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Documentário mostra o dia em que Johnny Cash calou a Casa Branca

Documentário mostra o dia em que Johnny Cash calou a Casa Branca


Marcus Vinícius Beck – JornalMetamorfose

 

Johnny Cash e Richard Nixon em cena do documentário Trick Dick and The Man in Black. FOTO: REPRODUÇÃO

Rebelde. Assim era o comportamento do cantor country Johnny Cash (1932-2003). Dono de uma das carreiras mais consagradas no gênero, Cash virou figura importante para a opinião pública estadunidense na década de 1960. Com isso, suas posições políticas passaram a ser consideradas influentes durante a Guerra do Vietnã (1955-1975) por Richard Nixon (1913-1994), que chegou a convidá-lo a fazer um show na Casa Branca e, acreditem, chegou a falar quais seriam as músicas que o cantor deveria tocar.

É sobre isso que o documentário Trick Dick and The Man in Black, disponível no serviço de streaming Netflix, trata. O filme faz parte da série Remastered que vem contando histórias de famosos da música que são relativamente pouco conhecidos, ou chegaram a cair no ostracismo. Não é o caso de Cash. Cultuado por jovens alternativos, o homem de preto teve uma sólida carreira na música country por mais de quatro décadas. Ora, seria no mínimo uma falta de bom-senso do jornalista simplesmente dispensar esse fato.

Feito as devidas considerações, podemos voltar a falar sobre o documentário. Em um primeiro momento, o filme mostra como foi a infância de Cash no sul dos Estados Unidos, quando ele teve formação patriótica e religiosa bem forte, crescendo e colhendo algodão no campo ao mesmo tempo em que já demonstrava seu talento para a música. Nesta fase, descobre-se o espírito rebelde do cantor, que ficara conhecido em todo território norte-americano por cantar na prisão. Daí nasceu o disco At Folsom Prison (1968).

Toda a vida de Cash foi marcada pela morte precoce de seu irmão. Temente a Deus e amado pela família, Jack era o filho favorito do pai, Ray Cash. Após a morte dele, o patriarca passou a renegar Johnny, dizendo que ele deveria ter morrido no lugar de Jack. Anos depois, o homem de preto tornou-se um dos personagens mais importantes dos Estados Unidos numa época em que o País estava profundamente dividido: metade criticava a Guerra do Vietnã e seus efeitos e metade apoiava a carnificina do Tio Sam no país asiático.

Na segunda parte, vemos Cash já bastante conhecido. Famoso por posturas neutras, o cantor utilizou seu programa de TV, em 1969, para tecer comentários de apoio aos soldados durante o conflito armado na Ásia. Como era de se esperar, a mensagem chegou aos ouvidos de Nixon, que redigiu uma carta e a mandou para o cantor. Nela, o mandatário convidou o músico a se apresentar na Casa Branca com o objetivo de cantar duas músicas típicas do sul que criticavam o estilo de vida dos hippies na Califórnia. Os grandes jornais da época não perderam tempo e noticiaram o fato incontáveis vezes.

Mas quem disse que Cash cantou as músicas ordenadas por Nixon? Pois é… Com fama de ser dono de si, o ícone fez jus a tal alcunha que o colocou sob os holofotes. A escolha do homem de preto foi The Ballard of Ira Hayes, canção que conta a história de um índio que chegou a ser maltratado depois que serviu o exército. A outra música escolhida foi What is Truth, dando o que falar e deixando o cara que renunciaria anos mais tarde por conta do caso Watergate (quando escutas telefônicas foram instaladas ilegalmente na sede do partido democrata) de cabelo em pé.

Cash, ao contrário de como era visto, sempre esteve atento ao seu tempo. Não chegou a ser terrivelmente agressivo na apresentação na Casa Branca, mas colocou Nixon contra a parede ao tocar duas músicas com fortes críticas sociais. Aliás, vale destacar, Cash dizia que a escolha do figurino preto (sua marca registrada) era uma forma de protesto contra a desigualdade. Por isso, não restam dúvidas de que o cantor tinha sim uma postura antiguerra. Dizem que a apresentação chocou os presentes e teve implicações fortíssimas para o final da Guerra do Vietnã.

Se de fato foi assim o desenrolar da história, não sabemos e talvez até tenham estudiosos que me contradigam no final deste artigo. O que eu quero salientar aqui é o bom trabalho documental feito desde o primeiro filme da série Remastered, que retratou a suposta tentativa de assassinato do cantor jamaicano Bob Marley, em 1976 (no qual o pai do reggae sofreu ferimentos de tiros no braço e no peito). A Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teria envolvimento no atentado.

Para fechar, boa tacada da Netflix: a vida de Cash é interessante.

Ficha técnica

Título: Trick Dick and The Man in Black

Ano de produção: 2018

Diretores: Barbara Kopple Sara Dosa

Estreia: 2 de novembro

Duração: 58 minutos

Gênero: documentário

País de origem: Estados Unidos da América

 
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1 Comentário

  1. José silmba
    11 meses ago

    Tem é que colocar o comunismo na ilegalidade assim como o fascismo.
    Acabou a era de drogas e vadiagem.

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