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A febre K-pop que dominou paradas musicais

Por Amanda Ayumi Adachi e Takeshi Hashimoto – Fala!MACK

 

A febre K-pop que domina paradas musicais

Grupo sul-coreano MVP durante sua turnê no estado de São Paulo.

Sucesso entre as diversas idades, a música pop sul-coreana vêm fazendo a cabeça de uma legião de fãs ao redor de todo o mundo. Desde seu surgimento no final da década de 90, com o aparecimento das atuais 3 grandes empresas da área, SM Entertainment, fundada pelo produtor musical e cantor Lee Soo-Man, a YG Entertainment, pelos ex-integrantes do grupo Seo Taiji and Boys, e a JYP Entertainment, pelo cantor Park Jinyoung, é somente a partir de 2012 que ela explodiu mundialmente com o hit “Gangnam Style” do rapper Psy. Grupos como BigBang, EXO, BTS, e muitos outros, são comuns entre os que já incluíram o gênero na playlist.

Essa é uma indústria musical que move grande parte do PIB do país e faturou, junto às 10 maiores empresas do ramo, quase US$ 1 bilhão em 2016. No ano anterior, o grupo Bigbang, faturou cerca de US$ 10 milhões a mais que o grupo americano Maroon 5.

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Não bastasse somente isso, essa febre faz aumentar cada vez mais o interesse pela Coreia do Sul, através do uso da internet. Essa é a conhecida ‘Onda Hallyu’, expressão reconhecido no artigo do “Beijing Youth Daily” no final de 1999, que significa “Onda Coreana”, que levou a Coreia para o mundo em forma de moda, culinária, língua, filmes, K-dramas (novelas coreanas), esportes, história e cultura, arte, cosméticos e o K-pop, que já conquistaram espaço no coração de apaixonados pelo país, como consta no livro K-pop – Manual de Sobrevivência, de Natália Pak, Babi Dewet e Érica Imenes.

Youtuber Thais Midori com o lighstick (bastão de luz usado em show) oficial do EXO.

“A (cultura) coreana me encantou muito” diz Thais Shiozawa, 23, conhecida como Thais Midori. A estudante de Arquitetura e Urbanismo e Youtuber, que possui atualmente cerca de meio milhão de inscritos e produz conteúdos voltados à Coreia, conta que sua descoberta do K-pop começou quando tinha apenas 12 anos, enquanto estava vendo clipes de músicas japonesas no Youtube.

“Tudo isso era um mundo novo pra mim. Eles falam outra língua que não conhecia, têm a forma de indústria de entretenimento e música diferentes; têm as empresas e dentro delas têm os grupos. Eu achei isso tão legal que comecei a pesquisar. Entrei nisso e não sai mais”. E não é para menos. Por trás dessa gigantesca indústria de entretenimento, conta o apoio de um governo que investe cada vez mais na imagem de um país cultural, moderno e rico, atraindo turistas de diferentes partes do globo a fim de conhecer mais sobre o lugar e seus costumes.

E isso tem funcionado. O K-pop tornou-se uma porta para o envolvimento de uma cultura bem diferente da ocidental e com o acesso à internet, hoje é possível alcançar uma grande leva de admiradores entre os continentes. “É o turismo, as novelas e o entretenimento que está trazendo lucro pra Coréia e a abrindo para o mundo”, afirma Natália Pak, 31, designer, escritora e criadora do site SarangInGayo, maior portal de cultura “hallyu” no Brasil e reconhecido pelo governo coreano.

Criadora do maior portal “hallyu” do Brasil, Natália Pak, posando com seu livro.

A internet fez um marco na história do K-pop e aumentou significativamente as vendas do produto sul-coreano no ocidente. O grupo BTS, debutado (teve estréia) em 2013 e que tem “pegadas” de eletrônica e hip hop em suas músicas, por exemplo, superou as expectativas estreando em 7º lugar no top 10 da Billboard 200, com o lançamento do álbum intitulado “Love Yourself: Her”, emplacando em 67º lugar na Hot 100, permanecendo por mais de duas semanas nas paradas e sendo o primeiro grupo de K-pop a levar o prêmio de Top Social Artist na Billboards Music Awards 2017, com mais de 300 milhões de votos por todo o mundo, passando na frente de nomes como Selena Gomez, Ariana Grande e Shawn Mendes, e desbancando as vitórias de Justin Bieber, que ganhava há 6 anos consecutivos.

“Hoje é bem mais fácil para um fã que gosta de uma música oriental, coreana ou qualquer música desse estilo”, concorda Lucas Olly, 23, professor de dança e Youtuber. “A acessibilidade veio de acordo com a internet. Se a gente não tivesse a facilidade da internet que tem hoje, talvez a gente não conhecesse tanto, como antigamente. Eu que sou um fã bem mais velho desse gênero, tinha que ir na Liberdade comprar os DVDs, porque era isso que tinha”, conclui ele.

Não é novidade, para os que acompanham, que o processo de formação de Idols (cantores e atores) na Coreia não é algo simples. Muitos dos artistas reconhecidos hoje no ramo foram trainees (aprendizes das agências) por anos e alguns por quase toda a vida, como o cantor e rapper do grupo Bigbang, G-dragon, atualmente com 29 anos, que foi trainee por 11 anos até seu debut. Os jovens interessados em ser artistas, além de frequentar escola normalmente, vivem em dormitórios providenciados pelas empresas e passam por uma intensa rotina de treinos, ensaios vocais, aulas de atuação, dança e performance, além de um controle da massa corporal todos os dias, mesmo que o contrato e os treinos diários não sejam garantia de estreia para os jovens aprendizes.

Tudo isso leva a crer que o K-pop vai muito além de apenas uma moda passageira e de um gênero musical em ascensão. Essa indústria “é um estilo de vida e um mercado abrangente, feito para o consumo”, afirma Natália. É algo novo no mercado que em pouco tempo já se tornou uma grande concorrência para os americanos, arrebatando milhares de fãs pelo mundo todo.

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