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Dor e Beleza – O Que Abstraímos da Exposição sobre Frida Kahlo

Frida representa em suas obras alguns questionamentos que nos acertam em cheio até hoje – lesbianismo, machismo, aborto. Seu clã de artistas amigas, vindas dos EUA e da Europa formavam um grupo feminista baseado em sororidade (pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo) e empoderamento feminino sem ao menos pensarem ou assinarem estes conceitos e ideais; ainda mais quando colocadas de fato na sociedade mexicana, uma das mais conservadoras até hoje. Surpreendente é ver até mesmo gravuras de seu marido sobre seu aborto; o que demonstra a conexão e compreensão do casal e seus pensamentos.

Dor, beleza e ideologia se misturam em forma de poesia e cor em suas obras. Sempre há mais do que apenas aquilo que vemos – como na grande maioria das obras surrealistas. Frida faz parte do hype da atualidade justamente por nunca perder a contemporaneidade; tudo sobre ela soa atual e extremamente relevante.

É indiscutível como é incrível conhecermos e termos acesso ao trabalho de Frida Kahlo – o que nos cabe como questionamento é até que ponto vamos ter discussões tão conservadoras e repressoras ainda em pauta, sem uma aparente fonte de mudança.

Essa é exatamente a aura da exposição “Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México”, que está ocorrendo no Instituto Tomie Ohtake, desde 27 de setembro. A exposição, organizada pela curadora Teresa Arcq, revela uma intrincada rede que se formou no México, no início do século passado, tendo como eixo fundamental Frida. A mostra conta com cerca de 100 obras de 16 artistas mulheres (Alice Rahon, Bona Tibertelli, Bridget Tichenor, Jacqueline Lamba, Kati Horna, Leonora Carrington, Lola Alvarez Bravo, Maria Izquierdo, Olga Costa, Remedios Varo, Rosa Rolanda, Sylvia Fein, Cordelia Urueta e Lucienne Bloch), nascidas ou radicadas no México. Cerca de 20 pinturas de Frida são mostradas pela primeira vez no Brasil, proporcionando um amplo panorama de seu pensamento plástico.

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Ao chegar ao Instituto, você perceberá que o grande público dessa exposição são mulheres, mas que as outras classes reivindicadoras de espaço também estão presentes. A montagem da exposição foi feita usando Frida como base e eixo, e onde todas as outras artistas giram suas obras e temáticas. Os temas vão desde como as próprias artistas se vêem, passando por seus relacionamentos, temas como aborto e feminilidade, até assuntos como a cultura mexicana vista pelos estrangeiros. Além disso, a mostra apresenta que as artistas eram bem mais ligadas entre si do que só por suas obras. Grande parte delas tiveram ligação com a propagação e publicidade de suas obras, assim como relacionamentos amorosos.

O mais interessante dessa imersão no mundo de Frida é que mesmo com traços tão distintos entre si e com histórias diferentes, cada uma das 16 mulheres tem um pouco de Frida, assim como Frida tem um pouco delas. Uma das mulheres que mais chama a atenção de todos os visitantes é Remedios Varo. Ela chama a atenção pela forma que representa as suas obras, mas ao mesmo tempo o tom realista e marcante de cada imagem. Muitos dos visitantes saem sabendo mais sobre Frida e esperando mais obras de Remedios.

A exposição em si é muito tocante, deve ser vista sem nenhuma forma de preconceito e absorvida como uma perspectiva já existente no começo do século, que ainda é vivida, mas pouco dita. Quando sair de lá, reflita sobre tudo que foi visto e como as obras são bem mais do que surrealistas.

“Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México” fica exposto no Tomie Ohtake até dia 10 de janeiro de 2016.

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Informações:

Exposição: “Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México”

Quando: 27/09/2015 a 10/01/2016

Preço: Quarta-feira a domingo R$10,00 inteira R$5,00 meia entrada Estudantes, professores da rede pública e idosos (mediante documento comprobatório).

Terça-feira, entrada gratuita. Necessária retirada de senhas na bilheteria. Poderão ser retiradas 2 senhas por pessoa, até o término das senhas, com validade apenas para o dia em que forem retiradas.

Horário: de terça a domingo, das 10h às 19hs (bilheteria) e visitação até as 20hs.

Venda de Ingressos: Bilheterias Instituto Tomie Ohtake ou pelo site www.ingresse.com (sem taxas)

 

Por: Gabrielle Batista e Luiz Menezes – Fala!M.A.C.K

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