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Festival Path: Direitos Civis cannábicos – o que está em jogo

Festival Path: Direitos Civis cannábicos – o que está em jogo

Por Thiago Dias – Fala!Anhembi
Fotos por Júlia Nagle – Fala!USP

No último fim de semana, o bairro de Pinheiros, em São Paulo, foi tomado por gente e ações de cultura, palestras, shows, filmes, exposições, gastronomia e muito, mas muito mais na sexta edição do Festival Path. Estivemos lá e, entre vários debates fundamentais, destacamos o “Direitos civis cannábicos: o que está em jogo para toda a sociedade”, composto por Cristiano Maronna, Emilio Figueiredo e Margarete Brito.

Que o Brasil tem uma política de drogas fracassada, não é um segredo para ninguém. Também não é desconhecido que algumas drogas, antes de passarem pela mão dos usuários, recebem um tipo de filtração, passando primeiro pela mão das milícias. Será que o Brasil está preparado para a legalização da maconha?

Cada país tem sua história com a cannabis. No Brasil, as mães tomaram conhecimento da utilização da planta como remédio, e com muita luta conseguiram o uso medicinal em casos específicos.

Margarete Brito, uma das mães que lutou pelo salvo-conduto da maconha devido a doença de sua filha, foi até uma juíza pedir a exceção. Margarete se defendeu perante a juíza: ”Quem vai prender uma mãe? Não tenho condições de comprar o óleo portador!”. O processo foi longo, mas a juíza concedeu o habeas corpus.

A juíza ainda disse para ela que não acredita que seja crime, e que quando jovens chegam na delegacia com 25 gramas de maconha, ela os manda voltar para casa.

Hoje, no Brasil, apenas 16 famílias conseguiram o habeas corpus para o cultivo da cannabis. A legalização da maconha vai muito além dessa conquista, é uma questão de saúde pública, segurança e paz social.

O comércio clandestino de cannabis contempla apenas quem está no comando das drogas. Os palestrantes acreditam que, se esperarmos as autoridades reconhecerem a legalidade do uso, nada ira acontecer. Vários países já conseguem dialogar sobre o tema.

Margarete acredita que o termo da palavra ”medicinal” abre portas para um dialogo que pode chegar à plena legalização. Já uma ouvinte que estava presente na plateia discorda com a opinião da palestrante, ”trato mais pessoas viciadas em Rivotril do que com drogas, a ideia do medicinal não é a melhor estratégia, na minha opinião”, afirma a ouvinte Marina.

A Marcha da Maconha não ficou de fora do debate. Os palestrantes acreditam que, na realização da marcha, os usuários tem o direito de se manifestarem. Desde a década de 1980 já havia manifestações pela legalização da maconha, e somente em 2011 o Supremo Tribunal Federal legalizou a marcha.

Para os ministros, os direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento garantem a realização dessas marchas. Muitos ressaltaram que essa liberdade pode ser proibida somente quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais e iminentes.

O palestrante Cristiano Maronna ainda argumentou que os usuários consomem a cannabis para se sentir bem, mesmo quando em uma questão de saúde.

Confira também:

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