Crítica: Até quando vai o imediatismo no futebol?
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Crítica: Até quando vai o imediatismo no futebol?

Crítica: Até quando vai o imediatismo no futebol?

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​Nesta segunda-feira (26), o presidente do Santos, Andrés Rueda, comunicou em entrevista coletiva que o técnico Ariel Holan pediu demissão do cargo, após a derrota por 2 a 0 para o Corinthians. O técnico possuía as características perfeitas para dar certo no clube alvinegro: jogo com posse de bola, no campo do adversário e de oportunidade aos jovens jogadores da base. Entretanto, após pouco mais de 2 meses e apenas 12 jogos no comando do time d futebol, Holan optou por deixar o clube.

Ariel Holan futebol
Ariel Holan visita a Vila Belmiro. | Foto: Guilherme Kastner/Santos FC.

Demissão de Ariel Holan e o imediatismo no futebol

O treinador vinha sofrendo fortes críticas da torcida após uma má sequência de resultados em meio ao calendário caótico proporcionado pela pandemia. Andrés Rueda relatou até que alguns torcedores foram ao apartamento de Holan soltar fogos e pedir sua saída, e que esse foi um dos motivos do pedido de demissão:

Houve casos de fogos no apartamento dele, estouraram rojão e essa situação deixou ele desconfortável.

Vale ressaltar que, em 2017, Holan passou por um momento extremamente conturbado com a torcida do Independiente, clube do treinador na época. Nessa ocasião, alguns torcedores do time argentino interceptaram o veículo de Holan na saída do centro do treinamento do clube e cobraram o valor de 50 mil dólares, em troca de paz e apoio da torcida, que não vinha gostando do desempenho do técnico pelo time. Em meio a isso, Holan não quis se arriscar novamente no Santos e decidiu por seguir sua carreira em outro lugar.

No pouco tempo em que Holan esteve à frente do time da Vila Belmiro, ele perdeu 4 titulares absolutos do time que chegou à final da Libertadores em 2020 – Veríssimo, Pituca e Soteldo vendidos, e Sandry, lesionado. O elenco que já era limitado ficou ainda mais enxuto e desequilibrado, com a subida precoce de alguns jogadores da base, que chegaram ao profissional ainda imaturos, tanto física quanto tecnicamente. Além disso Holan ouviu do presidente do Santos que mesmo após a venda do atacante Soteldo ao Toronto FC, da MLS, o clube passava por um momento complicado financeiramente e que investimentos em novas contratações não seriam feitos.

Mesmo com todas essas adversidades, uma pequena parcela da torcida interrompeu um projeto de 3 anos do clube, ao irem até o apartamento do treinador em plena pandemia para protestar contra um time que perdeu suas principais peças e que está tendo de se reinventar com jogos a cada 48h, sem ter tempo mínimo para treinar e, assim, implantar o modelo de jogo de Ariel Holan.

Com isso deixo o questionamento: até quando vai o imediatismo no futebol? Até quando a torcida vai se achar no direito de ser acima da lei para vandalizar patrimônios do clube e cobrar, de forma agressiva, jogadores e treinadores por maus resultados? Até quando esses membros da torcida acabarão com promissores projetos de um clube por falta de paciência e compreensão? Até porque é impossível que um trabalho dê certo sem ter o tempo necessário de treinamento e fixação.

O imediatismo, tanto por parte da torcida, quanto por parte da diretoria dos clubes, vem acabando com o nosso futebol e é justamente por isso que somos um dos países mais atrasados em termos táticos no esporte. Enquanto clubes europeus investem em projetos a longo prazo, como o Arsène Wenger no Arsenal, que ficou incríveis 22 temporadas à frente do time, os times brasileiros querem sucesso imediato e demitem seus treinadores baseando-se apenas nos resultados, deixando de lado todos os outros aspectos qualitativos que cercam seus trabalhos.

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Por Lucas de Souza Pedroso – Fala! Cásper

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