Especialista explica como a música impacta o desenvolvimento cerebral
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Especialista explica como a música impacta o desenvolvimento cerebral

Especialista explica como a música impacta o desenvolvimento cerebral

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Ouvir música, cantar, dançar ou tocar algum instrumento vai muito além do que simples hobbies. A música pode ter efeitos terapêuticos, o que é muito positivo para o desenvolvimento cognitivo. 

Atividades prazerosas, como escutar músicas que gostamos, faz com que o organismo libere dopamina, podendo melhorar o humor, a memória, a atenção e as sensações de bem-estar. 

Sendo assim, a canção tem o poder de despertar emoções, lembranças e até influenciar na aprendizagem. Além de ajudar na superação de momentos difíceis e auxiliar no tratamento de doenças. 

música
Música impacta no desenvolvimento cerebral, segundo estudos. | Foto: Reprodução.

Para entender melhor sobre os impactos da música no desenvolvimento cerebral, conversei com a psicóloga Jussara Xaviér. Confira a entrevista: 

Especialista explica como a música impacta no desenvolvimento cerebral

1. Quais os benefícios que a música traz para o desenvolvimento cerebral?

Por ter efeitos terapêuticos, a música contribui para a redução de sintomas depressivos, estresse, insônia, alívio de dores, desperta diferentes emoções e melhora a memória. Pode ser utilizada como um estímulo de áreas do cérebro que estão relacionados aos potenciais de aprendizagem e até como auxílio na prática de atividades físicas. É importante lembrar que cada indivíduo tem suas particularidades.

2. O ritmo da música interfere no que estamos sentindo? Por exemplo, músicas tristes nos fazem ficar mais tristes? 

Tem-se uma falsa ideia de que músicas tristes podem deixar a pessoa mais triste, enquanto, na realidade, podem trazer emoções positivas. Isso ocorre, porque quando as pessoas ouvem canções melancólicas, elas se sentem mais empáticas, por se identificarem com a emoção transmitida pelo artista. 

3. A música pode ajudar a superar momentos difíceis? Por quê? 

Sim, a música pode ser uma aliada na superação de momentos delicados. Muitas vezes, torna-se difícil conseguir expressar os sentimentos e emoções ou, até mesmo, entendê-los, por isso, auxilia nesse processo, como se traduzisse o que estamos sentindo. Um exemplo é em um término de relacionamento, em que as pessoas costumam ouvir mais músicas tristes, pois transmitem a emoção sentida no momento. 

4. E contribui para o tratamento de doenças, como a depressão?

Sim. A música estimula a criatividade e a comunicação, facilitando, assim, a exposição de sentimentos e emoções, diminuindo, muitas vezes, a ansiedade. Terapias musicais são cada vez mais comuns no tratamento para pacientes com distúrbios cognitivos. Inclusive, a música é uma das principais formas de conservação da memória de pessoas com Alzheimer

5. Qual a influência da música na gestação? De que forma impacta no desenvolvimento do bebê? 

A partir da 21ª semana de gestação, o feto já apresenta um desenvolvimento quase completo do aparelho auditivo, o que o torna capaz de identificar sons internos e externos. Assim, tudo o que é falado ou tocado para o bebê pode ser identificado e memorizado por ele. Grande parte dos sons que estimulam o feto são provenientes da mãe, tais como a pulsação cardíaca, respiração, movimentos do estômago, entre outros. Se a gestante tem prazer em ouvir música, o bebê também sentirá prazer neste momento, o que estimulará o desenvolvimento.

6. O que acontece com o nosso corpo quando ouvimos músicas de que gostamos? 

A dopamina é liberada durante atividades prazerosas, como dançar, praticar exercícios físicos, ato sexual e mesmo quando estamos comendo algo apetitoso. Então, ouvir músicas de que gostamos faz com que o organismo libere dopamina, trazendo diferentes resultados, como melhora no humor, na memória, na atenção e, principalmente, nas sensações de prazer. 

7. Quando ouvimos músicas de que não gostamos, podemos nos sentir estressados? 

Sim. Ouvir músicas de que não gostamos fará todo o efeito contrário do que ouvir músicas de que gostamos.

8. E qual a influência da música para o nosso cérebro, conforme as etapas da nossa vida? 

Na infância e na adolescência, a música auxilia na criação de memórias afetivas e na superação de momentos conflitantes. Já na vida adulta e velhice, ajuda nas recordações desses momentos.

Vídeo de ex-bailarina com Alzheimer mostra a influência da música no estímulo cerebral 

Espanhola Marta C. González ao ouvir O Lago dos Cisnes. | Créditos: Asociación Música para Despertar.

Recentemente, viralizou na Internet o vídeo de uma idosa com Alzheimer, que foi bailarina em Nova Iorque, nos anos 1960. O vídeo foi divulgado pela instituição espanhola Asociación Música para Despertar. 

Ao ouvir a música O Lago dos Cisnes, que ela costumava dançar, a recordação dos movimentos da coreografia veio à tona. Ou seja, lembranças que ela tinha armazenado ao longo de uma vida inteira e que foram estimuladas graças à música. 

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Por Gislaine Delabeneta – Fala! Unisociesc

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