Era Vitoriana: veja cinco hábitos perigosos do período
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Era Vitoriana: veja cinco hábitos perigosos do período

Era Vitoriana: veja cinco hábitos perigosos do período

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A Era Vitoriana é conhecida por seus hábitos estranhos na medicina, moda e hábitos de higiene contestáveis. A histeria feminina foi um diagnóstico médico muito comum entre os anos de 1837 a 1901. Na moda, várias camadas de tecido, que podiam chegar de cinco a dez quilos, foram sendo substituídas por saias menores e novas cores ao longo do século XIX. As empresas de cosméticos surgiram com sabonetes que custavam o mesmo que um quilo de carne na época. O uso do arsênico era amplamente difundido e usado em tintas, vestidos, cosméticos e até para conservar alimentos. Agora, você acompanha os cinco hábitos perigosos da Era Vitoriana. 

Era Vitoriana
Era Vitoriana: veja cinco hábitos perigosos do período. | Foto: Reprodução.

Hábitos perigosos da Era Vitoriana

1 – Uso do arsênico para tingir tecidos e papéis de parede

A moda vitoriana era seguida á risca pelas famílias mais ricas e as tendências eram exportadas pelo mundo. Mas a composição para fazer belas cores e vestidos era perigosa. Um tom de verde chamado de scheele, e posteriormente chamado de verde esmeralda, fazia sucesso entre a alta classe. O seu criador era um farmacêutico chamado Carl Scheel. Até a época, o verde não fazia tanto sucesso, já que o pigmento era difícil de ser fixado. Carl Scheel teve a ideia de pegar a tinta utilizada em paredes e almofadas para criar os tecidos, mas ele não fez a conexão do uso do arsênico às mortes de pintores. As revistas de moda da época popularizaram a cor e, como ela era fácil de ser produzida, foi amplamente comercializada por preços menores.

Com a facilidade de produzir o tom verde, os tecidos foram popularizados e as mortes por intoxicação de arsênico cresceram. Os sintomas da intoxicação pelo produto foram ignorados, como tontura, perda de apetite, náuseas, diarreias convulsões, queimaduras e até coma.

Não eram só os vestidos que levavam arsênico. Chapéus com flores falsas do século XIX foram encontrados com grande concentração de arsênico. Meias e sapatos verdes também foram produzidos. Mas a classe que mais sofria com o uso do veneno para tingir era a classe trabalhadora, já que os resíduos do veneno ficavam suspensos no ar.

Somente no final do século XIX, com a criação de pigmentos menos tóxicos, é que aos poucos o verde scheele deixou de ser usado nas roupas e o arsênico parou de ser incluído nos papéis de parede. Revistas da moda começaram a alertar as mães para que não vestissem seus filhos de verde e até a rainha Vitória mandou trocar os papéis de parede verdes de um quarto após saber que um hóspede havia passado mal.

2 – Jogar dejetos e animais mortos no principal rio que abastecia a cidade

Era comum que esgoto, dejetos e animais mortos fossem jogados nos rios da cidade. O problema era que a mesma água que recebia o esgoto abastecia as casas da cidade. O rio Tâmisa, localizado na Inglaterra, tem 346 km de comprimento e era o principal provedor das casas de Londres na Era Vitoriana. Por volta de 1850, dejetos, animais mortos eram despejados no rio todos os dias. Entre julho e agosto de 1958, o rio Tâmisa fedia tanto que, à época, foi chamado de Great Stink, ou “Grande Fedor” em tradução livre.

Devido ao rio, as pessoas morriam de cólera, febre tifoide e disenteria. Três surtos de cólera foram registrados. Na época, a medicina considerava que os Miasmas causavam a cólera e outras doenças. Miasmas eram contraídos apenas inalando vapores contaminados, a água contaminada ou suja não era um vetor de doença para os vitorianos.

A situação do rio Tâmisa só mudou quando foi proibido o despejo de lixo no rio e os esgotos receberam uma nova tubulação, que não afetava o rio principal, e sim seus afluentes.

3 – Alimentos com giz, serragem e ingestão de cinco mil calorias por dia

Como já foi dito, o uso do arsênico era comum, inclusive na alimentação. O veneno ainda não era tido como prejudicial, então era usado para conservar alimentos como carnes. No pão, havia uma pressão governamental para que o preço sempre ficasse barato, então comerciantes aplicavam giz para deixá-lo mais branco e serragem com farinha para aumentar a massa. O pão, que era o principal alimento das famílias mais pobres, era destinado somente aos provedores da casa. Alimentos estragados eram vendidos como frescos. Leites contaminados com tuberculose eram vendidos e, às vezes, adicionados em água para render mais aos comerciantes. 

Já as famílias ricas, comiam em excesso, geralmente consumindo mais de 5 mil calorias por dia, entre proteínas e carboidratos. Açúcar e bebidas doces não estavam muito na moda, pois o imposto sobre o açúcar era muito caro e poucos tinham acesso a ele. A rainha Vitória era considerada obesa para os padrões da época. Calcula-se que ela tinha o IMC de 32, que hoje não é categorizado como obesidade. 

4 – Cremes dentais feitos de carvão, mel e vinho

Não era agradável ter dor de dente na Era Vitoriana. Os nobres que tinham problemas nos dentes podiam apelar para dentaduras de dentes de mortos ou de doadores, mas aqueles que não tinham dinheiro para pagar, iam em feiras para terem seus dentes arrancados com alicate.

A preocupação com a saúde dos dentes cresceu na época. Cadeiras de dentistas estavam começando a ser comercializadas e o creme dental foi criado em 1896. Os cremes dentais e escovas podiam ser encontrados em boticários e feitos originalmente de sal, giz, mirra, pó de molusco, pó de coral, arnica ou pó de tijolo. Algumas revistas recomendavam outros tipos de creme dental, que podiam ser preparados em casa com receitas inusitadas que levavam canela, vinho e até pão queimado.

Junto aos cremes dentais, foram criadas as escovas de dente de madeira que utilizavam cerdas de crinas de pôneis. Os preparados do boticário eram muito abrasivos e as receitas acabavam danificando o esmalte dos dentes.

5 – Espartilhos que modificavam a anatomia dos órgãos internos

Os espartilhos surgiram pela primeira vez em 1823 e se popularizaram em 1848. As peças de metal revestidas de tecido causavam atrofia muscular, mudavam a anatomia dos órgãos e impediam a circulação de ar de tão apertados. Na época, era desejável que uma mulher parecesse pequena e esguia, por isso os espartilhos eram usados tão apertados.

Embora não tenham sido registrados casos de complicações devido aos usos de espartilho, as mulheres tinham seus corpos modificados ao longo de uma vida e surpreendentemente conseguiam viver bem com os órgãos comprimidos na caixa torácica.

A pesquisadora Dra. Rebecca Gibson analisou espartilhos da Era Vitoriana presentes no museu Victoria and Albert em Londres. Ela concluiu que as mulheres vitorianas tinham 56 centímetros de circunferência na cintura, sendo elas 25 centímetros menores do que as mulheres britânicas de hoje.

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Por Jessica Grossi – Fala! UEPG

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