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Uma conversa sobre a valorização e a importância do teatro brasileiro

Uma conversa sobre a valorização e a importância do teatro brasileiro

Por: Isabela Guiduci – Fala! Cásper

 

O teatro surge com o intuito de explicar, entender e comunicar. Essa maneira de entreter as pessoas e de levar informações do modo que for: como uma cultura desconhecida, um romance que já vivenciamos, ou uma tragédia que te faça repensar sobre seus momentos.

Com o passar do tempo, os espetáculos foram produzidos detalhadamente com a ajuda de lugares físicos para as apresentações, montagem de cenário, figurinos detalhados, iluminação, dentre outras diversas melhorias.

Ao conversar com o professor e ator Guilherme Hernandes, ele nos conta sobre a dificuldade de falar sobre essa brilhante arte:

“O teatro… Como falar dele? Não tem como falar, só fazer. Desde o homem primitivo, temos a necessidade de nos mostrar em público, e alguns seres conhecidos como atores desfrutam desse privilégio. Depois de muitas etapas de evolução e criação, o teatro chega ao contemporâneo com diversas linguagens que discutem a vida” – afirma Guilherme.

Guilherme Hernandes
Guilherme Hernandes

 

O professor também fala sobre suas experiências teatrais durante a vida, e particularmente sobre o uso das máscaras em seus trabalhos:

“Eu trabalho com o ator criador. Iniciei meu fazer teatral em 1997, fiz alguns cursos livres e acabei me interessando por procurar uma faculdade de Artes Cênicas – e em 2002 ingressei no curso no Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto/SP. Depois de formado, procurei me profissionalizar ainda mais, então passei a trabalhar em companhias e dar aulas, cursos e oficinas no meio acadêmico”.

Guilherme Hernandes por João Darte
Guilherme Hernandes por João Darte

 

 “Escolhemos a linguagem das máscaras para trabalhar com montagem de peças. Começamos a estudar já na Cia. Varanda Produções e ganhamos nosso primeiro prêmio municipal, ‘Nelson Seixas’, com o espetáculo ‘O Menino Que Virou Peixe’. Depois, continuamos estudando e fomos experimentar as máscaras expressivas de meio rosto, e assim montamos a peça infantil ‘O Casório de Floripe’, em 2014. Também ganhamos nosso segundo prêmio ‘Nelson Seixas – cultura para todos’ com o espetáculo ‘CÍCERO’ e continuamos estudando com a montagem ‘A Bruxa Pinga Salomenga Pum’ ainda em construção”.

Sobre aquela clássica pergunta, sobre “o futuro financeiro de quem quer se jogar no mundo as artes cênicas”, Guilherme nos dá a seguinte resposta:

“Quando alguém me diz para não tentar teatro porque vai passar fome, sempre digo, fome nunca passei… Mas tem que ter muita vontade de trabalhar para ganhar dinheiro. Teve mês que estava em três trabalhos para conseguir ganhar uma grana bacana, e teve mês de não entrar absolutamente nada. A gente tem que ser igual a formiga operária, e trabalhar o ano inteiro enquanto tem, para garantir quando não tem nada para ganhar”.

Guilherme Hernandes por Bruna Borges
Guilherme Hernandes por Bruna Borges

 

Infelizmente, no Brasil, e principalmente nas cidades menores, o incentivo financeiro a essa carreira é baixo, e muitas vezes os teatros não são frequentados o suficientemente, ou não alcançam o valor que custa para a produção do evento.

Sobre este ponto, Guilherme também afirma que: “O teatro acabou tomando o caminho de formação de público, ou seja, todos os tipos vão assistir as mais variadas peças e acabam gostando daquilo, mas a dificuldade está em levar este  mesmo público, fazer com que ele saia de casa para ir ao teatro. Desde 1995, quando comecei a frequentar mais, custava R$ 5,00 para assistir uma peça, e hoje ainda é o mesmo preço – e quando você cobra R$ 10,00 já reduz para metade o público. É uma triste realidade que ainda rodeia os grupos pequenos”.

Espetáculo Cícero por Jorge Etecheber
Espetáculo Cícero por Jorge Etecheber

 

O Ministério da Cultura proporciona projetos que ajudam alguns espetáculos espalhados pelo país, dos quais financiam o custo de produção, os quais o ator já experimentou:

“No meio da minha carreira encontrei os apoios culturais que de início não ‘botava fé’ – mas fui aprender como fazia o projeto para captar recursos, e quando consegui acabei vendo que é sim um grande meio de apoio a grupos  que querem fazer a arte acontecer. Muitas vezes temos boa ideias no papel, mas precisa de dinheiro para levantar. Acredito que para a grande São Paulo, o fluxo artístico é muito maior, mas os recursos também devem ser baixos. Os recursos destinados à cultura geralmente são porcentagens que não conseguem incentivar todos os grupos.”

Outra maneira de incentivar o desfrute dessa arte são as aulas, porque essas proporcionam exercícios de expressão corporal, de comunicação, de como se portar emocionalmente em diversas situações, não sendo apenas para a criação de espetáculos. Entretanto, despertam sim em diversos alunos o desejo de se tornarem atores ou profissionais da área, porém, também tem dificuldades com os recursos financeiros e Guilherme nos conta que “as aulas de capacitação do ator não são incentivadas. Quem quiser, tem que procurar recursos para estudar. Recentemente, a classe teve problema com o órgão SATED, que profissionaliza através do registro conhecido como DRT, com altos preços para o registro, onde a classe não consegue acompanhar com os lucros anuais que tem, por que são muito baixos”.

Espetáculo Cícero por Jorge Etecheber
Espetáculo Cícero por Jorge Etecheber

 

Para finalizar, o ator/professor conclui:

“Ainda assim, não me vejo fazendo outra coisa na vida. Gosto muito de todas essas emoções que o teatro me traz, trabalho somente como ator-criador, e nas minhas aulas estimulo os alunos a serem criadores, podendo ter a oportunidade de participar da criação do texto, da cena, do figurino, sonoplastia e luz. A criação coletiva é muito mais interessante do que a criação somente do diretor, e acredito que qualquer um consiga jogar o jogo e mostrar bom desempenho. Assim serão capacitados a montarem seus próprios trabalhos, não dependendo somente de um diretor. Bonito mesmo é o ator completo que sabe fazer de tudo, e que não deixa seu EGO atrapalhar o andamento da coisa”.

O casório de Floripe por Jorge Etecheber
O casório de Floripe por Jorge Etecheber

 

Em uma arte tão bela, a visibilidade é ainda muito baixa, o incentivo a essa cultura é mínimo, mas os profissionais da área não desistem e não abandonam o sonho.

Não nos damos conta de todo o trabalho que existe por trás daqueles 50 minutos, 60 talvez, em que estamos nos “culturando” durante uma peça, e como é uma longa caminhada até o dia de mostrar o resultado final ao público. Por isso, ir ao teatro e observar os detalhes é uma sensação única. E você, já foi ao teatro neste mês?

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