Entenda por que a ciclovia Tim Maia pode causar mais uma tragédia
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Entenda por que a ciclovia Tim Maia pode causar mais uma tragédia

Entenda por que a ciclovia Tim Maia pode causar mais uma tragédia

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Após quatro desabamentos e duas mortes, especialistas alertam para a falta de segurança na estrutura; a ciclovia está interditada há mais de um ano

Em meados de agosto, a Ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, interditada desde abril de 2019, voltou a atrair a atenção dos especialistas por conta da sua falta de segurança. Devido a um trecho, próximo à praia de São Conrado, no qual um tabuleiro com a pista se deslocou sobre a viga de concreto, em direção ao mar, é possível que haja um novo acidente a qualquer momento.

A princípio, a ideia de derrubar toda a ciclovia parece desconsiderada. A Secretaria Municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação informou que fará uma licitação para recompor os trechos comprometidos, no qual R$ 1,5 milhão devem ser investidos para a reforma da Tim Maia. Segundo o município, o processo licitatório ainda não foi concluído devido à paralisação de processos da prefeitura durante a pandemia do novo coronavírus.

A Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica), órgão da prefeitura do Rio, afirma que não há risco de desabamento no local. Por meio de uma nota, comunicou que “não há qualquer risco estrutural em nenhum ponto da estrutura” e que o trecho contestado “tem mais de 25 toneladas e está apoiada, sem nenhum ponto solto”.

Além disso, garante fazer vistorias semanais na Niemeyer. Entretanto, especialistas ouvidos pela imprensa, além de frequentadores da região, apresentam interpretações contrárias à apresentada.

Ciclovia Tim Maia
Ciclovia Tim Maia após desabamento de trecho que matou duas pessoas, em 2016 | Foto: José Lucena / Futura Press / Estadão Conteúdo.

Ciclovia Tim Maia pode causar uma tragédia e especialistas explicam

Ouvido pelo O Globo, Eduardo de Miranda Batista, professor de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ, afirmou que é necessário tomar alguma medida imediatamente. “É o caso de uma ação emergencial, independentemente se vai construir de novo a ciclovia ou se vai jogá-la no lixo. A estrutura está para cair, e ela pode atingir pessoas”, disse.

Também ouvido pelo O Globo, Marcello Farias, um dos fundadores do movimento “Salvemos São Conrado” e frequentador da região, comentou que já havia reparado no deslocamento do trecho:

No início, eu não queria acreditar nem alarmar as pessoas. Mas agora a gente vê que ela pode cair no costão da Niemeyer novamente. (…) A galera pesca, caminha e pedala ainda pela ciclovia. Toda noite tem pescador. O pessoal não sabe do perigo que é, não sabe do estado dessa ciclovia vista por baixo.

Em entrevista ao Jornal da Band, mais dois especialistas opinaram acerca do caso. O primeiro, Francisco Mourão, engenheiro civil, afirmou que quem diz que a ciclovia não irá cair está “jogando com a sorte”. O segundo, Eduardo Baptista, professor da UFRJ, defende a interdição da área, para que ninguém seja vítima de um possível acidente.

Localizada em um costão de pedra entre o mar e as montanhas, a Ciclovia Tim Maia, que liga as zonas Sul e Oeste da cidade, coleciona quatro desabamentos. No feriado de 21 de abril, em 2016, aproximadamente três meses após a sua inauguração, o primeiro acidente matou duas pessoas que passavam no local, quando um trecho com cerca de 50 metros desabou, próximo a São Conrado. Os outros três incidentes ocorreram, posteriormente, sem causar vítimas. A sua construção custou cerca de R$ 44,7 milhões.

No mesmo ano, estudos desenvolvidos pelo Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro) concluíram que o projeto da ciclovia foi construído em ausência de estudos oceanográficos, que avaliariam o comportamento das marés.

Justiça

Há duas semanas, a Justiça do Rio condenou 15 pessoas pela queda da ciclovia em 2016, que deixou dois mortos. Dentre os responsabilizados, estão engenheiros e profissionais ligados à concepção e execução do projeto. A pena, de três anos, dez meses e vinte dias de detenção, foi convertida em restrições de direitos, prestação de serviços gratuitos e multas. Os réus ainda podem recorrer.

Em sua decisão, o juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal de Justiça do Rio, diz:

Negligenciando o estudo oceanográfico e costeiro, e levada adiante, ainda assim, a obra até então inédita, edificada às cegas do ponto de vista da hidráulica marítima e costeira, os réus cooperaram entre si para o crime, havendo, na espécie, uma inegável relevância causal nas suas várias condutas, todas de igual estatura, já que dirigidas, individualmente, para o mesmo e único desfecho – é dizer, desabamento seguido de morte -, e um liame subjetivo entre os 15 demandados aqui em julgamento, além, é claro, de uma identidade de infração penal.

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Por Leo Rodrigues – Fala! Faculdades Integradas Hélio Alonso

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