Entenda como a xenofobia afeta a área da saúde
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Entenda como a xenofobia afeta a área da saúde

Entenda como a xenofobia afeta a área da saúde

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Diante de tantos fatos e mudanças ocorridos no mundo na última década, o trânsito de pessoas oriundas das mais variadas etnias e culturas se intensificou (embora desde que o mundo é mundo povos e populações migram). A busca por melhores condições de vida, emprego e bem-estar força deslocamentos, readaptações e recomeços de todo o tipo, o que nem sempre é uma tarefa fácil ou simples.

Imigração e preconceito

Imigrar, ou seja, sair do país de origem para adentrar em outro e recomeçar uma vida nova, certamente é uma oportunidade valiosa, contudo, viver em outra cultura pode trazer uma série de implicações. A adaptação idiomática e linguística, a busca por moradia, emprego, escola e saúde costumam ser as primeiras barreiras nessa aventura que é passar a viver em outro país.

No Brasil, desde a primeira intervenção europeia ainda em meados do século XV, tem-se uma trajetória histórica de imigrações, o que ajudou a compor a diversidade racial, cultural e social que hoje se apresenta. A imigração é uma realidade constante e atual no país, que vez ou outra experimenta alguns picos, como foram os mais recentes casos da imigração haitiana, em 2010, e venezuelana, em 2017.

Desde então, essa mais nova parcela da população vem passando por severas dificuldades. A dificuldade em ter acesso a empregos legalizados e a serviços essenciais tornou penosa a estada dessas pessoas em meio a um país que sempre teve orgulho em se considerar livre de preconceitos, mas que segrega e humilha quando possível.

Com a crise econômica, que já se arrasta há alguns anos e que tem deixado marcas sociais cada vez mais profundas, um verdadeiro abismo se formou entre a população nativa e imigrantes. Em um passado próximo, o município de Pacaraima, no estado de Roraima, localidade com pouco mais de 12 mil habitantes, viu sua rotina virar de ponta cabeça com a chegada de refugiados venezuelanos.

Devido à crise que instaurou um verdadeiro caos econômico, político, social e institucional na Venezuela, milhares de pessoas se viram obrigadas a tentar buscar abrigo em outros países, como forma de fugir do desemprego, da miséria, da fome, da violência e do agravamento de moléstias causadas pela falta de recursos. O Brasil, em razão da proximidade geográfica, foi um dos principais destinos escolhidos por muitos venezuelanos, e Pacaraima foi a porta de entrada.

A massa crescente de refugiados em meio ao pequeno município mexeu com as estruturas do local e dos habitantes. Não havia habitação, empregos, escola e hospitais para todos, o que provocou revolta. Uma revolta que estendeu para além dos limites da localidade, ultrapassou o estado e extrapolou a região, espalhando-se por todo o país em uma explosão de intolerância não apenas para com os “hermanos” venezuelanos ou com os haitianos, mas para com todos aqueles que possam vir a representar de alguma forma uma ameaça.

saúde
A xenofobia afeta, inclusive, a área da saúde. | Foto: Shutterstock.

Impactos da xenofobia na saúde

A dificuldade de acesso ou a completa inacessibilidade ao atendimento de saúde – direito e garantia fundamental previsto a brasileiros natos, naturalizados ou a qualquer um que se encontre em solo brasileiro – é o cerne da questão. Com a atual situação pandêmica em curso, o sistema público de saúde tem sido alvo de constantes denúncias de caráter xenofóbico (que vão desde a precariedade da prestação de serviço ao mal atendimento de médicos, enfermeiros e técnicos) por parte de imigrantes e refugiados, grupo com alto índice de letalidade pelo vírus Covid-19 e Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG.

Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde sobre as mortes ocasionadas por Covid-19 e SRAG entre imigrantes e refugiados até o final do mês de julho, havia um total de 715 óbitos em decorrência de Covid-19 e 289 por SRAG. No entanto, esses números não são reais, pois não refletem o verdadeiro contingente de estrangeiros, divididos entre refugiados e imigrantes, devida e indevidamente legalizados e regularizados que se encontram dentro dos limites do país.

A invisibilização de estrangeiros no Brasil tem se tornado cada vez mais latente e alarmante, principalmente quando se é levado em conta que origem e cor têm um peso diferente aqui, onde a palavra de ordem é “depende”. Alguns estrangeiros têm preferências e regalias em comparação a outros, e o sistema público de saúde nesse complexo panorama é apenas a ponta do iceberg.   

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Por Tassia Malena Leal Costa – Fala! Universidade Federal do Amapá

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