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COPA DO MUNDO

A Copa do Mundo da FIFA no Brasil começa no dia 12 de junho. Talvez o maior evento esportivo do planeta, espera-se que milhões de pessoas de toda parte do mundo venham ao País para acompanhar de perto a disputa entre as seleções. A verdade é que a Copa do Mundo não é apenas um campeonato de futebol, mas um evento global, com consequências sociais e que se desenvolve, paralelamente, à influência cultural do país em torno de um espetáculo. A primeiríssima partida será em São Paulo, Brasil e Croácia, no dia 12 de Junho – e a previsão é que, além da cerimônia de abertura e o discurso de inauguração, a partida ainda contenha vaias retumbantes, Hino Nacional cantado a plenos pulmões e manifestações do lado de fora do estádio Itaquerão.

            Com a chegada de Felipão e a conquista da Copa das Confederações, a seleção brasileira retomou a confiança do torcedor e chega como uma das principais candidatas a levar a taça. Jogando em casa, esta copa é a oportunidade de apagar da memória o Maracanazzo de 1950, quando o Brasil perdeu para o Uruguai a única copa que sediou, uma virada que calou quase 200 mil brasileiros presentes no estádio do Maracanã.

            Contudo, em meio a toda essa emoção e ansiedade pelo jogos, há também o lado alternativo deste contexto futebolístico – a grande onda de revolta e insatisfação com a política, com as empresas, e com os demais envolvidos em todo o esquema de corrupção do evento. Todos já estão cientes de que as manifestações irão invadir as ruas do país como ocorrido em junho de 2013, porém, o que ainda não se sabe é o desfecho de toda essa mobilização, qual será o seu efeito, e como o governo irá reagir.

            A causa das manifestações é totalmente válida e até mesmo necessária, ao mesmo tempo em que a seleção brasileira não tem culpa da tamanha falta de respeito dos organizadores do evento, e os incontáveis desvios de dinheiro público. Sendo assim, o que se pode esperar da Copa de 2014 é que a justiça seja cobrada pela boca do povo, e que a alegria surja dos pés de um jogador, ao balançar a rede do adversário.

Mauro Naves

A menos de um mês para a Copa, os jornais Fala! entrevistaram o jornalista Mauro Naves, que se prepara para cobrir a sua quinta Copa. Há 27 anos trabalhando na Rede Globo, Mauro Naves é um dos mais reconhecidos comunicadores do esporte no País. Falamos de sua carreira no jornalismo, de Ayrton Senna, de Rede Globo e, claro, Copa do Mundo. Confira o programa completo com Mauro Naves na nossa FANPAGE: COLOCAR FANPAGE AQUI

Mauro, você é formado em Estatística e durante anos trabalhou no mercado financeiro. Como começou sua historia no jornalismo?

Começou jogando bola. De uma forma amadora, evidentemente, mas fui campeão de alguns torneios em Brasília, respeitando a limitação do futebol brasiliense. Um dia, me levaram para jogar no clube da imprensa, que tinha um monte de tiozão que gosta de uma cerveja, fumantes. E eu, boleiro novo, claro, deitei e rolei. Aí o goleiro do time insistiu que continuasse a jogar bola com eles – eu era o único ali que não era da imprensa. Aceitei e fui convivendo com aquela turma de jornalistas. Logo começaram a me dizer para fazer comunicação. Comecei a fazer o curso à noite, trabalhando no mercado financeiro durante o dia. Mas aí o time acabou e eu terminei o curso e nem fui buscar o diploma. Eu tava muito bem, crescendo no mercado financeiro, esqueci um pouco o Jornalismo.

Cinco anos depois de formado, o goleiro daquele time que havia acabado era chefe de reportagem da Globo em Brasília. Um dia ele me telefona chamando para fazer um teste para cobrir a ausência de um repórter de esportes. Eu nunca tinha feito nada do tipo, e recusei. Mas fiquei pensando naquilo, no meu diploma que ainda não tinha me servido para nada, e resolvi ir lá fazer o teste.  Passei, e fiz jornada dupla por dois anos. Mas ficou muito cansativo, jornalismo é muito cansativo, e tive que optar. E eu iria optar pelo mercado financeiro, não fosse uma mudança de diretor. Meu novo diretor financeiro quis comprar ouro, e eu tinha informações de que o ouro iria cair porque tinham descoberto uma jazida na África e tal. Ele queria que eu comprasse, mas eu teria que assinar aquele documento. E eu não estava seguro, eu achava que ia cair diante das informações que eu tinha e sabia que se eu assinasse a compra, dois meses depois teria que justificar o que eu fiz, diante de três mil associados. Mas ele estava ganhando com aquilo, devia estar roubando, como acontece muito no mercado financeiro. Foi aí que eu decidi ficar na cobertura de esporte da Globo em Brasília.

Há 27 anos você trabalha na Rede Globo, uma emissora que tem fácil acesso a praticamente tudo no País, principalmente quando se trata de esportes. Como isso influenciou sua carreira?

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Em termos de estrutura, a Globo é insuperável. Por outro lado, todo mundo acha que a Globo abre todas as portas e que você não precisa de talento para ser bem sucedido.” Ah, eu vou entrevistar o Ronaldo agora, é só ligar e falar que é pra Globo que ele vai aceitar”. Não é bem assim. Eu acho que muitos jogadores estão aprendendo que também é bom para eles aparecerem na Globo, porque todo mundo agora tem patrocinador pessoal, bonézinho e bermuda com propaganda. Alguém deve falar com eles que aparecer no GloboEsporte é melhor do que aparecer no programa de fulano.

Mas até por ser uma empresa do canhão que é, o problema com a Globo é a credibilidade. É uma preocupação que outros não tem. Não pode ter fofoca. Vou te dar um exemplo, essa semana eu tive duas notícias: que o Messi vai jogar no Corinthians em 2018 e que o Seedorf ia sair do Milan e vir jogar aqui. Se eu falo um negócio desse na Globo eu vou pra rua na hora! Isso na mão de jornalistas de outras emissoras vira um escarcéu. É da política de cada emissora. E tá aqui no meu celular, depois eu te mostro: Messi no Corinthians, os árabes vão pagar. Isso me fez ligar pro Andrés Sánchez à meia-noite do domingo. E o Andrés ainda falou ”é verdade, mas só em 2018!”. Eu falei “ah, vai dormir Andrés!”.

Mauro, você fez a última entrevista com Ayrton Senna no Brasil. Como isso aconteceu, e o que significou para você?

Na verdade foi uma coincidência. Em 94 a Fórmula 01 quando acontecia aqui, no GP de Interlagos. O Ayrton Senna estava na Willians, querendo ganhar do Schumacher, que já aparecia como um grande nome. E no final do GP de Interlagos ele roda com o carro. Naquela época o Ayrton estava lançando a Audi no Brasil, e ele aproveitou para dar uma entrevista na quarta-feira, três dias depois do GP, para explicar porque que o carro tinha morrido, a frustração dele de não ter ganhado o prêmio aqui, etc. Depois da entrevista nós fomos dar uma volta em Interlagos, para ele mostrar o que aconteceu na corrida e também o Audi dele. Foi sensacional, conversamos tanta bobagem ali dentro, jamais imaginaria que era a última entrevista com ele. Eu já tinha alguma intimidade com o Ayrton, e lembro que pra rodar o carro como ele fez na pista ele tinha que puxar o freio de mão. Numa dessas, ele deixou o carro morrer. “Cê é ruim pra caraca mesmo, hein? Por isso que aquele carro morreu, nem nesse aqui você conseguiu. Posso falar a verdade? Você é um merda de piloto!”. Ele ria. Nas poucas vezes que eu o entrevistei – por cinco ou seis vezes tive a oportunidade de falar com ele, sozinho – ele sempre foi muito legal comigo.

Foi a última entrevista dele no Brasil, morreu na Europa um mês depois. No 1º de maio, eu acordei cedo para assistir a corrida e aconteceu o que aconteceu – me veio tudo à cabeça, toda a conversa que tivemos lá dentro. Naquele dia eu estava escalado no clássico entre São Paulo e Palmeiras, e 100 mil pessoas no Morumbi cantaram o nome dele. Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira, sem dúvida.

Você acha que o Neymar está preparado para assumir o comando do time e levar a Seleção ao Hexa?

Eu acho que sim. Claro que ele ainda não é um Cristianoo, nem um Messi – eu acho que esses dois tem hoje um potencial maior para serem decisivos. Tenho muito medo dessa Argentina que não é boa de defesa mas é muito forte no meio campo para a frente. Inclusive os companheiros de ataque do Messi são melhores que os companheiros de ataque do Neymar. Mas o Neymar tem um talento diferenciado, isso já está evidente, apesar da idade dele. Você pega vídeo dele com sete, oito anos e já vê que o moleque é diferenciado. É o único diferente na nossa Seleção. Temos uma equipe de bons jogadores, mas diferente, especial, só o Neymar.

Na sua opinião, os times favoritos para levar a Taça e o provável craque da Copa.

Claro que eu queria que fosse o Neymar, mas acho difícil. O Messi tem todas as condições de ser a estrela, até pelo time dele, que também é muito bom lá na frente. O Cristiano está voando, embora Portugal não o ajude tanto.

Eu acho que o Brasil está entre os quatro favoritos. Jogar em casa ajuda e atrapalha, porque a torcida está lá a favor, mas pode virar pressão. Respeito muito a Alemanha, que há dez anos não dá mais chutão e aprendeu a jogar bola. Acho que a Espanha tem que ser respeitada porque tá acabando a safra deles, e não é esse jogo de 3 a 0 da Copa das Confederações, eles vêm com força e o tiki-taka ainda funciona. Argentina e Brasil, esses são os quatro favoritos. Claro que tem a Bélgica, que deve surpreender; a Holanda; a França, que sempre dá trabalho e deveria mais é ficar lá em Paris, que é bonita; mas a taça deve ficar mesmo entre esses quatro times.

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