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Crítica: O Dia que Durou 21 Anos

Crítica: O Dia que Durou 21 Anos

Por Gabriel Ferreira – Fala! Anhembi

 

Liberdade. Em seu sentido mais amplo, a liberdade é um dos ideais pelos quais a humanidade sempre tentou lutar. Ideal esse que ficou perdido durante 21 anos em nosso país, nas sombras de um governo onde prevaleceram a Repressão, a Censura e a Violência.

“O dia que durou 21 anos” é um filme brasileiro em estilo de documentário, que retrata não só a Ditadura Civil-Militar no Brasil, mas, principalmente, um dos fatores que mais contribuiu para que houvesse o golpe: a intensa participação do governo da grande potência mundial – os Estados Unidos da América.

Vencedor de diversos prêmios, nacionais e internacionais, o filme relata como o envolvimento de grandes figuras americanas, como os presidentes Kennedy e Lyndon Johnson, e o embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, orquestraram seu plano de tirar do poder o então presidente João Goulart, sob a premissa de que o governo de Goulart estaria levando o país ao comunismo, algo que os EUA não permitiria jamais devido aos seus interesses econômicos no Brasil.

Através de documentos secretos da CIA e áudios originais da Casa Branca, além de entrevistas com pessoas direta ou indiretamente envolvidas na política do período, somos apresentados ao pano de fundo de um golpe que acabou se estendendo por 21 anos, que violou os direitos civis e instalou a ditadura em nome da “Liberdade” e da defesa da “Democracia”.

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O filme conta com uma linguagem cinematográfica incomum para o gênero. A estética das imagens computadorizadas misturadas com fotos e vídeos históricos, além da trilha sonora de suspense que se destaca nos momentos certos, faz com que o espectador, por vezes, tenha a sensação até de estar vendo um filme de ficção.

Além disso, um dos pontos fortes do longa-metragem é o respeito com que o cineasta mostra os dois lados da história, tanto no sentido de entrevistar brasileiros e americanos, quanto no de mostrar também personalidades históricas que defenderam, e defendem até hoje, o golpe militar, fazendo assim um ótimo trabalho jornalístico.

“O dia que durou 21 anos” é, sem dúvida, uma obra que deve ser vista por todos, não apenas por nos lembrar os horrores de que é capaz um governo extremista, mas também para nos conscientizarmos da manipulação que a união entre grandes governos, a elite e a mídia podem ter sobre as massas e o seu futuro.

Assista o filme completo:

 

 

 

2 Comentários

  1. Mauro
    4 meses ago

    Nunca houve golpe militar, Castelo Branco foi eleito pelo próprio Congresso. O que houve foi uma composição política para enfrentar um momento de dificuldades que poderia levar a uma guerra civil desencadeada por comunistas. E, em momentos de dificuldades, a sociedade naturalmente se volta para os militares. Isso acontece em qualquer lugar do mundo, acontecia no passado e continuará acontecendo no futuro.

    • CÊNIO BACK WEYH
      4 meses ago

      Os argumentos precisam de mais consistência para tentar dizer que não houve golpe militar. Uma elite econômica excludente que se arroga o direito de impor seus interesses politicos e finaceiros a qualquer custo para conservar a concentração de riqueza nas mãos de poucos, sempre apostou na força militar, na força do capital internacional (EUA), em forças para assegurar a continuidade do modelo semi-escravo do mercado. E o povo trabalhador? Para este sobram as migalhas. Como falar em justiça social, em ética numa sociedade em que o fosso entre uma pequena parcela de ricos (1%) e uma massa de empobrecidos aumenta cada vez mais? Esta é a real violência que vivenciamos: a institucionalização da injustiça, que fere, que mata e traz desgrça. Que lugar tem a ideia de família brasileira neste contexto? O Estado mínimo poderá significar uma nova perspectiva para a nação brasileira? Defendo um Estado suficiente para dar conta das áreas estratégicas de uma nação : Educação, Saúde, Segurança, Trabalho, Economia Infa-estrutura e Cultura. Tudo isto requer muito investimento. A cobrança de impostos deve receber uma atenção especial, e até mesmo precisam ser aumentados para determinados setores da economia. Há ainda muita sonegação. O Estado não pode ser apenas liberal, precisa garantir as demandas sociais.