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Crise criativa em hollywood

Crise criativa em hollywood


Como estudante de cinema, estou envergonhado com a situação em que se encontra o cinema industrial americano: na velha regra do “nada se cria, tudo se copia”. Quantos roteiros originais estão sendo lançados ultimamente?

Os estúdios americanos adotaram uma estratégia completamente covarde: não se aposta mais em histórias para o cinema, não se arrisca mais, só se leva para frente projetos com garantia de retorno financeiro, antes mesmo de o roteiro ser escrito. E como fazem isso? Basicamente apostando-se na adaptação dos best sellers da literatura, dos quadrinhos, e em continuações e refilmagens de filmes já bem sucedidos. Com o lançamento desses tipos de filmes, é certeza de boa bilheteria, assim como é certeza a crescente dependência do cinema.

jessepinkman-walterwhite-breakingbadBasta olhar para os “grandes lançamentos” de 2013, e os que estão por vir em 2014: O Hobbit, Superman, Iron Man, Duro de Matar, Jogos Vorazes, Wolverine, Gente Grande, Percy Jackson, Instrumentos Mortais, Sobrenatural, Riddick, Kick Ass, Atividade Paranormal, Thor, Carrie a Estranha, Star Trek, Velozes e Furiosos, Se Beber não Case, e assim segue a lista de adaptações, continuações e remakes, que certamente rendem uma bela bilheteria. Com isso, o cinema tornou-se um mero reprodutor de histórias que já são um sucesso em outro meio, e eu acredito que essa função do cinema não é a mais digna. O Cinema é, atualmente, refém de outros meios.
hobbit

Além dessa questão da dependência, esse conservadorismo estacionário do cinema abriu espaço para a expansão de outra modalidade dramatúrgica audiovisual: as séries de televisão. Os seriados estão mais fortes do que nunca, estabelecidos principalmente nos canais de TV a cabo, estes sim tem demonstrado um poder tanto comercial quanto criativo. Por um lado, alguns deles seguem a mesma tendência do cinema, de adaptação, como Game of Thrones e Sherlock. Mas há um surto também das séries de roteiro original, totalmente criados para serem series de televisão, como é o caso de Supernatural, True Blood, American Horror Story e, para mim, a mais cinematográfica e ousada de todas: Breaking Bad. Esta série, que está à beira do final, trouxe todo um novo conceito de “contar histórias”. Situações dramáticas elaboradas, flashbacks e flashforwards bem construídos, pistas e recompensas inimagináveis, ângulos de câmera inovadores, personagens psicologicamente complexos, um ambiente particular, enfim, identidade. Algo que está em falta no cinema atualmente.

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