'Cursed: A Lenda do Lago' - Confira a crítica da série Netflix
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‘Cursed: A Lenda do Lago’ – Confira a crítica da série Netflix

‘Cursed: A Lenda do Lago’ – Confira a crítica da série Netflix

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Leia a crítica de Cursed: A Lenda do Lago, novo sucesso Netflix

Uma das maravilhas do audiovisual contemporâneo é a pluralidade de meios por onde consumir conteúdo. Na quarentena, um veículo que se destacou muito foi o TikTok, rede social focada em vídeos rápidos. Se você já usou o aplicativo, vai ver que, além das trends e dancinhas populares entre o público teen, existem algumas sagas que se estendem por vários vídeos e que os influencers usam para aumentar o engajamento no perfil.

Na melhor das hipóteses essa é a maneira ideal de explicar essa série, um compilado de elementos vazios que tenta ao máximo seduzir o público mais amplo possível, através de ganchos narrativos fracos. Ou seja, um TikTok com mais de uma parte só que de dez horas de duração.

Cursed: A Lenda do Lago crítica
Cursed: A Lenda do Lago, confira a crítica da série Netflix. | Foto: Montagem/Reprodução.

Leia a crítica de Cursed: A Lenda do Lago, série original Netflix

Acompanhamos a história de Nimue, uma garota descendente de uma tribo mística pré-arturiana, em busca de defender seu povo e descobrir sua verdadeira origem. A série é inspirada no livro de Frank Miller e Thomas Wheeler, que também assinam na produção e no roteiro.

Embora a premissa seja bem interessante e o universo trazido à tona para fundamentar a história seja bem rico, a série falha em absolutamente tudo que tenta estabelecer. Não funciona como uma aventura medieval jovem, pois não acha espaço para desenvolver qualquer tipo de profundidade nas relações.

Da mesma forma, não consegue criar um ambiente sério o suficiente para abrigar as tensões políticas que incita, muito menos com a violência que explicita.

A superficialidade entre todos os elos é o que há de mais irritante. Não dá para acreditar que qualquer uma daquelas personagens realmente se importe com a vida do próximo. O Arthur chora a morte de um indivíduo com o qual trocou dois diálogos.

Muito disso vem da necessidade cega que ela tem de criar momentos épicos com frases de efeito, dá a impressão de que o único objetivo de cada cena é ganhar uma citação, e não construir qualquer sentido.

Quebra de expectativas

Vemos um claro esforço por parte da Netflix ao tentar implementar o “seu Game Of Thrones, mas é triste ver como essa tentativa vai por água abaixo por não chegar nem perto de tal grandiosidade. Nada aqui é crível o suficiente para desenvolver essa impressão de brutalidade e traição política.

No final das contas, vemos um conflito sem fundamento de personagens com atitudes ilógicas e que rompem qualquer burrice humanamente aceitável.

Chega até a ser contraditório esse tipo de ambição, uma vez que a série subestima tanto seu público que tem de usar um recurso gráfico ridículo nas transições de um núcleo para o outro. Isso é zombar da audiência, como se ela não conseguisse entender e se ambientar através de um dos recursos mais básicos da linguagem audiovisual: o corte.

A quebra de expectativa quanto à mitologia é um outro ponto que desabona a série. Enquanto o prometido foi a história da Dama do Lago, uma personagem extremamente negligenciada na maioria das versões da história do Rei Arthur, nos foi entregue uma narrativa que se apoia da maneira mais básica possível nessa mesma lenda.

Ao que tudo indica, lançar os nomes das personagens arturianas a esmo foi a maneira mais sofisticada que a série achou de criar esse elo entre as duas obras.

Aspectos técnicos

Tecnicamente, podemos dizer que a série é bem decepcionante e mais uma vez ganha problemas através da montagem. Toda a construção dos episódios se prova anticlimática e não existe aquele choque com a cena final, você sempre é levado para o caminho menos empolgante.

A cena em que Iris queima o convento é incrível, aterrorizante e cria um link perfeito com o que o Padre Carden está falando e, ao invés do episódio terminar aí para te deixar colado no sofá, ele te joga para algum desfecho simplório e sem profundidade.

Desfechos são sempre um ponto polêmico em qualquer obra. Não é condenável criar um gancho para uma próxima temporada, o que dói é criar um arco sem resolução dessa forma.

Enquanto toda a narrativa é esticada para caber em 10 episódios (que poderiam ser 5), a primeira temporada acaba com cara de metade. Uma história medieval e fantástica que se agarra a inúmeras fórmulas não entregar um final dessa maneira, simplesmente não seguiu a cartilha mais simples que existe.

Efeitos especiais

Para finalizar, é bom tirar um espaço para falar dos efeitos especiais. Ao invés de tentar apelar para a sutileza da fotografia para retratar a violência que a história quer passar, vemos uma tentativa gráfica de gerar impacto, uma abordagem esperada, mas que foi arruinada por uma tecnicalidade.

No final do primeiro episódio, o pesadelo começa, enquanto vemos Nimue matando uma matilha de lobos (que, por sinal, foi um recurso criado só para essa cena), o sangue dos animais espirra na tela da forma menos real possível. O 3D usado é visivelmente mal feito e te tira com violência de dentro da série.

Em vários outros momentos, isso continua e não fica muito melhor. Juntando essa falta de esmero com um planejamento de cena esquisito e atuações fracas, ela não acha uma base nem para fundamentar a história preguiçosa que se dispõe a contar.

Conclusão sobre a série

Ela se encontra em um limbo, quanto a questões orçamentárias, a série é uma das maiores produções atuais da Netflix, mas, infelizmente, a trama não conseguiu acompanhar o investimento.

Alçar voos mais singelos sempre foi um modelo que funcionou para a companhia de streaming, mas, aqui, ao invés de tentar desenvolver uma personagem forte, ponderando arcos longos e curtos, ela ficou com um produto híbrido que não sabe se posicionar no mercado. Só nos resta esperar por uma segunda temporada repleta de soluções.

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Por Davi Alencar – Fala! Anhembi

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