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Semi-final da Copa: eu estive lá

Semi-final da Copa: eu estive lá


Por: Marina Pires – Fala!PUC

   A eliminação do Brasil da Copa do Mundo não foi fácil de ver e aceitar. Dizem que a nossa decepção acaba sendo do tamanho da expectativa. Confesso que acreditava (e muito) no Brasil. Na verdade, eu rezava para que ele chegasse até a semifinal, porque afinal, seria um sonho estar aqui na Rússia e poder assistir a uma semifinal com a seleção em campo. Mas o futebol é assim mesmo, né? Um dia é sim outro é não, e nem sempre é o melhor que ganha. Ganha quem faz mais gol, infelizmente (odeio exatas). E assim, tentando lutar contra o luto, erguemos a cabeça, vestimos a camisa e fomos à semifinal entre Bélgica e França aqui em São Petersburgo.

  Vou começar dizendo que não foi fácil comprar os ingressos. Na verdade, foi uma maratona. Você tinha que ter tempo, disponibilidade e paciência para ficar na frente do computador. A Fifa foi soltando os ingressos aos poucos, o que facilitou a compra de jogos como as quartas e a semifinal- que acabou sendo nossa escolha. Quando chegamos aqui na Rússia, fomos direto pegar nossas “FAN ID”- que seria uma credencial para entrar no estádio. Achei isso super prático. Acabou sendo uma forma de mostrar para os russos que “Oi, sou turista. Sou do bem. Não vou te morder”, porque afinal, eles têm zero paciência e menos um de simpática- claro que existem as exceções.

 

Local da retirada do FAN ID em Moscou.

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   No dia do jogo, só se via brasileiro. Nossa, como tinha brasileiro em tudo que é canto dessa cidade- e eu achando que seria a única pessoa com a camisa do Brasil. O acesso ao estádio foi extremamente rápido e fácil de metrô, claro que o alfabeto russo te faz dar uma perdida, ir no sentido errado, mas no final dá tudo certo, é só não perder a fé. Ao chegar lá, tudo muito bem sinalizado, com muito voluntário da Fifa para te ajudar (e fazer “Hi 5”), muita polícia e muito brasileiro. Isso mesmo, mais brasileiro. Você via uma galera da Bélgica, uma torcida da França, mas um pontinho verde e amarelo, era a cada três pessoas. E vou te dizer mais, tinha gente do mundo inteiro, literalmente. Canadá, Panamá, Vietnã, China, Israel, Índia, Cazaquistão… Todo mundo vestiu a camisa e agarrou a bandeira do seu país. E posso confessar? Foi a coisa mais legal do mundo ver gente de tão longe e do mundo todo reunida em um jogo.

   Voltando um pouco para o esquema do estádio, era importante você ter o combo FAN ID + o ingresso. Acredito que sem isso, era tecnicamente impossível entrar. Como eu disse antes, deu uma dorzinha de cabeça comprar os ingressos pela internet, mas uns brasileiros que sentaram do nosso lado, compraram na hora com um cambista. Corajosos. Vai que dá alguma zebra, né? Bom, pelo que fui percebendo, tendo o FAN ID, você podia tudo, ou melhor, as coisas ficavam um pouco menos complicadas.     

    Passando pela catraca, tinha o Raio X, detector de metal e a revista corporal- e bota revista nisso. Depois disso, pronto, agora você podia circular livremente pelo estádio. Lá dentro vendia tudo da Copa (ou melhor da Fifa) que você puder imaginar- além de muita cerveja Budweiser, Coca-Cola e deliciosos cachorros-quentes. Continuava tendo muito voluntário, muita gente legal (sim, existem russos simpáticos e pacientes) para te auxiliarem e, mais uma vez, muitos brasileiros.

Estádio Krestovsky- em São Petersburgo- ainda vazio horas antes do jogo.

 

   Conforme o estádio foi enchendo, e os lugares vazios ao meu lado sendo preenchido por gente do mundo inteiro, eu fui tendo a noção de como o futebol, ou melhor, um jogo de Copa do Mundo é capaz de reunir tantas culturas diferentes um do lado da outra. Atrás de mim, tinha uma família da Tailândia, na minha frente, uma galera de Israel e na diagonal, umas mulheres da Índia. Nossa, quantas nacionalidades diferentes, de países tão distantes mas tão próximas uma das outras. Não importava se seu país estava ou não na Copa, se ia ou não disputar aquele jogo de semifinal, o que importava mesmo era estar lá.

   Quando o jogo começou, um silêncio. É, silêncio. Tinha uma torcida organizada da França lá no canto, e da Bélgica, no outro canto, mas eram pequenas, nada grandioso. Eu só ficava pensando: “Se o Brasil tivesse jogando, o bagulho aqui taria fervendo!”. E não só eu pensava isso, como os brasileiros do meu lado não paravam de falar de como a seleção já teria goleado a França nos primeiros minutos do jogo. De repente um grito surge do além: “BRASIL, BRASIL, BRASIL”. Ok, no começo não foi bem sucedido, mas o moço não desistiu. Os brasileiros escondidos de verde e amarelo foram, aos poucos, manifestando também sua vontade de gritar e mostrar para todos que só a seleção tinha sido eliminada do campo, porque a torcida brasileira continuava forte e animada nas arquibancadas.

Estádio preenchido por torcedores de diversas nacionalidades, na semifinal entre Bélgica e França em São Petersburgo.

 

   Cara, eu fiquei boba de ver como os brasileiros não desistiram mesmo da seleção, porque afinal, foi quase, Brasil. Quase tantos gols. Fiquei pensando em quantas notas de matemática em quase tirei pra não pegar recuperação; em quantas questões eu quase assinalei a alternativa correta. Quem nunca ficou no quase, não é mesmo? Um pouco antes do jogo do Brasil contra a Bélgica, um colombiano disse pra gente: “O Brasil não precisa de sorte, precisa só ser o Brasil”. Talvez nesse jogo ele tenha precisado de sorte, mas tem coisas na vida que não são para ser, né? E tá tudo bem. Conjulgar o verbo viver não é fácil, Brasil!

      Bom, quando saiu o gol da França, deu uma animada na torcida. O moço que gritava “Brasil” continuava firme e forte, e outras torcidas também foram se manifestando, como os russos, franceses e belgas. Falando neles, foi por pouco hein, Bélgica. É, ficar no “quase gol” é um péssimo sofrimento. Bem-vinda ao clube.

   E fim de jogo. Adorei ouvir umas musiquinhas em francês da torcida. Achei fofo (e chique). Os belgas ficaram tristinhos, mas há vida após uma eliminação, amigos! Fiquem tranquilos. Não teve confusão, nem briga. Queria ter tido algo de polêmico para contar, mas ainda bem (mesmo) que não aconteceu nada. Ok, não sei se isso é polêmico, mas liberaram a catraca do metrô na volta. Eba, transporte de graça! E ah, não nos perdemos nas estações. Alfabeto russo, dessa vez você que perdeu.

     Eu não sei pra você mas, pra mim, foi um jogão. Foi lindo ver várias culturas e diferentes nacionalidades tão de perto, sem nenhuma black mirror na minha frente. E foi lindo ver a torcida brasileira firme e forte. O escritor e jornalista brasileiro, Fernando Sabino, dizia que “às vezes precisamos fazer da interrupção um novo caminho; da queda um passo de dança; do medo uma escada; do sonho uma ponte, e da procura, um encontro”. O hexa é o grande amor da vida de qualquer brasileiro. Mas o amor da sua vida não é aquela pessoa que chega mudando tudo do dia pra noite. O amor da sua vida é aquela pessoa que vem lentamente e, simplesmente, fica. O hexa não é perfeito, às vezes ele vai quebrar seu coração em mil pedaços, mas tá tudo bem! Até 2022, temos muito tempo para Qatar- nos dois sentidos (rsrsrs).

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