Entenda tudo sobre a situação da Faixa de Gaza
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Entenda tudo sobre a situação da Faixa de Gaza

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A Faixa de Gaza é um território que faz fronteira com o Egito e com Israel. É uma estreita faixa de terra que já esteve sob domínio do Império Otomano. Com a Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra passou a controlar a região, mas transferiu o domínio para a ONU anos depois. Assim, ocorreu a divisão do território entre Israel e Palestina, que seguem disputando o controle da Faixa de Gaza até hoje.

Contexto histórico da Faixa de Gaza

De forma geral, o Oriente Médio possui um histórico de muitos conflitos. Conhecida como “Barril de Pólvora”, essa região é foco de tensões étnico-religiosas há muito tempo, e as questões entre Israel e Palestina compõem um cenário particularmente delicado.

Movimento Sionista e divisão territorial

O Movimento Sionista era caracterizado por representar o desejo da formação de uma nação judaica. Diversas regiões foram ofertadas para a criação do Estado de Israel, como parte do território argentino e até mesmo a ilha de Madagascar, mas nenhuma proposta foi aceita. 

Os judeus consideravam a Palestina como a Terra Prometida, Canaã. Por acreditarem que essa região estava predestinada a eles, determinaram que a criação do Estado de Israel deveria ser feita ali. A frase mais marcante do movimento foi “um povo sem terra para uma terra sem povo”. A grande questão é: não era uma terra sem povo. Os palestinos já ocupavam a região há mais de mil anos, desde a diáspora judaica, em 70 d.C. 

Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU, que tinha o controle da região da Palestina na época, cedeu parte do território aos judeus como forma de reparação pelos horrores sofridos por esse povo durante o conflito. O território foi dividido de forma desigual, com os judeus, que tinham uma população menor, ocupando uma área maior e melhor localizada, com mais recursos. Assim, criaram-se dois territórios: Israel e Palestina.

Faixa de Gaza
Mapa ilustrativo da Faixa de Gaza. | Foto: Reprodução/Toda Matéria.

Conflitos Israel x Palestina

A tensão entre Israel e Palestina começou a crescer quando Israel se autodeclarou um país, recebendo o apoio e reconhecimento de países ocidentais, sobretudo Estados Unidos e Inglaterra. Nesse período, os países árabes viviam o Pan-arabismo, movimento que buscava a liberdade dos países árabes em relação ao controle externo e a união interna entre eles. Motivados pelos ideais desse movimento, os países árabes não reconheceram o Estado de Israel. Para eles, Israel ser reconhecido como um país e a Palestina não ter o mesmo status era inaceitável. 

Dessa forma, os países árabes vizinhos declararam guerra a Israel, que tinha um exército muito forte e o apoio dos Estados Unidos e da Inglaterra em questões burocráticas, tornando o país recém-criado uma potência ainda mais perigosa. Assim começaram os conflitos no Oriente Médio. Aconteceram quatro guerras:

Primeira Guerra Árabe-israelense

Motivados pelo Pan-arabismo, Egito, Síria e Jordânia declararam guerra a Israel, que recebeu muito apoio externo e teve claro domínio de todo o conflito. Israel refutou todos os ataques e dominou diversos territórios, conquistando a vitória e ampliando suas fronteiras. 

Guerra de Suez

Esse conflito é vinculado sobretudo ao Pan-arabismo Egípcio, que teve Abdel Nasser como líder. Em 1956, o Egito tomou a decisão de nacionalizar o Canal de Suez, importante via navegável que conecta Ocidente e Oriente e foi construído pela França e pela Inglaterra. Essa decisão foi mal vista pelo Ocidente e também por Israel, que não poderia utilizar o Canal, já que o Egito não reconhecia a legitimidade do Estado de Israel enquanto país. Israel, Inglaterra e França se uniram na Operação Três Mosqueteiros e entraram em guerra com o Egito, que recebeu apoio da Rússia.

No fim das contas, o conflito foi solucionado de forma diplomática, visando evitar uma guerra nuclear, que poderia ocorrer caso Estados Unidos e Rússia se envolvessem ativamente no conflito.

O Egito se declarou perdedor, mas manteve o controle do Canal de Suez, com a condição de permitir que Israel o utilizasse. Esse conflito deixou claro que Israel, na prática, foi um braço ocidental no Oriente Médio, o que seria uma ameaça aos países orientais, principalmente por conta do exército israelense, que contava com alistamento militar obrigatório e muitos armamentos de última tecnologia. 

Guerra dos Seis Dias

Após a Guerra de Suez, os países árabes intensificaram seu treinamento, aprimoraram seu armamento e pensaram que estavam aptos a atacar Israel com sucesso. Entretanto, o país judeu descobriu essa intenção e manda sua força aérea para o Mediterrâneo, realizando um bombardeio no arsenal da força aérea da Síria e do Egito, o que forçou a guerra a acontecer somente por terra pelo lado árabe.

Os países árabes foram massacrados por Israel, que aproveitou a oportunidade para expandir suas fronteiras. Conquistaram a Península do Sinai, que pertencia ao Egito, a Cisjordânia, que pertencia à Jordânia, e as Colinas de Golan, da Síria. Já não era permitido anexar territórios, mas, com a vantagem de ter os Estados Unidos votando a seu favor no Conselho de Segurança da ONU, Israel não sofreu nenhuma consequência e ampliou seus domínios com sucesso. 

O grande objetivo era realizar a expansão territorial sionista de forma inteligente. A área ocupada por Israel no início da sua formação não contava com petróleo, nem com fontes de água. Os territórios anexados eram valiosos nesse sentido, principalmente pela presença de água em maior abundância. 

Guerra do Yom Kippur

Com o objetivo de recuperar os territórios perdidos na Guerra dos Seis Dias, os países árabes aguardaram o feriado do Yom Kippur, em que os judeus entraram em jejum, para realizar uma nova investida.

Israel refutou os ataques e teve apoio dos Estados Unidos, que entrariam no conflito ao lado de Israel caso o país judeu perdesse. O conflito teve fim com a intervenção da ONU, dos Estados Unidos e da União Soviética, que ameaçou entrar no conflito ao lado dos árabes.

O conflito deixou algumas consequências, entre elas a Crise do Petróleo, uma das piores já sofridas pelo sistema capitalista. Os países árabes, que controlavam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), boicotaram os países aliados de Israel, forçando um aumento do preço do petróleo com o objetivo de obrigar os Estados Unidos a garantir que Israel saísse dos territórios anexados no conflito anterior. A alta do preço do petróleo derrubou bolsas de valores, causando a crise.

A Questão Palestina 

O povo palestino buscou constituir um país no território da Palestina de 1967, que compreende a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Para isso, Israel deveria desocupar essas áreas e reconhecer a formação da Palestina.

Um marco importante nessa luta foi a criação da Organização para Libertação da Palestina (OLP), em 1964. A organização contava com a liderança de Yasser Arafat e seu objetivo é a criação de um Estado Palestino por meio da luta armada. Israel e os países ocidentais a consideram como um grupo terrorista. Com o tempo, a OLP perdeu um pouco da sua força e se voltou também à área política, com a formação da Autoridade Palestina (AP), um partido político. 

Divisão política entre os palestinos

Fatah

Grupo mais moderado, que aceita a existência de Israel e reconhece a autoridade israelense, mas não o Estado de Israel enquanto país. Exerce sua influência principalmente na Cisjordânia. 

Hamas

Grupo mais radical, que não aceita a existência de Israel. Surge depois do Fatah e acredita que é necessário fazer os israelenses deixarem o território à força. Atua na Faixa de Gaza e está envolvido no conflito intenso mais recente entre Israel e Palestina, em 2021.

Jihad Palestina

Grupo militante visto como terrorista pelo Ocidente e também por Israel, além de Japão e Austrália. Busca a destruição de Israel e a formação de um Estado Islâmico na Palestina. Também está envolvido no conflito de 2021 entre Israel e Palestina. 

Acordo de Oslo

Em 1993, foi assinado um acordo de paz entre Israel, representado pelo Primeiro-Ministro da época, Yitzhak Rabin, e Palestina, representada por Yasser Arafat, líder do povo palestino e da Autoridade Palestina (AP). Conhecido como Acordo de Oslo, o tratado foi mediado pelo então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

É válido dizer que o acordo favorecia o lado judeu, com a AP reconhecendo Israel como um país, além de ter mantido diversas áreas da Cisjordânia sob domínio israelense.

Ataques anteriores de maior evidência

Operação Chumbo Fundido – 2008

Conhecida como Massacre de Gaza pelo povo árabe, a Operação Chumbo Fundido começou em dezembro de 2008 e foi um “desastre humanitário planejado”. Seu real objetivo nunca foi eliminar os militantes do Hamas. Nessa situação, Israel buscava aniquilar civis e, a longo prazo, desocupar as terras em que estavam os palestinos e assumir seu controle. 

Israel esperava que os palestinos que restassem após os ataques, saíssem da região motivados pelo medo e pela falta de recursos, deixando o caminho livre para a ocupação judaica e pleno domínio israelense. O Estado de Israel realizou ofensivas por terra e também ataques com mais de cem bombas, caracterizando o conflito mais intenso entre Israel e Palestina desde 1967, quando ocorreu a Guerra dos Seis Dias. 

O Hamas e outros grupos palestinos buscaram defender o território e realizar ofensivas contra Israel, mas foi mais um conflito assimétrico, as forças palestinas não chegavam nem perto do armamento e tecnologia que Israel tinha à disposição.

Em 17 de janeiro do ano seguinte, foi declarada trégua. O conflito deixou mais de mil palestinos mortos, entre eles muitos civis, inclusive mulheres e crianças.

Operação Limite Protetor – 2014

Ofensiva israelense mais sangrenta da década. Foram 51 dias de conflito, que contou com ataques de Israel por vias aéreas, com bombardeios, além da ofensiva terrestre. No lado palestino, foram mais de duas mil mortes, a maioria de civis, muitos deles menores de idade. A resposta articulada pelas milícias palestinas fez 71 vítimas em Israel, sendo 6 civis. 

O abismo humanitário em que Gaza foi lançada levava a comunidade internacional a clamar pelo cessar-fogo. As tréguas duravam poucas horas e, logo em seguida, os ataques eram retomados. 

Israel não abaixou a guarda até conseguir neutralizar os túneis que o Hamas possuía na ligação das fronteiras, por onde seus militantes chegavam ao país judeu. Boa parte dos membros do grupo palestino e de seu arsenal foram destruídos nos ataques israelenses, o que foi visto como uma grande conquista pelo governo de Israel. 

Enxergando a situação como uma vitória, Israel cedeu e as partes declararam trégua em 26 de setembro de 2014. Um acordo entre Israel e Palestina foi feito um mês depois, mas as medidas que favorecem os palestinos, como o afrouxamento do controle militar israelense em Gaza, não foram implementadas.

Conflitos na Faixa de Gaza em 2021

No dia 10 de maio de 2021, começou um novo embate entre o Exército Israelense e as organizações palestinas Hamas e Jihad Palestina. Um dos conflitos mais intensos entre as partes nos últimos anos, a disputa deixou mais de 200 mortos e teve seu cessar fogo declarado no dia 21 de maio de 2021, após 11 dias de conflito.

O mês do Ramadã, sagrado para os muçulmanos, foi marcado pela tensão crescente entre o Exército de Israel e as organizações palestinas. Tanto o lado árabe quanto o lado israelense realizaram provocações graves até o conflito realmente estourar. Um grande grupo de israelenses da extrema direita manifestou sua revolta e desejo de morte aos árabes durante as festividades do Ramadã, na Cidade Velha de Jerusalém. No mesmo local, palestinos perseguiram e agrediram jovens judeus ortodoxos que iam rezar no muro das lamentações. 

Além de tudo, famílias palestinas que viviam na Cidade Antiga, em Jerusalém, sofriam ameaças de despejo por parte de ultradireitistas israelenses que clamaram a posse da região desde antes da criação do Estado de Israel, quando a ocupação da área foi realizada de forma discreta pelos judeus mais ricos e ortodoxos. A tensão seguiu até o dia 10, quando mais de 300 palestinos foram feridos em ação da polícia israelense em um dos locais sagrados do Islã, a mesquita de Al Aqsa. Em efeito dominó, as milícias palestinas começaram a atacar Israel com foguetes, que foram interceptados pelo Domo de Ferro, estrutura de defesa antiaérea israelense.

A resposta das Forças Armadas de Israel aconteceu com bombardeios na Faixa de Gaza, que gerou também o disparo de foguetes por parte das milícias palestinas. A discrepância de tecnologia militar entre as partes fica clara com a interceptação dos foguetes lançados pelo Hamas e pela Jihad Palestina por Israel, enquanto Gaza chegou a ter prédios importantes bombardeados e destruídos, além de muitos mortos e feridos, sobretudo civis e, entre eles, mulheres e crianças. 

Com mais de 4000 lançamentos de foguetes por parte palestina, Israel teve 12 mortes oficiais, além de cerca de 200 feridos. Nas baixas palestinas, após os ataques de Israel, foram registradas ao menos 243 mortes, inclusive de mulheres e crianças, e inúmeros feridos. Após 11 dias de confronto e com forte influência da pressão feita por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, foi aprovado um acordo de cessar-fogo. O Egito mediou a trégua, que passou a valer na madrugada de quinta para sexta-feira, 21 de maio. 

Israel tinha a intenção de destruir a capacidade militar do Hamas e da Jihad Islâmica, restabelecer o controle de Israel na região por meio das Forças Armadas e eliminar os líderes das milícias palestinas. Boa parte desses objetivos pôde ser atingida antes do cessar-fogo, tamanha a discrepância de forças entre o Estado de Israel e as organizações palestinas. 

O governo israelense afirmou que o objetivo do Estado judeu no conflito era “desferir um golpe severo contra as organizações terroristas e restaurar a calma”, nas palavras de Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel, que considerou a operação um sucesso. Tiveram êxito na ofensiva que minou a capacidade de ataques por parte do Hamas, além de eliminarem militantes do grupo visto por Israel como terrorista. Entre os mortos, estão pessoas importantes e figuras de liderança nas milícias, mas também muitos civis inocentes, apesar da insistência de Netanyahu em afirmar que tomaram todas as medidas possíveis para evitar mortes de civis.

Apesar da declaração de cessar-fogo, lideranças do Hamas têm pouca fé na duração dessa trégua, garantindo que é o fim dessa batalha, mas que a resistência palestina continuará e crescerá sempre buscando a justiça pelo povo palestino e o fim da agressão israelense.

Consequências dos conflitos na Faixa de Gaza

Além dos mortos e feridos, os conflitos de 2021 deixaram a situação da Faixa de Gaza, que já era delicada, ainda mais crítica. O desemprego na região atingiu a marca de 48%, situação desencadeada pela destruição da infraestrutura de diversos pontos importantes para a economia da cidade. 

Durante o conflito, foram destruídos mais de 90 edifícios, além de comércios e demais estabelecimentos e das próprias moradias da população. Os alvos mais visados por Israel foram as principais ruas de Gaza, tornando a destruição inevitável com os ataques implacáveis das Forças Armadas israelenses. 

Toda essa destruição reflete diretamente no acesso a serviços de necessidade básica, como a saúde e a educação, já que diversos estabelecimentos de ensino e locais de atendimento de saúde foram arruinados. Os direitos humanos da população da Faixa de Gaza seguem sendo violados. A violência do Exército Israelense é constante, e boa parte do povo palestino depende de serviços de ajuda humanitária até mesmo para comer.

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Por Cláudia Helena Loureiro – Fala! Anhembi

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