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Entrevista com Salomão Pirajá – batemos um papo sobre grafite, arte e preconceito

Ao contrário do prefeito João Doria, quem nunca ficou encantado olhando um grafite no muro de uma avenida? Ou quem nunca se perguntou como aquele desenho foi parar ali da noite para o dia? Na matéria de hoje, vamos divulgar uma entrevista com um cara super chegado na área, que começou a desenvolver seu amor na faculdade.

Salomão Pirajá, 27 anos, formado em Publicidade e Propaganda e apaixonado por grafite, vai nos contar um pouquinho sobre a sua história. Confira:

Fala!: Há quanto tempo você está no mundo do Grafite?

Pirajá: Considero que estou no mundo do Grafite desde 2010, quando aconteceu minha primeira prática e contato com latas de sprays. Isso aconteceu logo no meu primeiro ano de faculdade, quando um amigo que havia visto minha pasta de trabalhos me chamou para grafitar no bar do pai dele, com o meu personagem, o Aborigina.

1898143_707689212616597_2023827693_nFala!: Quando foi o seu Primeiro contato com essa Arte?

Pirajá: Meu primeiro contato foi quando eu era criança. Meu pai é artista, ele sempre conviveu com artistas, então frequentavam minha casa. Minha casa tinha vários grafites, tanto dentro quanto fora.

Fala!: Quando você definiu qual seria o estilo dos seus desenhos?

Pirajá: Eu sempre desenhei e gosto muito de desenhar rostos, fazer perfeccionismo, desenhos para tatuagem. Eu não me identificava muito com um estilo em particular, mas época da faculdade eu descobri que o legal do grafite é uma identidade visual própria, é você bater o olho e já reconhecer a arte. Hoje, meu personagem é o Aborigina, que tem muito haver comigo, sendo cômico e ao mesmo tempo fazendo algum protesto. Ele sempre está sorrindo. As características dele são de cartoons e personagens.

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Fala!: Você participou do Red Bull Break Time Session. Como foi o convite para você fazer o seu trabalho, e o que foi mais marcante naquele momento?

Pirajá: O meu primeiro contado foi no Red Bull Doodle Art, que foi um concurso entre faculdades. Eu acabei ficando em 10º lugar, era uma votação pela internet, mas um tempo depois um cara que trabalhava lá me convidou para reunião com algumas pessoas para um projeto, onde eu desenhei um mapa para saber onde vendia Red Bull perto da faculdade. Desde então estou trabalhando com a empresa, fazem 4 anos já, isso abriu novas portas como a oportunidade de customizar uma geladeirinha para o “Doutor” dos Racionas Mc’s.

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Os melhores trabalhos que eu pego é por lá, e tudo começou na faculdade. No ano seguinte eu participei do Red Bull Doodle Art e fiquei em 3º lugar, graças aos meus amigos que me ajudaram muito votando.

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Fala!: De todas as aulas que você teve no curso de Publicidade e Propaganda, qual ou quais você conseguiu agregar na sua arte hoje?

Pirajá: Eu considero que a maioria das aulas me ajudou. O curso de Publicidade e Propaganda é bem abrangente, e pega desde a área do marketing até a criação, então tem muita coisa para aprender, muita coisa que um artista pode aproveitar.

Fala!: Onde foi feito e qual o significado do seu primeiro grafite?

Pirajá: Escolhi um muro perto da Anhembi, campus centro. Ele é bem localizado e é onde o pessoal da faculdade passa todos os dias, tanto na ida quando na volta.

Foi muito importante, pois consegui a autorização e reuni os materiais que eu já tinha de outros trabalhos. Fiz meu personagem surfando, porque morei muitos anos em Ubatuba e quis resgatar esse meu lado.

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Fala!: Como você divulga sua arte?

Pirajá: Divulgo minha arte fazendo os trabalhos na rua, porque atinge muitas pessoas que não conhecem, mas estão vendo meu trabalho. Também faço algumas camisetas que eu customizo com o meu personagem, que aliás vieram antes do grafite, As camisetas são uma forma bem legal de divulgação nas redes sociais e, principalmente, com o boca a boca.

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Fala!: Você sofre algum tipo de preconceito pelo seu trabalho?

Pirajá: Eu nunca sofri muito tipo de preconceito, a não ser quando fui abordado por um policial e ele veio falar que o que eu estava fazendo não era trabalho. Hoje em dia as portas abriram bastante, tem muitos grafiteiros nacionais e internacionais que são reconhecidos, fazendo o Grafite ser considerado arte. Mas sei que mesmo assim falta um apoio. Eu acho que o maior preconceito acontece quando falam que Grafite não é um trabalho, quando você fala que é grafiteiro e o pessoal leva na ironia.

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Fala!: Como sua Família reagiu quando você falou que iria ser grafiteiro?

Pirajá: Meu maior apoio vem do meu pai, que é artista. Ele está botando muita fé em mim, e minha mãe me apoia bastante também, só que eles sempre ficam perguntando se eu vou arrumar outro tipo de trabalho em alguma empresa, em uma área de design, mas sempre tento mostrar que esse é o caminho que eu tenho que seguir, até porque, no começo é bem difícil você conseguir um trabalho que pague muito bem.

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Fala!: Qual o maior perigo de estar trabalhado com o Grafite?

Pirajá: Meu medo é apanhar de policial, porque geralmente costumo sair para fazer os grafites à noite, que é um horário mais tranquilo, com menos pessoas passando. Mas tem horas que estou sozinho e é realmente complicado, porque não são todos que entendem e nem todos têm educação, então meu maior medo é perder todo meu material.

Fala!: Qual a mensagem que você quer passar com a sua arte?

Pirajá: A principal mensagem é sair da rotina, quebrar aquele dia a dia metódico e ser feliz – por isso meu personagem está sempre em situações engraçadas, sempre sorrindo e chamando, principalmente, a atenção das crianças.

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Fala!: Qual dica você daria para quem está começando agora?

Pirajá: Treinar bastante e sempre pesquisar coisas novas, buscar conhecer coisas diferentes. Se passar perto de um grafite que gostar olhe de perto, tenta imaginar a técnica que a pessoa usa. Seja curioso e pergunte mesmo.

Por: Leticia Ventura e Mitty Yashima – Fala! Anhembi

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