Entenda como o racismo impacta a economia brasileira
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Entenda como o racismo impacta a economia brasileira

Entenda como o racismo impacta a economia brasileira

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O Brasil está, infelizmente, entre os países mais racistas do mundo. Segundo o Atlas da Violência 2020, mais de 75,7% das vítimas de homicídio são negras. Para além disso, verifica-se o racismo estrutural que não deixa de apresentar um peso significativo no cotidiano. Um olhar não devidamente discutido, dentro desta problemática, é como ela interfere no desenvolvimento da economia brasileira

Para entender, é necessário se atentar aos números: negros são 75% dos brasileiros em extrema pobreza, enquanto não negros são 70% entre os mais ricos. Entretanto, esses dados não se relacionam com a porcentagem de brancos no país, já que a população negra é maior e vem crescendo cada vez mais.

O fator responsável pelas desigualdades sociais é a má administração da economia, visando a acumulação ao invés da distribuição. No entanto, a população negra não está, em sua maioria, inserida nestes privilégios. 

Negros correspondem a 64% da taxa de desemprego no Brasil, o racismo começa a afetar o âmbito econômico

racismo
Negros são a maioria dos desempregados. | Foto: Correio Braziliense.

A discriminação tem como base a preferência por trabalhadores brancos. Um indivíduo que não for encaixado dentro do mercado de trabalho será incapaz de adquirir seu sustento. Diante disso, será inserido nos quase 13 milhões de desempregados, fazendo com que a economia do país, como um todo, não se desenvolva. É este ciclo que pessoas negras enfrentam no Brasil.

Engana-se quem pensa no racismo como prejudicial somente aos negros – Luiz Felipe López-Calva, diretor de agência da ONU focada no combate à pobreza, diz em entrevista à BBC Brasil:

Este é um problema muito sério do ponto de vista econômico e social. Se a pessoa está excluída do mercado de trabalho, não tem condições de contribuir ao crescimento econômico, de gerar renda para seu lar. Essa discriminação gera desigualdade econômica e também falta de produtividade. 

Explica-se também, através deste posicionamento, a razão pela qual muitos aderem a meios implícitos de obter renda: é necessário sobreviver de alguma forma.

O combate à desigualdade racial é indispensável e, sem dúvidas, a educação contribui para isso. 

A importância de ações afirmativas

Thelma BBB20
Thelma Assis, campeã do BBB20, em sua turma de medicina. | Foto: Rede BBB.

Ações afirmativas são, basicamente, medidas que visam reverter desigualdades, submetendo grupos específicos como negros, indígenas, mulheres, pessoas com deficiências e empobrecidos. Inicialmente, é preciso reconhecer as desigualdades para alcançar a igualdade e não atuar como se ela já existisse.  

A Lei de Cotas, por exemplo, garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas universidades e institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos oriundos integralmente do ensino médio público, sendo eles estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita ou com renda familiar superior a um salário mínimo e meio per capita. Em ambos os casos, também será levado em conta o percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas.

Inserir jovens negros no ensino superior é um grande passo para construção da igualdade racial, embora não seja garantia de inserção no mercado de trabalho.

Atualmente, o Brasil não possui ação afirmativa que inclua pretos, pardos e indígenas em empresas privadas, apenas cota de pessoas com deficiências que varia de 2 a 5%, dependendo da quantidade de colaboradores.

Essa é uma luta coletiva e se faz extremamente necessário que a mudança comece individualmente – questionando aos outros e a si mesmo o porquê de funcionários negros serem minoria, nulos ou ocuparem somente cargos baixos. Como expressa Djamila Ribeiro, em Pequeno Manual Antirracista, “não basta ter uma pessoa negra para considerar que determinado espaço de poder foi “dedetizado contra o racismo””.

Agarre a luta antirracista! 

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Por Guilherme Morais – Fala! UFG

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