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Acordei. A primeira coisa que fiz foi checar as notificações do meu celular

Por Izabela Souza – Fala!M.A.C.K

 

Crônica: Acordei. A primeira coisa que fiz foi checar as notificações do meu celular

Acordei. A primeira coisa que fiz foi checar as notificações do meu celular. Não estou isenta da dependência tecnológica que sofremos. O que vi foi uma publicação intitulada ser a opinião de uma cristã, e que quem não concordasse ou não agisse da forma que ela achasse correta, poderia deletá-la do Facebook e que nem comentasse a postagem. Para ela, o que ela achava horrível, no caso o uso da maconha, deveria ser crime com pena de morte – tudo porque um irresponsável foi dirigir depois do beck, o que poderia acontecer após um drink, que é lícito. Ora, eu adoraria ser cristã. De verdade. Mas eu não sigo os ensinamentos de Cristo. Eu até tento, acontece que falho miseravelmente diversas vezes só para depois tentar novamente. Então não digo ser. Depois, quando assumo uma postura e a coloco como a postura de todo cristão, ou que tal posição é do cristianismo, eu generalizo todos aqueles que seguem isto, mas a igreja católica apostólica romana e a presbiteriana têm suas diferenças.

Outro ponto é que, pelo que estudei nos meus anos de catequese e crisma, Cristo não condena. Ele ama, tolera, perdoa. Por tolerar, eu não o vejo aprovando uma situação em que, numa rede social pública, você não possa se expressar. Porque a partir do momento em que você compartilha algo na rede, você deve estar ciente do contrato implícito de que todos aqueles com acesso à sua publicação podem comentá-la, e que nem todo mundo dirá o que você quer ouvir. Então, porque só você pode dizer? Ouvir é uma benção e, no caso da internet, diga-se ler. Perguntei-me porque o radicalismo de deletar alguém da sua vida só porque ela discorda de você, mesmo num assunto tão delicado. A pessoa, por quem tenho um enorme carinho e sei que gosta muito de mim, não sabe, mas eu consumo itens batizados. Pois é. E eu não estou fazendo mal a ninguém. Então ela vai me tirar da vida dela apenas porque eu consumo algo do qual ela discorda? Eu sou uma má influência para a filha dela? Alguma vez eu já ofereci a elas, por exemplo? Eu mereço ser presa por isso? E, além de tudo, morta? Eu não sou santa, mas sei dos meus atos e da minha índole. Meus amigos que fumam maconha são maravilhosos.

O problema, amigues, não é a internet. Não é a viralização das opiniões. Não é opinar. O problema é o ser humano. A pessoa que, infelizmente, ainda confunde o limite da opinião com o do preconceito e da intolerância. Quem condena sem pensar que ninguém deve condenar. Quem generaliza. O problema é a gente. Todos nós. Aos poucos, vamos construindo problemas e mais problemas, sociais, ambientais, políticos. Eu não a deletei como ela pediu. E nem comentei a postagem. Eu sou um problema que procura ser solucionado.

 

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