Eleições presidenciais dos EUA: saiba mais sobre a votação
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Eleições presidenciais dos EUA: saiba mais sobre a votação

Eleições presidenciais dos EUA: saiba mais sobre a votação

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Os Estados Unidos da América têm sido há décadas a maior potência do mundo. Sua influência coloca a nação no centro das atenções em diversas áreas, do entretenimento, passando pela economia e, claro, na política. Porém, há algo que pode ser difícil para um brasileiro entender nas terras do Tio Sam (além do idioma): o sistema eleitoral.

Apesar de o país ser uma república presidencialista, assim como o Brasil, há diferenças importantes na maneira como o presidente é escolhido. Quantos e quais são os principais partidos? O que significa Colégio Eleitoral e swing state? E como assim cédula enviada por correio?! Vamos passar por todos esses pontos, começando pela quantidade de partidos.

eleições dos EUA
Biden e Trump disputam a presidência dos EUA. | Foto: Reprodução.

Eleições dos EUA: principais características

Bipartidarismo na prática

Ao contrário da constituição brasileira, a constituição americana não fala sobre a existência de partidos políticos. Assim, mesmo que o pluripartidarismo não seja assegurado no texto constitucional, tampouco ele é proibido, o que permite que eles sejam criados livremente. Então, se é possível criar quantos partidos políticos quiserem, os Estados Unidos têm um sistema eleitoral pluripartidário, certo? Bem, não.

Ainda que, de fato, existam muitos partidos políticos no país, o Partido Republicano e o Partido Democrata têm muito mais protagonismo que todos os outros, o que torna o sistema eleitoral bipartidário na prática. Para se ter uma ideia, nas eleições presidenciais de 2016, os dois partidos tiveram juntos 94,9% dos votos. O terceiro colocado foi Gary Johnson, do Partido Libertário, com pouco mais de 3% nas urnas. Soma-se a isso o fato de que apenas 3 dos 531 membros do Congresso não são ou republicanos ou democratas e é fácil entender porque, na maioria das vezes, só se fala desses dois gigantes.

Saber que as disputas eleitorais americanas são centradas em apenas dois partidos ajuda a entender alguns conceitos específicos das eleições presidenciais no país, como os swing states e porque o número 270 é importante.

Eleições indiretas

O segundo elemento importante a saber é que as eleições americanas para presidente são indiretas. Os votos que efetivamente escolhem quem vai liderar a nação por mais quatro anos são dados pelos membros do Colégio Eleitoral, um grupo de 538 pessoas conhecidas como delegados ou colegiados que representam os estados.

Cada um dos cinquenta estados tem um número específico de colegiados, que é igual à quantidade de membros do Congresso eleitos pelo estado. Por exemplo, a Flórida tem direito a eleger 27 representantes (um cargo legislativo equivalente aos nossos deputados federais) e 2 senadores. Portanto, o estado tem 29 colegiados. Já os 38 colegiados do Texas, é o resultado da soma dos seus 36 representantes com os seus 2 senadores.

Quando os cidadãos americanos compareceram às urnas em 3 de novembro deste ano, eles não estavam escolhendo diretamente o presidente, mas dizendo em quem os colegiados do seu estado deveriam votar. Em 48 dos 50 estados, o candidato com mais votos populares ganha todos os votos dos colegiados.

Isso significa que se um democrata ou republicano for escolhido por 50,6% dos cidadãos do Texas, por exemplo, recebe os votos de todos os 38 delegados do estado e não pouco mais da metade. Assim, é eleito presidente o candidato que somar pelo menos a maioria simples dos 538 votos dos colegiados — o mágico 270. Isso faz com que um presidente possa ser eleito sem alcançar a maioria dos votos da população, como aconteceu em 2016, quando Donald Trump foi eleito, e outras 4 vezes na história americana.

Swing states

Historicamente, há estados que tendem a votar ou no Partido Republicano ou no Partido Democrata, por vezes chamados de estados azuis e estados vermelhos, em referência às cores dos dois partidos. Por exemplo, a última vez que o Kansas votou em um democrata para a presidência foi em 1964. Por isso, um candidato democrata nunca espera ganhar no Kansas.

Nem sempre os estados são considerados tradicionalmente democratas ou republicanos por tanto tempo assim. A Virgínia Ocidental tem votado no Partido Republicano para a presidência desde 2000, mas, antes disso, votou nos democratas em três eleições consecutivas. Como não é em todos os estados que ao menos um dos partidos tem uma maioria tão clara, sobra um grupo onde o possível resultado é nebuloso, os swing states ou estados pêndulo.

Este é o campo de batalha das eleições, onde tudo pode ser decidido. Ter a maioria dos votos em estados como Flórida e Pensilvânia, com 29 e 20 colegiados respectivamente, pode fazer toda a diferença para conquistar os 270 votos necessários. 

Votação por cédulas de papel

Por fim, é importante saber que as pessoas votam em cédulas de papel nos Estados Unidos e os cidadãos podem votar dias antes da data da eleição, tanto presencialmente quanto mandando a sua cédula por correio. É por esta razão que a apuração é demorada, visto que cada estado tem regras específicas sobre até quando um voto por correio é válido e em qual ordem os votos serão contabilizados.

É a soma de todos esses elementos que torna as eleições para presidência dos Estados Unidos um pouco confusas para quem é de fora. E também o que faz o mundo viver momentos de ansiedade enquanto espera, às vezes por dias, para saber quem vai sentar na cadeira principal do Salão Oval.

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Por Joabe Andrade – Fala! UFMG

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