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Crônica: Luz Verossímil

Bia Ennes – Fala!USP


Luz verossímil

Sempre penso milhares de vezes antes de pegar um Uber. Aquela sensação de estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de um estranho, é totalmente incomodante. Mas naquela noite, entrei em mais um carro preto, com um dos milhares motoristas de São Paulo, pensando que o trajeto seria longo até a minha casa, o silêncio ensurdecedor e o incômodo enlouquecedor. Boa noite. Boa noite. Rua tal? Isso. Iniciar. E de repente a voz do Chris Martin saiu da caixa de som do carro. Aquela música entrou em meus ouvidos e meu cérebro foi incendiado por fogos de artifício. Encostei minha cabeça no banco e pela janela via a paulicéia noturna sendo harmoniosa e não desvairada. As luzes artificiais tornam-se verossímeis escondendo o cinza do concreto. Luz por toda parte, indefinidas, intensas. O dia apático torna-se mágico quando o sol se põe. Nada como um ponto de vista distinto. Terminada a primeira música, começa um rock clássico das antigas, de acordo com o motorista, mais de 50 anos tinha aquela música. Não conhecia, mas não importava, meu cérebro só enxergava estrelas onde o caos domina. Torcia para aquela viagem nunca acabar. A música fez a conexão entre eu e o motorista, não sei nada da vida dele, mas com certeza suas músicas me mostraram uma luz na escuridão. E a pergunta veio antes de sair do carro. Gostou das músicas? Sim. Não falei para ele, mas não apenas gostei, me surpreendi. Nessa realidade insana, não podemos esquecer de acender nossa luz através das artes, do silêncio, do que você quiser. Surpreenda. Surpreenda-se.

 

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