Entenda tudo sobre o caso de difamação do Felipe Neto
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Entenda tudo sobre o caso de difamação do Felipe Neto

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Após afirmar que Bolsonaro é o pior líder mundial no combate à pandemia do novo coronavírus, os ataques ao influenciador se intensificaram nas redes sociais; Felipe Neto foi ameaçado em frente à sua casa

O youtuber Felipe Neto, um dos maiores influenciadores digitais do Brasil, é alvo de ameaças e acusações falsas nas redes sociais há algum tempo. Porém, após a sua aparição em um vídeo publicado pelo jornal estadunidense The New York Times, dia 15 de julho, classificando o presidente Jair Bolsonaro como o pior líder mundial no combate à pandemia do novo coronavírus, os ataques se tornaram mais frequentes, principalmente por apoiadores do atual governo, e deixaram de ser apenas virtuais.

Durante as últimas semanas, depois da repercussão deste vídeo de opinião, Felipe tem sido vítima de uma campanha de difamação nas redes, principalmente por meio do Twitter, com a hashtag “#TodosContraFelipeNeto”. Até mesmo parlamentares próximos ao presidente do Brasil, como o seu filho, deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, a usaram.

Segundo o blog “Essa tal rede social”, a campanha gerou mais de 3,5 milhões de interações em 48 horas, durante os dias 27 e 28 de julho, no Facebook. O chamado “ataque coordenado” atuava sobretudo dentro de grupos na rede social, com notícias falsas e matérias sensacionalistas em pelo menos 477 grupos e páginas. Ainda segundo o monitoramento, as palavras mais usadas nos ambientes dos ataques, como “Bolsonaro” e “Direita”, sugerem o envolvimento de bolsonaristas nos atos.

Felipe Neto é alvo de difamação e ameaças

Uma montagem foi criada e divulgada na tentativa de associar o influenciador ao crime de pedofilia. Além das críticas, ameaças e informações falsas (fake news) nas redes sociais, vídeos descontextualizados foram compartilhados para ferir a sua reputação. Segundo Felipe, é possível que tenha havido financiamento de robôs para o impulsionamento em massa da campanha.

Serviços especializados em checar conteúdos duvidosos, com o intuito de esclarecer o que é verdadeiro ou falso e combater fake news, constataram informações falsas contra Felipe Neto. Entretanto, de acordo com um levantamento feito pela vítima e sua equipe, a imagem de Felipe foi prejudicada e sites de busca já o ligam à palavra “pedófilo”. Ainda segundo ele, apenas no dia 27 de julho, a sua equipe conseguiu que 1247 vídeos enviados para o Facebook e Instagram com informações caluniosas referentes à sua pessoa fossem removidos.

Felipe Neto
Felipe Neto em conteúdo publicado pelo The New York Times. | Foto: Reprodução.

Além da campanha de difamação virtual, os ataques se tornaram físicos. No dia 29 de julho, uma quarta-feira, um grupo de homens acompanhados por um carro de som foi até a entrada do condomínio em que o youtuber mora, no Rio de Janeiro, para coagi-lo.

Dentre os envolvidos, um homem conhecido como “Cavaliere”, pré-candidato a vereador do Rio, atacava verbalmente o influenciador e pedia para que ele aparecesse, enquanto outro o chamava de “pilantra” e “pedófilo disfarçado de apresentador de criança”.

É, Felipe Neto. A gente vai se encontrar em breve. Eu quero ver se tu é macho. (…) Eu quero ver tu tirar onda comigo. Seus seguranças não me intimidam, que aqui também o bonde é pesado.

Afirmou, posteriormente em um vídeo, Cavaliere.

Repercussão do caso

Em meio aos impactos dos acontecimentos, em entrevista ao Jornal Nacional, dia 30 de julho, Felipe se mostrou surpreso com a perseguição sofrida.

Eu nunca imaginei que fosse passar por isso. Nunca dei qualquer margem, ou qualquer suspeita, ou levantei qualquer tipo de insinuação que pudesse levar qualquer pessoa a me associar com esse crime (pedofilia) tão perverso, tão odioso, e ver isso acontecendo.

As pessoas, por não terem nada para falar sobre mim, inventaram posts. Pegaram a minha foto e montaram, no Photoshop, posts como se eu tivesse escrito. Aquilo mostra o quão vil é o coração dessas pessoas. O quanto elas estão dispostas a fazer o que quer que seja.

Afirmou.

Felipe também contou que reforçou a sua segurança e de sua família quando os ataques se tornaram mais intensos. Com o auxílio de profissionais, as ameaças sofridas são rastreadas, registradas e encaminhadas à polícia. Além disso, foi contratada uma equipe de advogados para processar os responsáveis pelas acusações falsas. As ameaças em frente à sua casa também serão denunciadas.

Entidades e personalidades públicas, como Luciano Huck, se sensibilizaram contra os ataques a Felipe Neto e a disseminação de fake news. Por meio das redes sociais, manifestos e publicações de solidariedade foram compartilhadas.

Em defesa do comunicador, 37 entidades do Brasil, incluindo a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), divulgaram um manifesto coletivo. O abaixo-assinado reitera que “não pode haver, sob um regime democrático, e em um ambiente que se respeite as regras de um Estado Democrático de Direito, a produção deste tipo de conteúdo sabidamente falso com o fim de macular a imagem de alguém”.

Por meio do Twitter, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, comunicou que irá acelerar a tramitação do projeto de lei sobre fake news. Ademais, convidou Felipe Neto para uma reunião, a fim de discutir e melhorar o projeto. Também por meio da rede social, o convite foi aceito. “Convite aceito, Rodrigo. Vamos conversar! Muito obrigado pelo apoio”, disse o influenciador.

Posições do youtuber

No entanto, sobre o PL 2.630/2020, que visa impugnar ações como as acusações falsas contra o youtuber, Felipe vê pontos a serem melhorados. Na sua percepção, da maneira que está, o projeto de lei pode ameaçar a liberdade na Internet. No dia 30 de julho, em um debate com Luís Roberto Barroso, que é ministro do STF e presidente do TSE, o youtuber afirmou que “não pode dar um tiro de bazuca para matar uma formiga”.

O projeto mencionado institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. A proposta, já aprovada no Senado, cria medidas de combate à disseminação de conteúdo falso nas redes sociais e nos serviços de mensagens privadas. As medidas valerão para as plataformas com mais de 2 milhões de usuários.

Crítico de Bolsonaro e seu governo, Felipe Neto, com grande alcance na Internet, passou a ser rival de bolsonaristas ao enfrentá-los. Em 2020, viralizou e causou polêmica ao afirmar que influenciadores digitais devem usar as suas contas se posicionarem em defesa da democracia e em oposição ao governo Bolsonaro.

Quando ficou conhecido por vídeos de humor, há cerca de uma década, foi um dos primeiros brasileiros a fazer sucesso no YouTube. O carioca, atualmente com 32 anos, cresceu ao longo dos anos e, hoje, acumula mais de 39 milhões de inscritos na plataforma. Durante a sua trajetória, foi quando passou a abordar temas políticos em suas redes, principalmente no Twitter, onde já soma 12 milhões de seguidores, que a sua projeção e relevância aumentaram ainda mais.

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Por Leo Rodrigues – Fala! Faculdades Integradas Hélio Alonso

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