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Eleições no México: Uma guinada à esquerda

Por Bianca Quartiero – Fala!Cásper

 

O México, desde 2011, apresentou índices de violência alarmantes que obtiveram seu ápice no ano de 2017. Com um registro de 25.339 homicídios dolosos, uma média de 70 por dia e 12.740 mulheres vítimas de estupro, uma média de 35 vítimas a cada dia. Esses números nunca foram tão altos, nem mesmo no auge da guerra contra o narcotráfico. O ano de 2017 foi o ano mais sangrento da história mexicana. Na política, o país estava sendo governado pelo presidente Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI). O político governou o país de 2012 e terminará seu mandato no final deste ano, ele deixou um legado de corrupção e de violação dos direitos humanos para os mexicanos.

Sua gestão foi marcada por desvio de dinheiro público e envolvimento com diversos políticos que estão sendo investigados ou estão foragidos acusados de corrupção. Também foi provado pela Comissão Nacional dos direitos humanos que ocorreram execuções extrajudiciais por militares durante seu governo.

É nesse cenário de violência e caos que o México teve que eleger seu novo presidente. A campanha eleitoral deixou 136 políticos assassinados em menos de um ano, entre candidatos e pré-candidatos. Mas no dia 2 de julho, quando foi divulgado o novo presidente do país que assumirá o poder em 1º de dezembro, um novo sopro de esperança chegou ao México. Andrés Manuel López Obrador, o novo presidente eleito, já havia se candidatado para presidente outras duas vezes pelo Partido da Revolução Democrática (PSD). Em 2014 criou seu partido MORENA (Movimento de Regeneração Nacional) que se coligou com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o encontro social, uma força política evangélica. O México tem pela primeira vez em sua história recente um governo de esquerda, que busca dar voz para aqueles que não a possuem.

Andres Manuel Lopez Obrador Foto: Henry Romero / REUTERS
Foto: Henry Romero / REUTERS

 

“Faremos em um marco de legalidade e de respeito aos direitos humanos, em particular ao direito das vítimas. A última palavra será da sociedade. Depois, o Congresso”, alegou López Obrador.

López Obrador, ou simplesmente AMLO, se elegeu com um discurso que condena a corrupção e almeja uma política sem privilégios. Já declarou que reduzirá seu salário pela metade, não usará aviões especiais, aumentará o salário mínimo e irá promover educação e saúde gratuita a todos.

Uma das grandes questões a respeito do governo de AMLO é como será a relação do líder mexicano com o tão antagônico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. AMLO já declarou ser contra a política norte-americana de tolerância zero, mas que quer manter uma relação cordial com Trump. O republicano o parabenizou pela vitória nas redes sociais e se mostrou otimista em relação a conversa com o futuro presidente em que se discutiu acordos comercias, como o Nafta, acordo de livre comércio da América do Norte, e a polêmica questão da imigração. “Propus a análise de um acordo global; projetos de desenvolvimento que gere empregos no México e, paralelamente reduza migração e melhore a segurança.” – escreveu López Obrador sobre a conversa. Embora exista um claro conflito de ideias entre os dois líderes, só irá ser possível saber de fato como se estabelecerá essa relação quando AMLO assumir o poder em dezembro.

Foto: Edgard Garrido Reuters

Aos 64 anos, AMLO declarou que quer uma renovação política e promete que seu mandato será nada menos que a quarta revolução do país, depois da Independência (1821), da Reforma (1858-61) e da Revolução (1910).

Em contrapartida a uma tendência mundial de não priorizar temáticas sociais, como as propostas por AMLO, é de extrema importância que se trate como prioridade essas promessas, mesmo que possuam um tom quase que utópico.

O futuro presidente terá a difícil tarefa não só de cumprir todas suas promessas de campanha mas de garantir de fato um México menos corrupto, menos violento e mais democrático como prometeu aos seus eleitores que, desesperados, clamam por mudanças.

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