Crônica - Existência Efêmera
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Crônica – Existência Efêmera

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10 AM. Peguei-me pensando se levantaria da cama para tomar café da manhã ou esperaria até o almoço, afinal, minha preguiça falava mais alto que a fome. Levantei, não a deixaria vencer. A cada passo que dava para descer as escadas, a conversa entre minha mãe e minha avó, sobre algum assunto aleatório, começava a criar forma em meus ouvidos.

Ao chegar na sala, passo pela minha irmã que está totalmente vidrada na tela do aparelho televisivo assistindo a algum desenho que, provavelmente, ela comentaria depois. Engraçado como as crianças, hoje em dia, só ficam quietas quando têm alguma animação que as entretêm. Em seguida, caminho em direção à cozinha, passando pelos fofos porquinhos da índia, que se localizam no corredor entre a sala e o meu “cômodo-destino”, e imediatamente penso que deveria comprar um cercado maior, pois eles estavam crescendo rápido e já estava ficando apertado.

Ao entrar na cozinha, deparo-me com os dois rostos me olhando atentamente, esperando o meu “Bom Dia”. Supri suas expectativas e fui preparar meu alimento que me sustentaria por apenas 3 horas. Sentada à mesa, ouço o tilintar de minha colher batendo na xícara, a cafeteira borbulhando e o cheiro do pó, que logo se transformaria numa bebida que não me agrada muito.

Olhando através da janela que estava a minha frente, começo a me perder em meus pensamentos sobre o que faria no meu dia. Seria entediante igual todos os outros dias trancada no meu quarto, assistindo a aulas que gostaria de estar tendo ao vivo e sentindo os abraços calorosos de meus amigos? Ou teria, em algum momento, alguma distração que me faria manter a cabeça longe dos pensamentos solitários e autodestrutivos?

Meus pensamentos foram interrompidos por uma criança de meio metro que entrou pela cozinha gritando dizendo que queria brincar com os amigos do condomínio, pois havia os ouvido lá fora. Estava aí, se esperneando na minha frente, a minha oportunidade de me distrair um pouco. Decidi que ia levá-la para desfrutar o ar (puro?), afinal, não a deixaria passar o dia todo com o olhar fixado numa tela. Queria ter terminado de comer no meu ritmo, mas a pequena já não aguentava mais esperar.

Então, a levei até o parquinho, onde mais 4 crianças estavam pulando alegremente, sem motivos para se preocupar. A nostalgia bateu lembrando dos momentos em que brincava com a minha prima no parquinho e minha única preocupação era meus pais me chamarem para ir embora. Cumprimentei as mães que conversavam entre si e sentei na parte da grama onde o sol batia e a observei indo para uma casinha que tinha um escorregador.

Minutos depois, a minúscula pessoinha estava cantarolando palavras aleatórias. Conhecendo bem minha irmã, já sabia que nada mais ia a tirar do mundinho dela. Ela fechou os olhos e iniciou uma dança que só ela sabia fazer, a partir daí, quem quisesse conversar com ela, teria que esperar sair de seu transe, pois sua atenção era apenas em si mesma. Uma particularidade curiosa dela.

Por esse motivo, voltei a pensar no assunto da cozinha e percebi que aquele pequeno e singelo momento seria o ponto alto do meu entediante dia. Observando minha irmã e devaneando, veio-me à cabeça uma frase bem clichê, porém real, “será que estou vivendo, ou apenas existindo?”. Será que eu estou aproveitando minha vida do jeito que deveria, ou apenas empurrando meus dias com a barriga?

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Por Maria Eduarda Leal dos Santos – Fala! Mack

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