Degelo das calotas polares aflige a ciência; Antártida chegou a 18,3°C
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Degelo das calotas polares aflige a ciência; Antártida chegou a 18,3°C

Degelo das calotas polares aflige a ciência; Antártida chegou a 18,3°C

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Segundo a Nasa, na Groenlândia e Antártida, o processo é seis vezes maior do que em 1990. Saiba mais e veja o que causa esse derretimento anormal

O atual panorama das calotas polares preocupa a ciência. Desde 2006, 430 bilhões de toneladas de gelo já derreteram nessas regiões. Inundações, erosões costeiras e alterações na biodiversidade local são algumas das consequências. 

Com o aquecimento global, espécies como o urso polar podem desaparecer, tendo em vista a diminuição do espaço (gelo) para eles se locomoverem e, portanto, a dificuldade em caçar e encontrar comida. 

Degelo das calotas polares
Degelo das calotas polares aflige a ciência; Antártida chegou a 18,3°C. | Foto: Meus animais. 

Em 2010, o degelo no Polo Sul foi acima de 470 mil milhões de toneladas. A título de comparação, nos anos 90, o número foi de 81 mil milhões. Para os cientistas, esse é o pior quadro de aquecimento global já registrado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). 

O professor Andrew Sheperd, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, demonstra receio diante dos fatos.

Hoje, os lençóis de gelo contribuem com um terço da subida do nível do mar, enquanto que, nos anos 90, a contribuição era bastante pequena, cerca de 5%.

Observou.

Pesquisa da Nasa: dados, conclusões e previsões

Uma pesquisa, feita por satélite, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (do inglês National Aeronautics and Space Administration – Nasa) divulgou: Groenlândia e Antártida perderam 6,4 mil milhões de toneladas de gelo em 25 anos (1992 a 2017). Somente a ilha dinamarquesa perdeu 60% desse valor. Com isso, o nível do mar subiu em 17,8mm. 

As descobertas da agência espacial vêm do satélite ICESat-2, lançado em 2018 para medir a amplitude térmica global. A camada de gelo da Groenlândia perdeu 200 gigatoneladas de gelo por ano, enquanto a Antártida, 118. Para pôr isso em perspectiva, segundo a Nasa, uma gigatonelada consegue encher 400 mil piscinas olímpicas ou cobrir o Central Park (Nova York).

Nasa
Dados, previsões e conclusões da Nasa. | Foto: Pixabay.

Por sua vez, a Antártida é considerada um indicador das mudanças climáticas. Em fevereiro deste ano de 2020, o segundo menor continente do mundo bateu recorde de temperatura. De acordo com a Base Esperança, uma estação de pesquisa na Argentina, a medição térmica marcou 18,3°C, a maior dos últimos 12 anos.

Para Erik Ivins, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, que fez a pesquisa com Shepherd, “o gelo perdido é um sinal claro do aquecimento global. As medições por satélite fornecem evidências à primeira vista, bastante irrefutáveis”.

O estudo contou com 89 cientistas de organizações internacionais, que analisaram 26 pesquisas sobre gelo. Foram investigados o volume, a velocidade do fluxo e a massa do gelo. Esses cientistas constataram o seguinte: “cerca de um terço do aumento do nível do mar deve-se à perda de gelo da Groenlândia e da Antártida”. 

Shepard  sinaliza que as camadas geladas “demoraram a responder ao aquecimento global causado pelo homem”.

Se as taxas de emissões de carbono não baixarem, até o fim do século, pelo menos 400 milhões de pessoas serão vítimas de inundações costeiras a cada ano. O lançamento desse elemento químico, no globo, interfere de forma direta na elevação do nível dos oceanos.

Isso, pois, quanto maior a concentração de poluentes na atmosfera, mais difícil é para o planeta refletir os raios solares; por outro lado, se torna fácil a absorção destes. Assim, a Terra retém calor em excesso, o que faz com que as calotas polares derretam e se misturem com as águas do mar.

Diante de tal cenário, o IPCC projeta um aumento de 53 cm no nível dos oceanos. 

Afinal, por que as calotas polares estão derretendo?

A razão do derretimento do gelo do planeta está ligada a fenômenos naturais intensificados por mudanças climáticas decorrentes de ações humanas. Especialistas sinalizam para o superaquecimento na zona tropical do Oceano Pacífico Ocidental.

Como consequência disso, houve queda na pressão atmosférica no mar de Weddel, o que empurrou o ar quente ao Polo Sul. Em outras palavras, os principais motivos do degelo seriam o contato do oceano mais quente com as geleiras da Antártida e a elevada temperatura, que gera derretimento do gelo. 

Iceberg
Iceberg retangular fotografado pela Nasa no final de 2018. | Foto: NASA/Jeremy Harbeck.

Com fronteiras terrestres impostas pela baía da costa da Terra de Coats e península Antártica, o mar de Weddel integra o oceano Antártico. A porção do sul desse mar encontra-se permanentemente gelada, área conhecida como plataforma Filchner-Ronne.

Há quem comemore o degelo…

Pinguim-de-adélia
Pinguim-de-adélia se beneficia do derretimento das calotas polares, dizem estudiosos. | Foto: Yuuki Watanabe/Instituto Nacional de Pesquisa Polar do Japão.

Um seleto grupo de aves, os pinguins-de-adélia, tira proveito do degelo. É o que aponta um estudo da Science Advances, revista científica criada em 2015 e publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência. 

Os pesquisadores analisaram a época de reprodução de 2016 a 2017, período de significativa perda de gelo na Baía Lützow-Holm, na Antártica Oriental, e notaram diferenças. Eles perceberam que os pinguins tiveram aumento de massa corporal, elevadas taxas de crescimento de filhotes e sucesso reprodutivo.

O estudo concluiu que um grupo de, aproximadamente, 150 aves conseguiu buscar mais facilmente comida nadando, e não andando. Assim, os pinguins passaram um bom tempo procurando comida e gastaram menos energia. As fêmeas tiveram uma massa corporal de 5% a 16% maior; os machos, 7% a 17%. Os filhotes cresceram de 34% a 52% a mais. 

Por fim, o presidente do grupo de Pesquisa Polar Oceans, Bill Fraser afirma:

Os avanços tecnológicos (tags de GPS, gravadores de profundidade de mergulho, etc), nos mostram quais aspectos da ecologia dos pinguins-de-adélia são afetados por condições mais ideais de gelo marinho.

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Por Ana Paula Jaume – Fala! UFRJ

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