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Facções criminosas se fortalecem nas falhas do sistema carcerário

Facções criminosas se fortalecem nas falhas do sistema carcerário


Grandes facções criminosas que se fortalecem a partir das falhas do estado em relação ao sistema carcerário brasileiro

O Brasil possui atualmente cerca de 704,4 mil presos no sistema carcerário, quase 70% acima da capacidade prevista, dentre eles 95% são homens e 5% mulheres. Com essa superlotação os comandos fortalecem alianças e ganham força e voz no mundo do crime, com a falta de condições básicas e o caos instalado nas celas os presos começam a criar soluções para melhorar sua vida atrás das grades.

Bruno Paes Manso em palestra sobre violência na Câmara Municipal de São Paulo 

As principais facções criminosas atuantes no Brasil são o PCC (Primeiro Comando da Capital) que tem atuação em cerca de 23 estados brasileiros e o CV (Comando Vermelho) dividida em 7 estados.

As consequências do descaso

O PCC se fortaleceu dentro e fora dos presídios com um discurso de união e irmandade, “paz, justiça e liberdade” que tomou uma proporção grandiosa após o massacre do Carandiru, em 1992, quando foram mortos centenas de presos. “Agora irmão tem que parar de matar irmão”, manifesta o líder do PCC. Motivo que gerou indignação e o sentimento de vingança, uma guerra entre o crime e o estado.

O Núcleo de estudos de violência (NEV) da USP em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública são responsáveis pela criação do “monitor da violência”, divulgado no site G1.

Por trás desse trabalho intenso de levantamento de dados encontramos Bruno Paes Manso, pesquisador do NEV, formado em jornalismo, economia e ciências políticas. Autor do livro “A guerra, a ascensão ao PCC e o mundo do crime no Brasil”. Com muito envolvimento nos estudos de violência no país, Bruno relata alguns problemas que identificou durante alguns anos trabalhando neste meio.

“Somos um país que mais mata, mesmo sem viver em guerra. Existe uma crença muito forte na nossa cultura que é de diminuir a violência com mais violência, isso está errado, só acaba gerando mais ódio”, questiona Bruno.

Em 2018 observa-se um aumento de 18% no número de vítimas em confrontos policiais, São Paulo encontra-se em 14º lugar por violência e mortes reproduzidas pela polícia. Com predominância em bairros periféricos da cidade.

Precisamos bater de frente com a polícia

As facções criminosas oferecem a muitos jovens da periferia a sensação de segurança e poder. Muitos fatores psicológicos foram apontados por Bruno Paes Manso em relação ao envolvimento neste meio. Crescer em um ambiente violento e com baixas perspectivas de futuro, muitos vivenciam violência doméstica, abordagens policiais inadequadas, falta de cultura e educação.

Devido a essa “Guerra”, como cita Bruno Paes Manso, quem cresce na periferia entende que o inimigo é o Estado, pois as facções têm uma predominância muito grande nessas regiões, que são organizadas por leis e seguidas rigorosamente por seus grupos.

“Eu prefiro morrer antes dos 25 anos do que abaixar a cabeça pra esse sistema que quer me matar”, citou Bruno em relação ao pensamento daqueles que estão inseridos em facções. “A violência é o veneno que nos fragiliza”, completa.

O PCC trabalha com um modelo de negócios, dominam as fronteiras para entrada e saída de drogas, tudo de forma muito organizada e respeitada por todos os grupos que estão ligados a eles.

Para Bruno, esse empreendimento é grandioso e muito difícil de ser combatido, o comércio de drogas sempre vai existir. O trabalho que pode ser feito daqui pra frente é reduzir a violência gerada por esses grupos e proporcionar novas oportunidades para a diminuição dos jovens nesta realidade.

“Devemos fazer com que os jovens sonhem mais e que esses sonhos os incentivem em ter um papel relevante na nossa sociedade, para isso devemos investir mais em educação e cultura, criá-los com violência só vai continuar o ciclo de violência”, finaliza Bruno.

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Por Natália Lacerda Pereira

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