'Estou Pensando em Acabar com Tudo' - Leia a crítica do filme
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‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’ – Leia a crítica do filme

‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’ – Leia a crítica do filme

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Você pode acusar o Charlie Kaufman de ser muitas coisas, mas não ser um sujeito original nunca será uma crítica válida para ele. Estou Pensando em Acabar com Tudo, novo filme do diretor/roteirista, é uma prova dessa sua qualidade.

Um filme bem único e que se apoia em vários pilares filosóficos e cinematográficos para traçar seu principal caminho narrativo. Mesmo assim, ele não consegue alçar a altitude que deseja em sua decolagem e acaba entregando uma amálgama não só inconclusiva como também vazia sobre a brevidade da vida humana.

Estou Pensando em Acabar com Tudo
Estou Pensando em Acabar com Tudo. | Foto: Reprodução.

Estou Pensando em Acabar com Tudo – crítica

Acompanhamos a jornada de Lucy enquanto essa visita os pais do namorado com o qual planeja terminar. Estamos dentro da cabeça dela e, ao que tudo indica, não somos os únicos. A forma como ele externaliza os pensamentos dela e traz um certo desconforto para todos é bem construída.

Em certos momentos, através das longas cenas de diálogo, ele consegue trazer uma naturalidade incrível para as personagens. Infelizmente, isso não é uma constante e, em diversos outros momentos, esse naturalismo é dissipado e vemos ele simplesmente externalizando seus pensamentos. É entendível esse tipo de postura, quando a realidade usa a boca da ficção para jogar suas ideias para fora, mas nesse não se consegue aranhar mais do que a superfície.

Até o momento que saem realmente da casa dos pais de Jake, o filme é magistral. Toda a esquisitice característica do Kaufman trazida à tela sem muita enrolação já te deixa bem aquecido na história. Mas, depois disso, ele não parece achar um caminho sólido o suficiente para continuar. Na verdade, ele parece se perder. Acompanhamos uma maçante caminhada até um desfecho decepcionantemente pobre.

O mais frustrante é que os conceitos são realmente interessantes. Tomemos de exemplo a questão temporal que ele traz, dessincronização do tempo, passagem dele através de nós, como isso afeta nossa psique e como nosso controle sobre isso pode ser incerto. Não acho que a magnitude dessas questões seja abrangida largamente pela linguagem do filme, e muito menos pelos seus acontecimentos. Ele prefere se arrastar em uma premissa que mira no alegórico para acertar o entediante ao invés de direcionar sua “loucura” para o caminho mais perturbador.

Mesmo assim, ele ainda acerta em vários momentos. Como já foi dito, principalmente na sequência dentro da casa dos pais de Jake, a dosagem é perfeita. Ao mesmo tempo que temos a estranheza acontecendo, o suspense se apossa da narrativa e ele te deixa espantado com qualquer ruído. A afronta crescente e a maneira descontraída e inesperada que ele encara o medo é bem impressionante e te dá aquela boa sensação “ok, isso é um filme do Kaufman”.

Não vou mentir, acho que fui uma grande vítima da expectativa. Todo o trabalho dele tanto quanto diretor quanto como roteirista é bem recente para mim. e projetei a grandiosidade dos outros filmes nesse. Comparações são sempre arriscadas, mas não vejo ele na mesma intensidade de outrora, a exploração da mente parece dar espaço para uma vaga divagação sobre o tempo e a finitude humana. De qualquer forma, filmes que dividem opiniões, às vezes, são mais interessantes que maravilhas unânimes, acho que esse é o caso aqui. Um incômodo eterno.

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Por Davi Alencar – Fala! Anhembi

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