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Entenda As Manifestações Que Aconteceram Na Cásper Líbero Durante a Semana

Entenda As Manifestações Que Aconteceram Na Cásper Líbero Durante a Semana


Na noite do dia 29 de agosto, alunos da Faculdade Cásper Líbero insurgiram contra o aumento da mensalidade previsto para 2017, e fizeram uma manifestação pelos corredores do campus.

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Foto: Gustavo Luizon.

 

Tudo começou em 22 de agosto. O dia parecia como outro qualquer, porém, os universitários da Cásper Líbero não esperavam que sua ruína viria num formato tão pedestre.

O que era para ser o anúncio de novos valores, tornou-se motivo de medo e apreensão. Rumores giravam em torno do edital de convocação para o processo seletivo de 2017. Diziam que continha uma projeção astronômica na mensalidade: um “mero” aumento de R$ 300,00. Ele veio desapercebido, sem fazer muito barulho.

Mas, repararam. Não imagine que as medidas foram imediatas, elas demoraram para maturar. Entretanto, a revolta foi instantânea.

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Foto: Gustavo Luizon.

 

Entre uma conversa e outra, entre uma mensagem e outra, entre um post e outro, o assunto sobre o aumento absurdo da mensalidade já havia virado pauta do dia a dia casperiano.

A discussão precisava tomar forma. Muitas ideias eram postas, mas nenhuma parecia definitiva. De abaixo-assinados até posse da diretoria. A diversidade e amplitude dos conceitos de uma rebelião eram múltiplas e atrapalhavam o movimento.

Uma semana. Esse foi o tempo perdido em discussões que parecem não ter chegado a lugar algum. Tendo em vista a efervescência dos debates e da importância do tema, o Centro Acadêmico finalmente se pronunciou e marcou uma reunião aberta na segunda-feira (29), às 18h30, no hall do quinto andar, para que os alunos pudessem se pronunciar em relação a nova mensalidade.

O objetivo de todos era claro: fazer com que o aumento não fosse concretizado, uma vez que depois de diversas tentativas legais de impedimento do acréscimo nos anos anteriores, os alunos não foram ouvidos. O aumento previsto gira entre 15 e 20%, muito acima do valor da inflação. Então, a pergunta que fica é: Por que um aumento tão expressivo? Os alunos estão exigindo uma posição da Fundação que justifique os números.

Além de protestar pelos corredores da faculdade, a ideia de utilizar uma hashtag para mobilização coletiva nas redes sociais foi levantada pelos casperianos. Utilizando como referência um concurso cultural em vigência na instituição, que premiará com um curso livre de até R$500,00 para as dez melhores selfies tiradas em frente as famosas escadarias do prédio da Avenida Paulista, 900, um estudante propôs utilizar a mesma hashtag designada pelo concurso, a #eunaCásper, como forma de protesto contra o aumento no valor da mensalidade. A ideia foi aderida, então vídeos e fotos foram – e continuam sendo – postados, dando visibilidade ao que está ocorrendo por trás da vitrine propagandística da Cásper Líbero.

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Dia #01

Dia 29 de agosto. Pessoas iam e vinham pelos corredores, porém todos com pouca pretensão de escutar o que estava sendo proposto. Mas alguns pararam e debateram. Pouco mais de 20 alunos discutiram diversas ações para combater o aumento abusivo previsto: de R$ 2.300,00 para os cursos de Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas e de R$2.800,00 para o curso de RTVI.

Entretanto, o grupo não parou por aí. Os estudantes passaram a transitar pelos andares da faculdade com os bordões “Vem pro corredor contra o aumento” e “Se a Cásper não baixar, olê, olê, olá, eu vou trancar”. Aos poucos, os demais alunos que estavam no prédio foram se juntando em apoio à mesma causa, e o que era uma ação pequena acabou dando lugar a algo muito maior. As aulas já estavam num segundo plano.

Sendo assim, todos se reuniram no terceiro andar para continuar o planejamento das próximas ações. Ideias e mais ideais surgiam. O movimento estava tomando forma.

Dia #02

A manifestação noturna ecoou no período matutino. Os alunos da manhã, também indignados, não ficaram para trás e prosseguiram com a onda de protestos na Cásper Líbero. Mais passeatas e reuniões ocorreram pelo prédio da Fundação. Uma terça-feira bem agitada, principalmente, para o diretor Carlos Costa.

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Diretor Carlos Costa. Foto: Monica Crepaldi.

 

Devido à enorme mobilização alcançada em tão pouco tempo, a diretoria aceitou o convite de participar de uma assembleia aberta para todos os alunos. O movimento mostrava seu primeiro sinal de sucesso.

No período noturno, os estudantes voltaram a realizar mais manifestações pelos corredores da faculdade. Terceiro andar. Quinto andar. Sexto andar. Um trajeto simples, mas que conseguiu angariar ainda mais pessoas do que no dia anterior. O movimento ganhava mais força e ia reunindo pessoas de todos os cursos.

Uma aluna do segundo ano do curso de Jornalismo expôs sua indignação: “pessoas que entraram (na faculdade) e estão agora no quarto ano, pagam uma mensalidade e meia a mais do que entraram pagando. É muito complicado, as pessoas estão muito incomodadas com essa situação, e a gente não vê retorno da faculdade. Mas agora a história está vindo à tona e a gente não consegue mais aguentar calado”.

Dessa forma, foi aberta uma assembleia para que os alunos pudessem se pronunciar, apresentar argumentos e reivindicações em relação ao aumento da mensalidade. A continuidade dos protestos e as próximas ações a serem tomadas também foram pautas discutidas na reunião.

O movimento dos alunos ocorreu de forma horizontal, autônoma e espontânea. Um dos membros do CAVH (Centro Acadêmico Vladmir Herzog), responsável pela intermediação entre os estudantes e a instituição de ensino, argumentou que, em momentos anteriores, tentativas legais e formais com o objetivo de impedir o aumento da mensalidade já haviam sido realizadas, por meio de cartas e até mesmo de pedido de tabela orçamentária da faculdade para justificativa de gastos. Mesmo assim, as demandas dos alunos não haviam sido atendidas. O jovem estudante reforçou que “o CAVH estimula que a manifestação ocorra, porque a demanda é justa, mas sem que haja depredação e sem impedir, de forma alguma, o trabalho dos professores”.

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Foto: Monica Crepaldi.

 

Quando questionado sobre o motivo da grande adesão dos alunos pela manifestação, o que não havia ocorrido em anos anteriores, um aluno, também membro do CAVH, afirmou: “da forma que a manifestação está ocorrendo desde ontem, fica claro que os alunos tinham represado um sentimento de que não são ouvidos. Então espero que a faculdade demonstre uma vontade genuína de ouvir, porque acho que isso vai fazer toda diferença para um entendimento”.

Dia #03

Na manhã do dia 31, ocorreu a primeira assembleia com o diretor da faculdade, Carlos Costa. Como muitos já imaginavam, não foi nada tranquilo. O professor respondia e, em alguns momentos, se exaltava.

O incômodo já presente somente crescia. Suas palavras traziam inquietação e não conforto, como os mais otimistas poderiam imaginar. Uma parte marcante do seu discurso foi quando disse para que os alunos infelizes pedissem transferência. O descontentamento dos presentes foi instantâneo.

A reunião restava praticamente infrutífera, afinal, os principais jogadores dessa brincadeira ainda não haviam feito sua aparição. Por mais que o diretor da Faculdade Cásper Líbero estivesse presente, quem realmente decide quanto aos aumentos é a Fundação. Entretanto, foi prometido no encontro uma nova assembleia para o final de setembro, no qual os estudantes já esperam uma resposta diretamente da insituição.

Ainda, ficou definida outra convocação para o dia seguinte. Uma comissão precisava ser formada e ficaria responsável por escrever uma carta com todas as propostas e objetivos dos alunos que estavam se mobilizando. Uma exigência do diretor.

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Foto: Monica Crepaldi.

 

No período noturno, o diretor e o vice-diretor da faculdade se dispuseram, novamente, a responder alguns questionamentos dos estudantes. Estes pronunciaram falas como: “somos uma faculdade de comunicação, mas não temos diálogo”, “o movimento dos alunos é importante” e “queremos falar com a Fundação!” (não queriam dialogar somente com representantes da faculdade, mas com pessoas que estão hierarquicamente acima delas).

Alunos também trouxeram à lembrança movimentos dos casperianos que haviam sido rechaçados anteriormente, como no fim do ano passado, quando houve um “apagão” durante a manifestação de alguns alunos, que contou, inclusive, com a presença do deputado federal Ivan Valente, do PSOL.

Como resposta aos argumentos dos estudantes, o diretor Carlos Costa disse que queria uma negociação com eles, e não uma imposição dos mesmos. Explicou que as planilhas orçamentárias estavam em consulta pública e reforçou a exigência de uma carta formal com todas as demandas dos alunos para que pudesse contatar a Fundação e expor o que estava sendo requisitado.

Após um estudante responder ao diretor que “o que estamos fazendo é uma imposição, mas em resposta a muitas outras imposições que já nos foram feitas”, os presentes na reunião concluíram que no dia seguinte haveria, novamente, paralisação das aulas para que, em uma nova assembleia, pautas a serem colocadas na carta à direção fossem aprovadas.

Dia #04

Ao quarto dia de manifestação dos estudantes, assembleias feitas no período matutino e noturno concluíram que seria elaborada uma carta à Fundação com as demandas dos casperianos, e que seria dado um prazo para que pudessem obter a resposta. A carta irá tratar apenas de questões financeiras, como o não aumento da mensalidade para todos os cursos e a exigência de uma mensalidade mais barata para os quartos anos, já que possuem menos aulas durante a semana.

Decidiu-se também que a Fundação irá responder à carta em uma assembleia, na qual os alunos estarão representados por uma comissão de oito pessoas, sendo quatro do Centro Acadêmico e as demais escolhidas por votação da assembleia, e um advogado. O encontro, portanto, será público, com falas dos representantes da Faculdade Cásper Líbero e da comissão de alunos. Enquanto as propostas da carta são estudadas, a paralisação das aulas cessará temporariamente.

Um estudante do primeiro ano de Jornalismo disse que “eles conseguiram o que queriam”, se referindo às exigências formais da faculdade estarem sendo atendidas pelos alunos. Entretanto, o brilho nos olhos dos casperianos, por estarem lutando por algo realmente significativo para eles, não deixa enganar: as reivindicações ainda não acabaram. Por enquanto, aguardamos as “cenas dos próximos capítulos”.

depoimentos

Eu já passei por outras greves em outra instituição. A gente precisa de gente, a gente precisa de mobilização aqui. Fazer rodas de conversa para pensar ‘você pode pagar a mensalidade? Que ótimo, que bom para você, mas a pessoa que senta do seu lado não pode, e pode ser que ela tenha que sair da faculdade ano que vem porque não pode pagar’ – então vamos fazer uma roda de conversa, vamos conversar sobre isso” – sem identificação sobre o curso.

“Na verdade eu fui uma das pessoas que tentou organizar ano passado uma manifestação no dia do vestibular para a galera que estava entrando na Cásper saber do que estava acontecendo, aumento da mensalidade e tudo mais, que eu não tive isso quando eu entrei e a gente tentou fazer isso para evitar o aumento para esse ano. Nessa manifestação foram oito pessoas, ou seja, representativamente ninguém. Mas, ontem, como foi uma coisa totalmente espontânea, as pessoas aderiram porque elas não estavam esperando, foi uma coisa que ‘ah já está acontecendo, vamos lá’ e aí todo mundo foi. Se a gente continuar fazendo esse tipo de coisa, eu acho que tem tudo pra dar certo”aluno do 3º ano de Jornalismo.

“Eu entendo que tanto pelo calor do momento político, do contexto social fora da Cásper… É um momento político muito efervescente, então eu acho que isso contribuiu pra aquecer os ânimos aqui dentro, e também porque dois mil reais é fora do orçamento de qualquer pessoa, né?!”aluna do 2º ano de Jornalismo.

“É a primeira vez em quatro anos na Cásper que eu vejo isso acontecer, e é muito importante a gente entender que o nosso ponto é político, é ocupar os lugares junto com as nossas vozes e os nossos gestos. É muito necessário, eu nunca vi isso acontecer. Eu estive na gestão do ano passado na Vira Mundo, a pauta esteve presente também mas ela não foi pra frente, a gente teve uma reunião com a superintendência que são os responsáveis por controlar as taxas do aumento da mensalidade ou não, e o superintendente lançou uma frase durante a reunião e foi super opressor, dizendo que a Cásper é uma boutique”aluno do 4º ano de jornalismo.

Confira mais fotos das manifestações:

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Foto: Gustavo Luizon.

 

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Foto: Gustavo Luizon.

 

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Foto: Gustavo Luizon.

 

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Foto: Gustavo Luizon.

 

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Foto: Monica Crepaldi.

 

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Foto: Monica Crepaldi.

 

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Foto: Monica Crepaldi.

Texto Por: Andressa Mazzini, Livia Figueiredo e Thomás Augusto – Fala! Cásper

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