo em 360 graus!

Plantas vistas pelo ser humano
Visão do Ser Humano
plantas vistas por um camaleão em 360 graus
Visão de um Camaleão

A realidade é modulável, dinâmica e depende de diferentes fatores para ser experienciada – e modificada. Apesar da interpretação de um animal ser substancialmente diferente, nada é acrescentado ou subtraído do plano material. Isso, e a interação do ser com outros seres, reforça a consistência da realidade, mesmo que não possamos absorve-la.

O que, de fato é nossa realidade? Ela é absoluta ou relativa a nós mesmos?

Em entrevista com o Fala!, Melanie explica um pouco sobre o tema explorado na palestra no Festival Path:

Acho que as chances de termos uma resposta absoluta pra essa pergunta são pequenas, pois a própria realidade é relativa ao que somos capazes de perceber dela, aos sensores que temos em nosso corpo para detectar estímulos sobre ela. Essa percepção não é o processamento literal das
informações sensoriais experienciadas mas sim a transformação do que experienciamos. Acho que independente do que de fato consiste a realidade, é importante salientar que toda nossa experiência sobre ela se baseia nessa transformação de cada informação processada seja pelos nossos sensores, seja pelos estados. Esse processamento complexo e integrado torna essa experiência relativa ao que nos somos e não de fato ao que ela é.

Como a percepção da passagem do tempo influencia este processo?

O tempo é essencial para a percepção da realidade. Um exemplo disso pode ser observado pela própria percepção do ambiente ao redor e sua relação com a detecção de múltiplos eventos. A própria percepção temporal envolve diferentes estímulos sensoriais, que são recebidos e associados para a interpretação dessas informações em conjunto. Esse processamento envolve diferentes regiões do encéfalo trabalhando para temporizar os estímulos recebidos, estimando eles, por tanto, pelo número de impulsos acumulados durante um intervalo especifico”, disse Mellanie em entrevista com o Fala!.

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