Fazer o que gosta, e sobreviver com isso
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Por Daniel Yazbek – Fala!PUC

 

Alunos de jornalismo entram em contato com o meio alternativo para ver que é possível viver do que se deseja.

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) é famosa por seu cunho ativista e resistente, principalmente quando o assunto é política. O curso de Jornalismo da faculdade é conhecido, em especial, por conta de seu caráter militante,  herdado pela própria instituição e, em parte, pela presença de figuras ilustres e interessadas no desenvolvimento da profissão que lecionam na grade.

Uma dessas figuras é o professor Diogo de Hollanda Cavalcanti – graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal Fluminense (2001), com mestrado (2012) e doutorado (2016) em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e, desde o primeiro semestre de 2017, é professor da PUC-SP.

Com experiência em veículos como os jornais Valor Econômico, O Globo, Gazeta Mercantil e Jornal do Comércio, além de ter produzido matérias, como freelancer, para meios de comunicação como a Folha de S. Paulo, Reuters, rádio El Espectador, do Uruguai, entre outros, o professor traz para sala de aula um conhecimento vasto das áreas do jornalismo e dos desafios que poderão ser encontrados por cada futuro jornalista no campo de trabalho.

Uma das aulas dadas pelo mestre é chamada de Jornalismo Contra Hegemônico, onde conceitos da carreira são colocados em contraste com a realidade. Na disciplina, ensina-se como se fazer notícia fora da bolha dos jornais predominantes na cena da comunicação. Para entender a contra hegemonia é necessário compreender o que é hegemonia. Assim sendo, os temas abordados em sala buscam inverter os fatores dos oligopólios midiáticos que dominam a informação em massa – não só no Brasil como no mundo – e colocam em xeque questões sobre os caminhos do jornalismo.

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Após a exposição dos conceitos primordiais e essenciais para elaboração de matérias com viés alternativo, o professor buscou trazer para dentro da classe profissionais da área de jornalismo que atuassem de antemão à realidade transmitida pela grande mídia. Veículos não tão conhecidos pelo público em geral foram convidados a conversar com os alunos do segundo ano a fim de divulgar experiências vivenciadas pelos mesmos. Os três jornalistas selecionados foram: Vivian Fernandes, coordenadora do Brasil de Fato; Vagner de Alencar, cofundador da Agência Mural de jornalismo das periferias; e Iuri Salles, repórter de campo da revista Vaidapé.

Cada um dos três possui peculiaridades, afinal pessoas são sempre diferentes umas das outras. Vivian, já em sua faculdade de jornalismo na Universidade Federal de Viçosa, se interessou pelo movimento de luta dos “sem terra”. Vagner, por sua vez, desde pequeno, viveu em comunidades pobres e periféricas e, assim, se devotou à cobrir a periferia tal como ela é. E, por último mas não menos importante, Iuri, que também viveu nos arredores da cidade e buscou retratar e exibir temas pouco desenvolvidos na imprensa marrom como pixo, violência policial e crime organizado.

Vivian tocou em muitos pontos importantes durante sua exposição de conteúdo, entre eles estão: a história do Brasil de Fato, que surgiu em 2003 com o primeiro governo dito de esquerda no Brasil – mas sem ter ligação qualquer com o presidente Lula, apesar de aparentar ser uma espécie de jornal porta voz da gestão – e veio até os dias de hoje, com altos e baixos, porém sem se deixar levar; abrangeu, também, temáticas como desenvolvimento de conteúdo virtual nas redes – as ditas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs); a crise na democracia – no brasil e no mundo – passou pela Venezuela e chegou aos E.U.A.; a importância de trazer o contraditório para a prosperidade do bom jornalismo; a promoção de pautas pela esquerda e não só a reversão de temas mal introduzidos pela direita; sem contar, o tema principal da palestra, o oligopólio na produção e na distribuição de notícia.

Algumas frases que marcaram bem o diálogo de Vivian com os alunos é: “o popular não é o mal feito”, quando dizia sobre seu jornal estar se posicionando de forma que fosse de fácil entendimento comum; “estar na direção do Estado não é exemplo de hegemonia”, quando discursava sobre Maduro na Venezuela e a supremacia estadunidense no mundo; sem contar, quando perguntada se ela é feliz no que faz, respondeu “sim, é possível ser feliz (no meio contra hegemônico)”.

Vagner, no que lhe diz respeito, tratou de assuntos parecidos com os de Vivian, mas com sua marca da quebrada: como driblar os grandes meios; como não só atingir seu público alvo; como estabelecer familiaridade com os moradores das regiões que cobrem; como sair do online (digital) e entrar também no off-line (impresso) – foi quando tangeu o assunto da Agência Mural ser hóspede da Folha de S. Paulo – e se há problema em divulgar matérias de caráter ativista em grandes meios; além de, não publicarem assistencialismo para a periferia, muito menos, violência, afinal, os grandes meios já propagam tal imagem.

Iuri, por seu lado, abordou temas como: fonte de financiamentos, em especial editais públicos e festas arrecadatórias; dificuldade financeira para veículos de pequeno porte; horizontalismo no projeto da revista – sem cargos de editores, apenas repórteres; planos de design gráfico interativos para a publicação e site, porém custosos; cultura hip hop, relatos críticos, pixação; integrantes do grupo, no geral pessoas de classe média falando de periferia; rádio comunitária; inexistência de salários; e, bem como os outros abordaram, nas suas palavras, evitar fazer uma “veja ao contrário”- o que parece ser o maior desafio para os meios de comunicação alternativa.

Todos eles têm estudos de pós graduação, cada um na sua área, entretanto, efetivamente combativos ao modelo de jornalismo que se impregna nos televisores de todo mundo. Parcerias são fundamentais para a sobrevivência dos jornais, mas há um limite ético nisso tal como os três lembram, da mesma forma que quando perguntados se aceitariam trabalhar para a Rede Globo – empresa que prega valores inversos ao jornalismo alternativo – todos disseram que sim, porém com a condição de receber bem, até porque precisam pagar suas contas.

Enfim, a exposição dos meios alternativos foi de extrema importância para a classe do professor Diogo pois é necessário que se aviste a possibilidade de ser feliz no que faça e o que se faça seja de suma notoriedade para atingir a sociedade que se busca, afinal, o jornalismo é um meio de educação além de um meio de comunicação de massa.

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