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DACAM e CCL Realizam Circuito de Palestras Em Homenagem a Semana da Mulher no Mackenzie

DACAM e CCL Realizam Circuito de Palestras Em Homenagem a Semana da Mulher no Mackenzie

Durante toda a semana passada, o DACAM (Diretório Acadêmico de Comunicação e Letras), juntamente com o CCL (Centro de Comunicação e Letras) realizaram uma série de palestras, de segunda até sexta-feira, com figuras importantes para a representatividade da mulher na sociedade, no mercado de trabalho e no meio acadêmico. Nossa equipe conferiu algumas palestras, e na matéria de hoje vamos compartilhar entrevistas e resenhas do que foi abordado em cada dia que estávamos presentes. Confira:

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Foto: Natalia Blotta.

 

DIA 08

Na terça-feira, oito de março, dia internacional da mulher, o auditório do RW contou com a presença das representantes feministas do Mackenzie que também organizam o coletivo do Afromack, discutindo pautas de relevância significativa não somente para as mulheres (que foram o foco principal), mas também para todos aqueles que de alguma forma são injustiçados e segregados.

A banca da palestra contava com Tamires, estudante de Direito e vice-presidente da união nacional dos estudantes, Melissa, também estudante de Direito, e Michelle, estudante de Jornalismo. Elas contaram um pouco da história do AfroMack e da frente feminista do Mackenzie, ressaltando a importância desses coletivos e do movimento estudantil na luta contra o sexismo, o elitismo, o machismo e o racismo, além de criticar o trote abusivo da faculdade, com direito a apresentação de estatísticas que validam a urgência de alguma medida a ser tomada. Confira algumas dessas estatísticas:

  • Metade das mulheres assassinadas foram mortas por seus parceiros ou parentes
  • 850 mil mulheres realizam aborto no Brasil por ano, sendo que segundo o IBGE 7 milhões de mulheres brasileiras já abortaram
  • A cada 9 minutos no mundo morre uma mulher vítima de um aborto clandestino
  • Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho) no ritmo atual seriam necessários 75 anos para conquistar igualdade salarial entre os homens e as mulheres
  • As mulheres ganham ainda 30% a menos que os homens e as negras e as nordestinas têm o menor rendimento médio do país.
  • Em 1962 a mulher casada deixa de ser considerada juridicamente incapaz. (não podiam sequer assinar um contrato, precisavam do marido)
  • Em 2002 acaba a possibilidade de anulação do casamento caso o homem descobrisse que a mesma não era mais virgem
  • Em 2005 o termo “mulher honesta” foi retirado da legislação, permitindo assim a integridade física e a liberdade sexual de todas as mulheres
  • Em 2006 entrou em vigor a lei Maria da Penha.

Além disso, a palestra contou com a professora Rosana Schwartz, também líder da organização feminista no Mackenzie, e do Professor Adolpho Queiroz, que não só apresentou seu livro “Com Que Roupa Eu Vou?”, como também presenteou todos os que estavam presentes com cópias do livro autografadas.

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Foto: Natalia Blotta.

 

No período da Tarde, a palestra abordou a tortura sofrida pelas mulheres no período da Ditadura. Após um vídeo apresentado pela Professora Rosana Schwartz homenageando todas as mulheres, assim como suas conquistas, a Professora Aurieli Alves de Alcântara contou um pouco sobre seu trabalho no Memorial da Resistência, localizado na Estação Pinacoteca, e também falou sobre o livro criado no fundo de pesquisa Mackenzie “Mulheres de Ferro”.

Após as palestras, conversamos com as meninas da Frente Feminista e AfroMack. Confira:

Fala!: De que maneira você espera que esses coletivos, tanto o AfroMack quanto a Frente Feminista, ajude os estudantes não só a sobreviver ao preconceito mas desconstruí-los também?

Tamires: Eu acho que se organizando, ajudando as meninas no trote e realizando as ações que a gente faz na universidade como um todo. Dessa forma a gente vai criando uma cultura diferente.

Fala!: Certo. Vocês falaram muito sobre algumas estatísticas e leis que foram sendo quebradas com o tempo. O que vocês acham que ainda está faltando juridicamente no Brasil em relação à questão de autonomia feminina?

Melissa: Mulheres na política. Mais mulheres legislando, mais mulheres nos espaços de poder, para que a gente consiga enfrentar as estruturas. É um problema estrutural, o machismo definitivamente é um problema estrutural. Mulheres conseguem combater isso melhor se elas estiverem a frente dessas estruturas.

Fala!: A mulher branca sofre com o machismo, mas a mulher negra enfrenta muito mais coisas. Qual a diferença das lutas, o que uma muda em relação a outra?

Tamires: A gente não vai melhorar a sociedade mudando apenas um ponto específico, por que se você acaba com o racismo, o machismo ainda existe, o classicismo ainda existe. Tem uma vertente do feminismo que se chama Feminismo Interseccional, que ela fala que a transformação deve se dar de forma estrutural na nossa sociedade, então a gente tem que combater o machismo, o classismo, o racismo, a homofobia de forma conjunta e construir um novo modo para a gente viver. Só assim que a gente vai realmente conseguir alcançar e acabar com todos esses preconceitos.

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Foto: Natalia Blotta.

 

No período da tarde, a palestra abordou a tortura sofrida pelas mulheres no período da Ditadura. Após um vídeo apresentado pela Professora Rosana Schwartz homenageando a todas as mulheres e suas conquistas, a Professora Aurieli Alves de Alcântara contou um pouco sobre seu trabalho no Memorial da Resistência, localizado na Estação Pinacoteca, e também falou sobre o livro criado no fundo de pesquisa Mackenzie – “Mulheres de Ferro”.

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Foto: Natalia Blotta.

 

DIA 09

Na manhã de quarta-feira (9), palestras sobre o papel das mulheres na literatura contemporânea foram realizadas no auditório do CCL.

Coordenada pela professora do curso de Letras, Marlise Vaz, a discussão contou com a presença das escritoras Carol Rodrigues e Márcia Barbieri, e abordou diversos assuntos que vão desde o feminismo até o mercado editorial. Além disso, mais tarde, as alunas Jamyle Hassam Rkain e Aline Tomasuolo realizaram apresentações sobre “Gilka: os desejos femininos e o machismo na crítica literária” e “Lutando entre panelas: Empoderamento feminino através da culinária”, respectivamente.

Durante o bate-papo com as escritoras, Carol Rodrigues ressaltou uma pesquisa de 2012, coordenada por Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB), em que o perfil dos personagens e escritores da literatura brasileira é analisado. Nesta, é demonstrado que mais de 90% dos escritores são brancos e mais de 70% são homens, e na sua maioria estão localizados no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Tal pesquisa mostra a pouca diversidade que existe no mercado editorial brasileiro atual, além da pouca presença feminina.

“Todo mundo perde com essa falta de diversidade”

Essa falta de diversidade acaba fazendo com que as editoras estrangeiras acabem perdendo o interesse pelo mercado editorial brasileiro, causando um prejuízo mútuo.

Outro ponto de destaque se refere à escritora Márcia Barbieri, que aponta as maiores dificuldades que uma mulher pode ter ao percorrer o caminho para publicação de livros, devido a preconceitos sobre gênero. Sobre seu mais novo lançamento “A Puta”, editora Terracota, ela disse que as pessoas, normalmente, julgam seu livro pelo título antes mesmo de tê-lo lido, inclusive membros da própria família.

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Foto: Natalia Blotta.

 

Logo em seguida, a estudante Jamyle Hassan sobe ao palco e apresenta Gilka Machado, poeta feminista que foi a primeira mulher a escrever literatura erótica no Brasil. Seus poemas eram considerados polêmicos para época por ela expor suas sensações, emoções e desejos eróticos. Recebeu duras críticas sobre seu trabalho, mas ela não se deixou abater e foi a primeira mulher a ser convidada para entrar na Academia Brasileira de Letras. Gilka foi uma grande escritora que influenciou várias outras ao longo dos anos a usarem suas vozes.

Encerrando as palestras da manhã, Aline Tomasuolo toma lugar na mesa e apresenta mulheres da literatura que, superando o preconceito e a subestimação, mostram a força de quem trabalha na cozinha. Sua palestra apresentou personagens como Tita (Como Água Para Chocolate), Babette (A Festa de Babette), Gabriela (Gabriela, Cravo e Canela) e Vianne (Chocolate) que, em suas respectivas histórias, revelam o poder que pessoas com dons culinários possuem. A importância dos alimentos no dia a dia é inegável, mas aqueles que sabem prepará-los com maestria tem influência sobre qualquer pessoa. Com sua apresentação, Aline quebra a ideia de inferioridade com relação a pessoas que trabalham na cozinha, especialmente mulheres.

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Foto: Natalia Blotta.

 

O que todas as palestras tiveram em comum, foram exemplos femininos, reais e imaginários, que correram atrás de seus objetivos, não se importando com a opinião de outros sobre seus trabalhos ou formas de agir – que não se deixaram abater e que mudaram o rumo de suas vidas e influenciam até hoje pessoas no mundo inteiro com a sua trajetória.

Confira agora a entrevista com Marlise Vaz (professora formada em Letras) e Márcia Barbieri (professora formada em Letras e Escritoria):

Fala!: O feminismo nunca esteve tão em alta e ao mesmo tempo tão desvalorizado como hoje em dia, nas redes sociais. Gostaríamos de saber se, na opinião de vocês, toda essa discussão tem algum impacto significante em relação às mulheres ou se ela fica presa a superficialidade?

Marlise: Olha, quanto mais debate houver, melhor. Quando alguma coisa é unanimidade, é ruim. Em geral, a unanimidade é burra. Então, quando há debate, é porque está mexendo com algo, está incomodando. E quando incomoda, é bom, nesse sentido, porque dá visibilidade a esse tipo de discussão, e dessa forma, no mínimo, as pessoas vão repensar estas questões. Agora, sobre essa questão do feminismo, eu acho que há muitos feminismos, não apenas um tipo. Quando falamos em feminismo, eu insisto em dizer que o feminismo não é o oposto de machismo, feminismo não é contra os homens, ele é a favor da humanidade, mas da humanidade toda. E mais, o feminismo hoje aceita e discute outras questões de gênero, não apenas da mulher. É muito importante a gente tomar isso em consideração, certo? Porque as pessoas não são uma coisa ou outra apenas, elas cumprem vários papeis na sociedade. Quando a gente fala em feminismo, o objetivo é essa visão de que as mulheres, os homens, as pessoas, todos, independente de outras posições que possam surgir, o mais importante é que elas possam ser vistas como pessoas, e que elas sejam vistas sem o jogo de poder – quero dizer, tem que ter um jogo de igualdade.

Também acho legal acrescentar que incomoda. E tudo que incomoda, porque quer ser mudado, é porque tem algum problema. Só isso.

Fala!: Todas aqui já trabalharam ou vão trabalhar. Gostaríamos de saber se, em algum ponto, vocês já sofreram algum tipo de preconceito?

Marlise: Bom, eu sou professora, e como professora eu já não tenho muito problema da minha profissão com o fato de ser mulher. Mas existe o oposto: “ah você trabalha dando aulinhas” – esses tipos de comentários. Ser professora é uma profissão muito importante, mas o espaço pra mulher nessa profissão, ele já existe, embora os melhores cargos, com mais prestígio, ainda sejam ocupados por homens. Aliás, existe oportunidade pra mulher ocupar qualquer espaço. Porque, como foi dito, já não é mais uma questão de poder físico. Então, elas podem ocupar esse espaço, só que tradicionalmente, pra ganhar essa diferença, essa distância, vai demorar muito. Mas a gente tem que continuar.

Márcia: Eu só gostaria de falar em relação ao livro, ao título “A Puta”. Por possuir algumas partes eróticas, diversas vezes eu sou denunciada nas redes sociais, por que normalmente coloco um trecho do livro nas publicações. Como eu não estou numa editora grande, eu cuido da divulgação, venda, todas as partes. Eu sempre coloco um fotógrafo ou fotógrafa, e são fotos que você encontra no Google facilmente. Quero dizer, não é para a pessoa olhar ali e se assustar, a ponto de denunciar você porque você está ferindo os costumes. É um absurdo você fazer isso hoje em dia. É nesse ponto que a gente sente diferença por ser mulher, até pelo interesse. Muitos se interessam pelo livro, não pelo que está escrito no livro, mas porque acham que eu, por relatar todas essas coisas, faço ou penso em fazer o que está lá. E aí vem a questão do machismo, porque se fosse um homem escrevendo, ninguém julgaria dessa forma. Não haveria essas questões de imaginar algo.

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Foto: Natalia Blotta.

 

DIA 11

Com o auditório do Rw lotado, a palestra do Professor André R. P. de Arruda com o tema “Mulheres através do Espelho” – Uma Jornada sobre a descoberta feminina – abordou a segregação das profissionais no sexo, principalmente no centro de São Paulo onde a atividade é extremamente comum. A questão abordada abriu uma chave para se contestar a falta de direitos e proteção que tais mulheres possuem, e o preconceito sofrido pelas mesmas. Com um vídeo de uma reportagem amadora, foram mostrados os   ‘Bastidores’ da noite Paulistana, os becos e bares no escuro onde tudo acontece. A conclusão foi de que todos nós devemos zelar para que os seres humanos em condições diferentes das nossas, tenham as mesmas oportunidades em meio a uma sociedade onde, principalmente as mulheres, possuem condições e direitos diferentes. A ‘prostituição’, por exemplo, ainda é um tabu.

No Final da Palestra, uma polêmica tomou conta do auditório quando uma aluna de Jornalismo questionou o comportamento do Professor Marcelo em sala de aula, dizendo que o mesmo subestimou todas as alunas, dizendo que as mulheres não teriam tanto espaço no mercado de trabalho quanto os homens. Após isso, algumas alunas começaram a expor seus pontos de vista e gerar discussões e polêmicas.

Confira mais fotos:

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Natalia Blotta.

 

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Foto: Carol Campos.

 

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Foto: Carol Campos.

 

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Foto: Carol Campos.

 

Por: Fernanda Lagrotta, Beatriz de Aquino, Aline Yumi, Carol Campos, Paola Churchill, Fernanda Nogueira, Natália Vitória e Natalia Blotta – Fala!M.A.C.K

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