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Derrota elimina o Brasil, mas trajetória deixa mensagem importante

Derrota elimina o Brasil, mas trajetória deixa mensagem importante

O gol aos 2 minutos da segunda etapa da prorrogação foi um balde de água fria na esperança do titulo inédito para nossas meninas. O jogo entre Brasil e França terminou com um placar de 2 a 1 para as donas da casa e teve a emoção tão características de Copa do Mundo, com o toque de modernidade do VAR, responsável por anular um gol das francesas ainda no primeiro tempo e validar o da seleção brasileira.

As duas equipes atacaram bem, mas pecaram no último passe e o placar só foi aberto no segundo tempo, com um gol da francesa Gauvin aos 7 minutos. A seleção brasileira teve a garra necessária para seguir em frente e conseguiu o empate, aos 17 minutos, com gol de Thaísa, que levou o jogo a uma emocionante prorrogação. Infelizmente, as donas da casa se sobressaíram, Henry marcou e o Brasil deu adeus ao sonho do título.  

seleção feminina copa do brasil
JEAN-PAUL PELISSIER – REUTERS

A conquista do Brasil que vai além de qualquer título

Mesmo com a derrota, há o que comemorar. Finalmente, o futebol feminino começa a ser reconhecido com o valor que merece. É claro que acreditar que a partir de agora as mulheres serão tratadas da mesma forma que os homens é utópico, mas o primeiro passo em direção a igualdade dos gêneros foi dado.

A transmissão em televisão aberta, a entrada de novos patrocinadores e o rosto das nossas jogadoras estampando campanhas e revistas são indícios de que algo melhor está por vir.

O país foi junto com a seleção feminina e em diversos lugares era possível ver grupos reunidos para assistirem aos jogos e darem seu apoio. É importante que o povo brasileiro siga dando apoio as meninas e vibrando por suas conquistas, mas quem tem a obrigação de aproveitar o momento e começar a investir nas mulheres do nosso futebol é a CBF.

A assistência que o futebol feminino recebe no Brasil não faz justiça ao apelido de pais do futebol. Se somos os maiores nessa modalidade, por que as meninas são tão esquecidas? Historicamente sabemos porque isso aconteceu, mas não há razão para que essa negligência siga até hoje.

Marta: a jogadora é a maior artilheira da história das copas. (Phil Noble/Reuters)
Marta: a jogadora é a maior artilheira da história das copas. (Phil Noble/Reuters)

Nós temos o rei do futebol, Pelé, somos reconhecidos por isso e não deveria ser diferente. Mas nós também temos a rainha do futebol, a maior artilheira de todas as copas e da seleção brasileira, recordista em prêmios de melhor do mundo, entre ambos os gêneros. Marta é tudo isso e muito mais. E o seu salário é mais baixo que o de muitos meninos da base de clubes brasileiros. Por quê?

Uma menina que deseja ter uma carreira de sucesso no futebol brasileiro tem um desafio que vai muito além de qualquer concorrente. Elas enfrentam diariamente os próprios destinos. É saber que mesmo tendo mais talento que um menino, ele tem milhares de vezes mais chances de ser contratado por um time profissional do que você.

Lutar todos os dias dando o seu máximo, sabendo que o reconhecimento vai ser mínimo. Ser jogadora, no país do futebol, é um ato de loucura, e acima de tudo, de paixão, porque só esse sentimento consegue explicar. Só o amor pelo esporte e a paixão pela bola justificam tanto esforço para algo que é desvalorizado. Sobreviver do futebol sendo mulher é um milagre, infelizmente.

“Chore no começo para sorrir no fim.” Foram as palavras da nossa rainha no fim do jogo. E esse deve ser o mantra da nova geração de jogadoras que está nascendo. Ninguém promete que será fácil, nem sempre vão ser sorrisos, mas é importante continuar lutando por essa categoria.

Essa geração brilhante terminou chorando, mas se formos analisar é apenas um novo começo de uma trajetória que merece um belo sorriso no fim. Em homenagem a todas que ousaram se envolver com um esporte que a sociedade diz não ser para mulheres, fica a lição que a Copa do Mundo nos deixou: jogue como uma garota!

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Uma reflexão por Geovanna Hora – Fala! PUC

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