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Crítica – Vidro: um filme que questiona a nossa sanidade

Por Allan Blanvillain 

Dois anos atrás, o final de Fragmentado pegou todos de surpresa. Ele revelou que o filme de Night Shyamalan estava ligado a outro de 16 anos antes: Corpo Fechado. A primeira “sequela” do diretor. Mas ele não parou por aí e anunciou que a sua produção fazia parte, na verdade, de uma trilogia que terminaria com o longa Vidro. Três filmes interligados que, embora colecionassem muitas diferenças, ao final se tornariam um só.

Night Shyamalan pode ter tido alguns altos e baixos em sua filmografia, mas uma coisa permanece: sua capacidade de contar histórias. Corpo Fechado revelava um filme de super-heróis bem antes da era de ouro da Marvel, enquanto questionava sobre a nossa natureza. Fragmentado era uma porta fechada e assustadora que questionava as capacidades da nossa psique. Era quase óbvio que Vidro jogaria dos dois lados fundindo ambos os universos.

De longe, a parte mais interessante do filme é a de colocar em dúvidas a nossa capacidade de tornar o irreal real e vice-versa. Se acreditamos firmemente que somos um super-herói, podemos nos tornar um? Ao juntar o Corpo Fechado de David Dunn (Bruce Willis), o homem de vidro Elijah Price (Samuel L. Jackson) e A Fera Kevin Wendell Crumb (James McAvoy) em um só lugar, o diretor arrisca os limites da consciência humana.

Somos realmente o que acreditamos ser ou fomos iludidos para fugir da realidade? Deste ângulo, o Vidro é a conclusão perfeita de uma trilogia que faz sentido de ponta a ponta.

Vidro: uma obra anti-espetacular

Além de sua dimensão psicológica, Vidro também oferece uma releitura de um gênero hoje bastante difundido. Da mesma forma que Corpo Fechado, que compartilha muito mais elementos em comum com Fragmentado, o filme Vidro mantém o foco em nossa realidade enquanto presta homenagem a essa parte fantástica do estilo super-heróico para que a história ainda permaneça crível mesmo quando ocorrerem eventos sobrenaturais. Normal ou sobre-humano, os protagonistas estão acima de todos os homens e à procura de um lugar neste mundo.

É, no entanto, lamentável que o grande número de personagens os impeçam de existirem plenamente como merecem, particularmente no que diz respeito aos papéis secundários. Além disso, também permanece o encanto de se deparar com o elenco inteiro dos dois filmes anteriores (até o retorno de um agora adulto Spencer Treat Clark).

A encenação de Shyamalan é tão anti-espetacular quanto ambiciosa. Evitando ao máximo o uso de efeitos especiais – especialmente com o uso de cenas cortadas para flashbacks – o diretor está transbordando ideias para mostrar o que há de mais real em seus personagens, mesmo durante as cenas de ação. O ângulo da câmera nunca está onde estamos esperando. Ela brinca no campo externo do cenários e questiona nossas habilidades de reflexo.

Cada lugar, cada cor, cada ponto de vista é pensado para servir aos personagens e ao objetivo geral da trama. Com isso, Vidro mistura o estilo gráfico de Corpo Fechado e Fragmentado, embora tenha, claro, a sua própria estética, às vezes ardente demais, às vezes fria demais e, por vezes, frenética.


 

Uma armadilha para super-heróis

Todas essas boas intenções do criador do filme devem satisfazer os telespectadores. Embora Night Shyamalan tenha ficado preso entre seu desejo de criar surpresa e o que queria evitar em Corpo Fechado: o super-herói. Desde o final de Fragmentado, se confirmou oficialmente a existência de super-homens em um espectro mais amplo do que o confronto íntimo entre David Dunn e Elijah Price e, portanto, o diretor não podia mais colocá-los embaixo do tapete.

Fonte: GeekBlast

 

Coberto por sua ambição, Vidro se esforça para atender a todas as expectativas e, onde existem qualidades, encontramos falhas em outros lugares. Em suma, o cenário é avaliado sem dificuldade, mas para quem busca os detalhes, é possível encontrar diversas inconsistências, reações anti-naturais e um meta-discurso quase sem sutileza. Como um efeito final do longa, a pessoa tem a sensação de ver um Mr. Night Shyamalan precipitado. No entanto, Vidro provoca e atrai e não nos deixa indiferentes, este é o ponto essencial, não importa se você vê o copo meio cheio ou meio vazio.

 
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2 Comentários

  1. 8 meses ago

    Muito bacana seu post, irei acompanhar as novidades deste Blog. Este tipo de assunto tem me ajudado bastante, confesso. Gratidão!

  2. 2 meses ago

    Me disseram que é um filme muito bom, vou ver nesse fim de semana!

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