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O telefone sem fio da febre amarela

O telefone sem fio da febre amarela

Por Daniel Yazbek e Giovanna Cicerelli – Fala!PUC

 

Em tempos de crise, as emoções se intensificam e o sentimento de soberba perante o conhecimento dos outros se aflora, assim, informações mal apuradas criam um universo de conspirações e teses pouco fundamentadas, mas que levam consigo muitos adeptos. Eis o caso dos boatos sobre a Febre Amarela, que também podem ser chamados de Fake News.

O surto de Febre Amarela que ocorre no sudeste do Brasil desde os meses finais do ano de 2017 trouxe à tona algumas questões ainda pouco debatidas, e são elas: a eficácia da vacina contra a doença, o modo de transmissão do vírus e o alcance da vacina fracionada uma vez que o Ministério da Saúde assegurou seu uso e sua proteção tanto quanto a vacina inteira – pontos de discussão que para muitos geraram desconfiança em relação ao tema.

O vírus da Febre Amarela é transmitido por um mosquito comum. A partir dessa afirmação mais do que comprovada pela ciência, até chegar na ideia de que “o macaco transmite a doença”, aconteceu nesse meio tempo uma espécie de ‘telefone sem fio’, onde se constatou que “macacos estavam morrendo nas regiões mais afastadas do centro de São Paulo por conta da febre” e o outro ouviu que “macacos transmitem a febre”.

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O mesmo aconteceu com a vacina e sua legitimidade: alguém com imunidade baixa tomou a vacina, piorou seu quadro de saúde que, anteriormente, já era debilitado e veio ao óbito. Profissionais da área advertiram desde o começo da campanha que crianças muito jovens e idosos velhos demais não devessem tomar a vacina pois a mesma apresentaria risco à integridade do organismo daquela pessoa. Como sair de “não aconselhável para idosos e crianças devido o alto teor de efeitos colaterais” – efeitos estes que todos sentem após tomar a vacina – e chegar ao argumento de que “a vacina mata”.

E por último, mas não menos importante, o caso da vacina fracionada: um senso inescrupuloso de alguém mal informado transformou a ideia de uma “dose baixa para que mais pessoas fossem atingidas no momento de risco” na ideia de que a “vacina fracionada não funciona”.

Pode ser que as pessoas que não querem tomar vacina por acreditar que ela mata ou que não funciona – dependendo do tamanho da dose – não sejam as mesmas que matam macacos por medo de se contagiar através deles. Entretanto, o fato de uma Fake News avançar tanto em tão pouco tempo assusta não só os especialistas como os melhor informados sobre a situação.

A falta de fundamentação no argumento não conta para aqueles que, são pegos de surpresa e por medo de serem atingidos pelos novos riscos apresentados, acreditam à primeira vista sem questionar, afinal a narrativa se adapta muito bem aos ouvidos de cada um, é aquela velha história: “ouve-se o que quer, não o que foi dito”.

Deste modo, na era digital principalmente por conta das redes sociais, pessoas muito mal informadas sobre assuntos de relevância social ganham espaço para expor suas ideias, muitas vezes, errôneas, como diz o ditado “a internet deu voz aos imbecis”. Infelizmente, hoje não se checa a informação que chegou até você, afinal, “se ela chegou é porque alguém deve ter checado, não é”.

Assim, pessoas com mérito no assunto são passadas para trás por outros que buscam apenas uma visibilidade maior na esfera social em que vivem, esses que, por meio de postagens falsas, visam mostrar sua inteligência – ou a falta dela – para seu grupo de amigos, conhecidos e familiares, a fim de reafirmar suas convicções, é assim, a pessoa busca na outra uma autoafirmação que nem mesmo a própria tem certeza de que é efetivamente isso mesmo.

Sinta o poder do conhecimento: a terra não é plana, Marielle não defendia bandidos, macaco não transmite febre amarela e as vacinas funcionam sem matar. Pois então, fiquem atentos, boatos se espalham muito mais rápido que a informação fundamentada, até pela velocidade de apuração. Não caiam em qualquer lorota por assim dizer. Onde quer que se ouça, receba ou veja alguma informação é preciso paciência para que a realidade seja retratada tal como ela é e não como se imaginou que fosse.

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