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Ações afirmativas, governo Bolsonaro e a caricatura da direita: o que pensa Fernando Holiday

Ações afirmativas, governo Bolsonaro e a caricatura da direita: o que pensa Fernando Holiday

Por Arthur Santos Eustachio – Fala!Cásper

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Filiado ao Democratas (DEM), Fernando Holiday foi eleito em 2016 para o cargo de vereador de São Paulo, sendo o mais jovem da história do município a assumir a função. Também é um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que apoia o liberalismo econômico e o republicanismo, e ficou conhecido por protestar a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Recentemente vêm entrando com processos contra o pedetista Ciro Gomes por danos morais.

Holiday afirma ser um “conservador liberal de centro-direita” e mesmo sendo negro e homossexual, não se encaixa no perfil de militante dos movimentos negro e LGBT. “É muito claro que esses ativismos foram dominados pela esquerda. Meus ideais, por si mesmos, não me permitem segregar as minhas causas. Quando eu defendo uma determinada pauta, eu a entendo em benefício geral. E o que eu reivindico para esses grupos específicos, eu busco para todos os outros, isto é, a igualdade de direitos perante o Estado e a garantia das suas liberdades individuais”.

No ano passado, a Câmara Municipal de São Paulo foi atingida por dois tiros durante manifestações contra a reforma da previdência municipal. Fernando Holiday, que foi favorável ao projeto, estava no local e relatou boletim de ocorrência na ocasião. “Depois que a perícia confirmou que de fato se tratava de tiro, tenho tomado cuidado neste sentido e comecei a andar com escolta”.

Foto: Reprodução Facebook

Em episódio mais recente, a Polícia Civil encontrou nas buscas de navegação na internet que o ex-policial militar Ronnie Lessa, suspeito de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL), havia chegado a sites que tratavam de opiniões de Holiday. Sobre esse caso, ele diz que tem ressalvas devido à superficialidade das pesquisas feitas por Lessa. “É cedo para afirmar que eu era necessariamente a próxima vítima. Pelo que se sabe até agora, ele não pesquisou agenda, endereço ou algo do tipo. Então, não sei exatamente o que elas significam”.

Cotas sociais
Uma das bandeiras adotadas pelo vereador é o apoio às cotas sociais e o fim das cotas raciais. Para ele, estas ações afirmativas provocam a institucionalização do racismo. “Existem alguns tribunais raciais, como o da Secretaria de Combate Racial, para determinar quem é negro ou não. O critério é basicamente uma avaliação subjetiva baseada no tom de pele, tamanho do nariz, espessura da boca, etc. Algo semelhante ao que acontecia no nazismo e no apartheid”.

Fernando Holiday atribui a grande dificuldade de encontrar muitos negros em universidades ao fato de que a maioria dos pobres, vinculada às escolas públicas, não consegue adentrá-las. “Evidentemente a maior partes dos pobres são negros e segundo o IBGE, 51% da população hoje é negra. Então você acaba correlatando as estatísticas, mas você sendo branco ou negro dependente da educação pública, muito dificilmente será possível uma ascensão social ou ingresso no ensino superior. Neste sentido, as cotas sociais conseguem abranger essas pessoas independentemente da cor de pele”.

O vereador enxerga que a demanda da representatividade é artificial se forçada pelo Estado. Ele acredita que a capacitação dos estudantes na base do ensino é o melhor caminho para atingi-la de forma natural. “Enquanto isso não acontece, as cotas sociais podem fazer o trabalho de selecionar os mais qualificados das escolas públicas e colocá-los na universidade. O que não pode acontecer é uma empurrada de estudantes despreparados para enfeitar dados”.

A imprensa
Segundo última pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre a confiança das pessoas em instituições, a imprensa aparece com apenas 3,7%. Somente a instituição governo (2,4%), o Congresso Nacional (1%) e os partidos políticos (0,2%) possuem índices piores. Holiday pensa que os veículos exercem papel importante na sociedade, porém ainda não se adaptaram à lógica das mídias sociais. “Os meios de comunicação tradicionais não estão sabendo lidar com os tais blogs alternativos – muitas vezes propagadores de fake news – que lançam notícias já interpretadas dentro de seu ideal. O desafio é a imprensa atrair o público ideológico sem perder suas características de credibilidade, pois isso também gera a guerra de narrativas hoje”.

Foto: Reprodução Facebook

Governo Bolsonaro
No dia da mentira, 1º de abril, Fernando Holiday postou ironicamente em uma página pessoal que “A salvação da direita é Bolsonaro”. Ele analisa que a personificação de ideias é prejudicial na esfera política e vê esta tendência na ala direitista atual. “O que proporcionou o crescimento e permanência da esquerda por tanto tempo no poder, seja por meio do PSDB ou do PT, foi justamente não fazer isso. Quando o fez por meio do Lula perderam muito. A direita deve se diversificar de ideias: as críticas internas e ao governo vindas da direita deve ser bem recebidas e consideradas como construtivas”.

Em relação à gestão de Jair Bolsonaro (PSL), Holiday aponta alguns problemas que têm ocorrido até o momento, como a comunicação interna e externa e as táticas acerca da articulação política. “Ele tem pouca linguagem institucional, não condizente com seu cargo. Falta melhorar o diálogo dentro do governo porque já houve muitas contradições tanto na área econômica quanto no Ministério da Justiça. Do ponto de vista de articulação, acho perigoso o método que ele tem utilizado: de combater o Congresso Nacional e de colocar todos no mesmo pacote da velha política que querem cargos e se corromper. Não é o caminho, ainda mais considerando que precisamos de reformas, como a da Previdência”.

A respeito da Reforma da Previdência, o principal ponto da proposta de acordo com o vereador é o fim dos privilégios, como a extinção da aposentadoria especial dos legislativos e dos judiciários. “É necessária. O Brasil não tem mais condições de arcar com o custo do atual modelo. Se aprovada, vai trazer certa moralidade para previdência social”, conclui.

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