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Crise humanitária além do refúgio

Crise humanitária além do refúgio

Atualmente, o número de refugiados no mundo é o maior desde a Segunda Guerra Mundial. Vivemos uma das maiores crises humanitárias, na qual milhões de pessoas estão vivendo fora de seus países. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), uma em cada 122 pessoas está na condição de refugiado, sendo que se essas pessoas se reunissem em uma única nação, ela seria a 24ª maior do mundo.

As principais motivações para o refúgio são a violação dos direitos humanos, guerras, conflitos armados e perseguições políticas e religiosas. Existem mais de 4 milhões de sírios nessa condição. A Síria é o primeiro país na lista de pedidos de refúgio, seguido da Colômbia, Angola e República Democrática do Congo.

Somente em 2015, mais de 438 mil pessoas pediram asilo na Europa. Apesar da iniciativa positiva de lugares como a Alemanha, que prometeu o acolhimento de 800 mil refugiados, essa população muitas vezes é recebida com atos de xenofobia e recusa de alguns países. A Hungria, por exemplo, na busca de impedir refugiados de chegar ao seu território, construiu um muro de 175 km de extensão.

A crise migratória e humanitária que envolve os países da União Europeia (UE) é constantemente exibida pela mídia. Os países que mais recebem refugiados são a Turquia, o Líbano e a Jordânia, enquanto que a Turquia já contabilizou, até metade deste ano, 1.9 milhões de pessoas em situação de refúgio, um quarto da população libanesa é formada por refugiados.

O Brasil também chama atenção nesse cenário, pois nos últimos quatro anos, o número de pessoas acolhidas em solo brasileiro praticamente dobrou. Apesar dos 10 mil quilômetros entre o país e a Síria, até setembro deste ano, 2.097 sírios receberam asilo por aqui.

Em todo o continente americano, os números brasileiros só ficam atrás dos canadenses, superando inclusive os estadunidenses, com 1.243 refugiados. Segundo dados da Eurostat (Agência de Estatísticas da União Europeia), o número de refugiados recebidos pelo Brasil também é superior ao de países como Grécia, Espanha, Itália e Portugal.

Apesar de o governo brasileiro ter doado 2.7 milhões de reais para programas da ONU relacionados a refugiados, o país não tem nenhum plano específico para a recepção dessas pessoas. A maior parte dos refugiados que conseguem asilo no país recebe ajuda de organizações não governamentais, ou são inseridos em projetos direcionados para a população local. Até metade deste ano, 400 imigrantes sírios viraram beneficiários do Bolsa Família.

O Abraço Cultural é uma dessas organizações não governamentais que ajudam no acolhimento de refugiados em território nacional. Localizado na cidade de São Paulo, o projeto promove cursos de idiomas – espanhol, inglês, francês e árabe – ministrados pelos refugiados, no qual os objetivos são promover a troca de experiências, gerar renda e a valorização pessoal e cultural dos professores.

A cubana Maria Ileana faz parte do grupo de professores que dá aulas de espanhol no Abraço Cultural. Ativista, antropóloga e historiadora, ela deixou seu país e sua família devido a perseguição política que sofria, e veio para o Brasil como convidada para dar uma palestra sobre Direitos Humanos.

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Aula Cultural com Maria. Foto: Gabriela Fogaça.

 

O congolês Luambo Pitchou é também professor no projeto e dá aulas de francês. Formado em Direito, veio para o Brasil há cinco anos, em consequência da guerra militar existente no seu país.

Maria conta que não havia projetado morar fora de Cuba. Dentre os obstáculos que sofreu quando chegou aqui, menciona a perda de identidade que sentiu e a dificuldade para se relacionar com outros refugiados. Além disso, ela relatou a falta de receptividade dos brasileiros e notou que a sociedade brasileira é classicista. No entanto, não voltaria para Cuba, por causa da repressão política presente no país.

Para Pitchou, a primeira impressão que teve quando chegou em São Paulo é que os brasileiros são pessoas fechadas. Assim como Maria, ele falou sobre a discriminação que o refugiado vem sofrendo aqui:

“talvez pelo desconhecimento e falta de informação da população brasileira. Quando um refugiado chega aqui, [ele] tem uma bagagem, tem uma cultura, tem uma comida que comia lá, tem uma música, tem tudo”. Ele também citou a ausência de políticas de moradia e de emprego no Brasil.

Na hora de aprender a língua portuguesa, os dois contam que não foi difícil. Pitchou aprendeu o português através da leitura de livros. Para Maria, o gosto pela cultura e música brasileira facilitou na hora do aprendizado. Alguns dos artistas que estão em seu repertório musical são: Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento.

Para os dois, o desejo que fica é o de escutar outra realidade sobre seu país. O pedido de Maria é pelo direito, pela liberdade e pela existência de políticas sociais inclusivas. Sobre o Abraço Cultural, Pitchou disse que a troca de vivências e culturas proporcionada através do projeto mostra quem os refugiados são, e a capacidade que eles possuem.

Confira aqui a conversa do Fala! com o Luiz Henrique, um dos coordenadores do Abraço Cultural, e a entrevista que rolou com a Doutora Juliana Tsuruda, mestranda em Direitos Humanos pela PUC-SP.

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Por: Laura Jabur, Gabriela Fogaça e Marianna Rodrigues – Fala!PUC

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