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Crítica: Bohemian Rhapsody

Crítica: Bohemian Rhapsody

Lais Costa – Fala!Anhembi


Resenha: Bohemian Rhapsody

Rami Malek possui feições faciais bem únicas e, francamente, é uma das coisas que mais gosto sobre ele. Tenho acompanhado sua carreira desde Mr. Robot, passando por Buster’s Mal Heart e chegando a Bohemian Rhapsody, que seria o seu primeiro grande papel principal num filme – porém não é. Apesar de Freddie e Rami se encaixarem e ele conseguir capturar perfeitamente alguns momentos (principalmente os de diva) do ícone musical, os clichês tornam este filme idêntico a qualquer outro. Tossir sangue num lencinho, por exemplo, é algo que já foi utilizado tantas vezes que simplesmente incomoda quando acontece num filme de uma produção gigantesca como essa. O tabu da sexualidade, assim como o uso de drogas, parece feito para agradar a audiência hétero que é fã do Queen, e tudo é mascarado o suficiente para não deixar nenhum pai de família desconfortável.

O roteiro torna-se pobre com os clichês e a sequência de acontecimentos que segue uma lógica de mocinho e vilão; ataques de diva; arrependimento e redenção antes da morte trágica. Acredito eu que há outras maneiras de contar uma história. Os últimos dias ou anos de sua vida seriam interessantíssimos e foram totalmente ignorados. A arte gráfica horrenda que invade a tela violentamente na metade do filme e pula de maneira desnecessária grande parte da carreira dos artistas, por exemplo, é algo que passa a sensação de descaso com o filme e deixa explícita uma preguiça audiovisual. Não há nada, além do rosto do ator principal, que cause um estranhamento naquele que assiste.

 

Conhecendo outros trabalhos do ator, é notável que o potencial de Rami Malek é levemente desperdiçado neste filme feito para emocionar, que infelizmente só arranha a superfície. Me emociono igualmente assistindo a um vídeo da banda no youtube, e pessoalmente não pude sentir nada diferente no cinema.

Entretanto, o figurino é fiel e fabuloso e pode ser cotado para um Oscar. O filme arranca risadas e obriga o espectador a cantar junto. Sem dúvidas, o papel pode alavancar a carreira de Malek. Só espero que não seja lembrado pelas cenas forçadas que desbancam outras maneiras mais criativas de usar seu talento.

 

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