Crônica - A setentona
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Crônica – A setentona

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Lembro de sempre estar perto dela, também lembro de correr perto dela. As imagens que ela traz podem ser chocantes ou alegres. Essa setentona consegue influenciar as pessoas, mas se não fosse pelo avanço que ela trouxe, não poderíamos acompanhar grandes acontecimentos ao vivo, como a queda das torres gêmeas, mudança e escolha de papas e vários outros momentos da história atual do mundo. Na sexta-feira, a televisão brasileira completará 70 anos de história, de ditadora de tendências há acompanhante de novas tendências de outros meios, essa velhinha tem história.

Televisão setentona
Televisão será setentona, porque fará 70 anos nesta sexta-feira (18). | Foto: Reprodução.

Pegando o fio dessas minhas lembranças da infância, aparecem a TV Cultura, SBT e Rede Globo, com seus desenhos de fora. Quem é de 2000 sabe o que é assistir Três Espiãs Demais, na TV Globinho, almoçar com reprises de X-men Evolution e Super-Choque, no Bom Dia e Cia, e de chegar ao fim da tarde com Castelo Rá-Tim-Bum, na Cultura.

A nossa geração, diferente das mais atuais, teve o contato com as reprises, vivemos a era das reprises em massa na televisão, quem não se lembra da famosa frase: “senta que lá vem história”, ao som de um trompete. Nossos pais tiveram o Professor Raimundo, na Escolinha, nós pegamos o Professor Tibúrcio, Kika, do De onde vem, e o Professor Xavier. Toda essa fase foi marcada na tecnologia pela virada da TV de tubo para a de plasma, ocupando menos espaço e trazendo imagens um pouco mais nítidas.

Fui amadurecendo e percebendo outros produtos dessas emissoras que colocam imagens numa caixa — acho que foi nessa fase que me apaixonei pela profissão que escolhi. Nessa época, entre 2008 e 2010, deparei-me com o telejornalismo, muito consumido em casa desde sempre pelos patrões da minha mãe. William Bonner, Ricardo Boechat, Carlos Nascimento, Fátima Bernardes, Ana Paula Padrão e Sandra Annenberg se tornaram referências na minha vida. Ficava vidrado em grandes coberturas, vendo o trabalho dos repórteres e imaginando como que eles se viravam bem no meio de um caos, cada Plantão da Globo era uma corrida até a TV para saber o que tinha acontecido, essa rapidez que esse aparelho traz me fascina, nesse tempo era o HD e Full HD entrando nas casas, equipamentos ainda mais modernos e menores, resoluções de encher os olhos.

Chegamos no momento atual, onde a televisão, mais uma vez, tem que se readaptar ao mundo onde está inserida, com pautas mais políticas, com telespectadores mais exigentes e vigilantes, fora a luta por um espaço no meio de tanto serviço de streaming. A setentona está em forma, com tecnologias de cinema e televisores que podem ter resoluções capazes de reproduzir mais cores que o olho humano pode enxergar. Uma jovem senhora, que está presente em 96,4% domicílios*, segue na ativa, sendo um dos meios de grande influência, mas a pergunta que fica para os próximos 70 anos é: como ela irá se reinventar?

* Dados da pesquisa do IBGE de 2018.

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Por Thalisson Luan – Fala! PUC

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