EAD: Os relatos e as dificuldades dos universitários no ensino
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EAD: Os relatos e as dificuldades dos universitários no ensino

EAD: Os relatos e as dificuldades dos universitários no ensino

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Em tempos de isolamento social, o ensino presencial acabou sendo proibido temporariamente, para evitar aglomerações que facilitassem o contágio disseminado do novo coronavírus. Para que as atividades acadêmicas não fossem interrompidas, várias universidades privadas e algumas públicas, adotaram o Ensino a Distância, o chamado EAD, que possibilita o conteúdo ensinado ser acessado de maneira on-line, via Internet.

Entretanto, inúmeros problemas estão sendo relatados pelos estudantes, o que acarreta num eventual prejuízo na aprendizagem dos mesmos. Falta de concentração e Internet sem qualidade são as queixas mais frequentes, de acordo com estes estudantes:

Geralmente, eu tenho dificuldade em entender  porque, às vezes, por problemas de Internet mesmo, as aulas ficam sendo interrompidas várias vezes, ou alguém vem com uma gracinha… e as explicações, às vezes, sai mais ou menos, pois não tem aquela presença e até por falta de recursos, a gente acaba perdendo muita coisa, deixando passar.

Paulo Henrique, estudante de Rede de Computadores do Centro Universitário Brasileiro (Unibra)

“Minhas dificuldades são em relação à concentração. Eu não consigo me concentrar numa aula onde eu tenho que ficar parada olhando para a tela e ouvindo… porque, se eu tô em casa, eu procuro alguma coisa para fazer. Quando a aula começa, eu abro a aula e vou fazer alguma coisa, lavar os pratos, varrer a sala, enquanto a aula tá lá, rolando. Então, quando a aula rola, o assunto passa pela minha cabeça e acabo não aprendendo. Outra dificuldade é na hora de tirar dúvidas, pois sou muito tímida. Em questão de equipamentos, não tenho problemas, pois tenho todos recursos necessários, apesar de que eu prefiro utilizar o celular.”. – Alessandra Carvalho, estudante do 5º período de Nutrição.

“Tenho dificuldade em questão de se concentrar na aula porque meu pc está quebrado e tô fazendo tudo pelo meu celular mesmo.”. – Estudante de Recursos Humanos do Centro Universitário Brasileiro (Unibra)

“A minha dificuldade é quando o professor, às vezes, passa uma aula e a gente não consegue entender direito, não consegue compreender; até porque não é a mesma coisa que uma aula presencial.”. – Estudante de Pedagogia.

“Dificuldade de entender o assunto e professores que não sabem mexer direito na plataforma”. – Estudante da faculdade Universo.

“Só tem uma única dificuldade: que é o acesso à Internet, pois é lento. Infelizmente, é o único problema, não tem outro. Infelizmente, é a Internet lenta que, por sinal, não é de novidade aqui, no Brasil, pelo fato do Brasil ser o país com a Internet mais lenta que existe no mundo. A gente tem megas, não gigas. Megas!”. – Estudante de Jogos Digitais.

Uma das maiores dificuldades do EAD é o fato de você se concentrar numa aula, pois, a partir do momento que você fica em casa, você fica mais à vontade. Eu acho que a presencial lhe motiva mais a estudar, lhe dá mais incentivo…, você se sente mais “aconchegante”, vamos dizer assim, porque, com o professor presente, leva mais segurança para o aprendizado.

Estudante de Farmácia.

O Conselho Federal de Farmácia reprova o ensino a distância para os cursos de Farmácia, devido ao curso ser necessitado de aulas práticas para o desenvolvimento da aprendizagem para os estudantes.

Relatos e as dificuldades dos universitários no ensino a distância

Outros universitários, que preferiram não se identificar, foram ouvidos e os relatos são similares:

Falta de estrutura. Não tinha um bom celular para participar das videochamadas, falta de concentração, alguns professores acabam focando mais nos alunos que conseguem participar das videochamadas e acabam esquecendo de adaptar provas/trabalhos/atividades para as pessoas que não conseguem ter acesso à sala virtual. Isso não significa que a adaptação não acontece, mas você tem que correr atrás e esperar uma resposta (que algumas vezes demora) de como a atividade/prova ou trabalho deve ser feita.

Afirma uma estudante.

“Falta comunicação eficiente”, reclama um outro. “Falta disciplinas para estudar”, denuncia uma terceira. “Para mim, as dificuldades são sobre o foco, quando a aula é presencial, você só mantém o foco na aula. A distância, eu ainda consigo estudar, mas não é a mesma coisa. Eu mesma já perdi 3 aulas on-line. E eu sei que se fosse presencial eu não teria perdido.”, relata esta quarta.

Adaptação ao EAD

EAD
Universitários relatam dificuldades com sistema EAD. | Foto: Reprodução.

A maioria dos entrevistados não recomendam e/ou não se adaptaram com o EAD, e justificam os motivos.

Segundo Alessandra: “Eu não vou me adaptar, porque é algo que não consigo absorver o conteúdo de maneira adequada. Se eu recomendo, a resposta é: se você consegue absorver o conteúdo de forma tranquila, ótimo. Até porque, já existem cursos EAD há muito tempo. Eu não me acostumo, pelo fato de eu sempre ter tido aulas presenciais e pelas minhas dificuldades de concentração e timidez.”.

Paulo Henrique relata: “Nesse sistema de ensino eu não consegui me adaptar, tanto que tive que trancar minha faculdade, e não indico, a não ser que a pessoa não tenha tempo para nada, mas ela vai, na minha opinião, trabalhar o dobro para conseguir estudar, pois EAD, pelo menos comigo, não funciona.”.

Outros universitários afirmam:

“Eu não consigo me adaptar. É mais complicado para aprender, por isso, eu não consigo me adaptar e nem recomendo.”. – Estudante de Pedagogia.

“Consegui me adaptar no momento atual, mas não é algo que eu levaria para a minha vida, é algo que eu não recomendaria…, eu jamais diria como pessoa para alguém: ‘ah, faz faculdade de Farmácia EAD, ou outro tipo de curso, principalmente na área de saúde no EAD’, pois a segurança é totalmente diferente. É necessário que precisemos de aulas práticas, até porque a gente vai cuidar de uma vida. Inclusive outros cursos também. Eu acho que o EAD é muito restrito, enquanto que o presencial é mais abrangente.”. – Estudante de Farmácia.

Com sinceridade, é um pouco difícil de se adaptar, porém, dá para fazer. Entretanto, a única coisa que ele peca é a questão de horário, pois você tem sempre que estar disponível num horário X para a aula e, ao depender do que acontece em casa, você não sabe se você estará disponível neste tempo. Pode acontecer algum imprevisto ou coisa do tipo. Em questão, se eu recomendaria, eu recomendaria apenas para pessoas que realmente não conseguem estar disponíveis num certo local. Por exemplo, ‘ah, eu não consigo chegar lá por falta de transporte…’, aí recomendo! Para quem consegue chegar, vá, pois, no EAD, você perde fácil a concentração.

Estudante de Jogos Digitais.

“Não, não é um sistema de ensino interessante.”, afirma um estudante. “Eu posso conseguir me adaptar se eu começar a assistir às aulas toda semana. O que já é difícil. E eu não recomendo pra alguém porque, para mim, não funciona muito bem.”, relata esta outra.

A estudante de Recursos Humanos que foi entrevistada, relata uma que conseguiu se adaptar bem, por entender o momento atual:

Conseguir se adaptar bem, entendi que essa situação que estamos passando tá difícil não só para mim, que foi meu último período, mas em questão também dos professores que alguns não tinham passado pela situação EAD e a instituição que eu estudo, que é o Centro Universitário Unibra/IBGM, colocou várias plataformas bem legais e bem fáceis principalmente, então, não tive nenhuma dificuldade em questão disso e super recomendaria. 

Estudante de Recursos Humanos do Centro Universitário Brasileiro (Unibra).

Avaliação do sistema

ensino remoto
O sistema de ensino a distância não é o melhor avaliado pelos universitários. | Foto: Reprodução.

Ao serem questionados sobre a qualidade do EAD que tem, cada um deu uma nota:

  • 9: uma pessoa
  • 8: uma pessoa
  • 7: uma pessoa
  • 5: duas pessoas
  • 4: três pessoas
  • 3: duas pessoas
  • 1: uma pessoa
  • Média: Nota 4,8

O centros universitários dos entrevistados, segundo eles, em sua maioria, se esforçam para qualificar o sistema e não culpam a instituição pelos problemas gerados.

O que é unanimidade, é que a aula presencial faz a diferença e, quem sabe, depois que a pandemia do Covid-19 passar, o ensino possa ser mais valorizado.

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Por Álvaro José – Fala! UFPE

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