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Conto: Um dia de cada vez

Por Carolina Lopes – Fala!PUC

4:30 da manhã o despertador toca. O sono nem sempre está em dia, mas é hora de levantar. “Preciso cochilar durante a ida”. Um pouco mais de duas horas de cá para lá. Moro em Santos-SP e neste ano decidi tentar o ensino superior na capital, São Paulo, indo e vindo todos os dias. Sei que o caminho será longo. Mas afinal, que caminho em busca de um objetivo é curto?

A rotina de quem decide morar em uma cidade e estudar em outra é marcada por questionamentos diários. Não é uma tarefa simples analisar quais aspectos priorizar: qualidade de vida, tempo livre, proximidade da família, condição financeira, a universidade ou emprego tão desejados e outras oportunidades que nem sempre estão por perto. Além do mais, para alguns se trata de uma escolha, para outros, necessidade. Seja de ir ou de ficar.

Tenho a sorte de, ainda que com limitações, poder escolher. Mas as diversas dúvidas que vêm com essa decisão não são diferentes para mim. Somos impulsionados, ainda muito jovens, a tomarmos atitudes determinantes para o nosso futuro. Por isso, é tão importante levarmos em consideração todos os aspectos do estilo de vida desejado por nós. Ter a motivação, todos os dias, de explorar as melhores possibilidades que estão ao meu alcance, tem sido fundamental para seguir em frente.

Quem vive o conflito em questão, geralmente, está no limite entre o apego à cidade em que vive, ou a falta da possibilidade de deixá-la, e a vontade de conquistar outros espaços. Para alguns, morar mais próximo de onde estuda pode proporcionar maior qualidade de vida, com disponibilidade de tempo para atividades extras. Para outros, o bem estar não depende desse tempo livre, mas sim de tentar algo novo e simplesmente sentir-se em casa no fim do dia. Insegurança, medo e ansiedade fazem parte do caminho, e aceitar que mudanças estão chegando, para maioria, é desafio.

Sabemos que ir de cá para lá todo dia pode não durar muito tempo, ainda mais considerando o acúmulo de tarefas durante a universidade. “Lá” tem que se tornar casa, enquanto a mente resiste em sentir que “cá” é o verdadeiro lar. O pensamento vai longe, mas a preocupação principal é o agora. Nem sempre é possível aproveitar tudo que a universidade oferece ou compartilhar momentos importantes dessa fase que vão além da sala de aula.

Ainda assim, olhando com otimismo, a sensação é estar chegando próximo de algo maior, superando limites gradativamente. É, ao menos, tentar enfrentar as adversidades que pressupõem conquistar um objetivo, mesmo que incerto. As atividades não aproveitadas por conta da rotina tornam-se esperança. O tempo perdido
no caminho torna-se ganho. Não posso falar pelo futuro, o que vivo é construção diária. Não sei como será, sei que tenho feito o possível para dar certo.

12:30 é hora de voltar. Mais duas horas de lá para cá. O jeito é otimizar o tempo. “Preciso adiantar algumas leituras durante a volta.” Lembro que, às vezes, é necessário aproveitar esse momento para dar uma pausa. Escutar música é uma boa saída para mim. Os versos de Rodrigo Amarante amansam os questionamentos recentes, ainda tão confusos, e me confortam: “Ora, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim? Dispenso a previsão. Se o que eu sou é, também, o que escolhi ser, aceito a condição”. Sigo o caminho que escolhi, de cá para lá e de lá para cá. Um dia de cada vez.

 

 

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2 Coment.

  1. Sem palavras!! A busca de um sonho nem sempre é fácil, prabéns pela sua escolha, você vai longe !

  2. Solange da Veiga

    Menina linda que vi crescer! Muito orgulho de ter feito parte da sua vida. Hoje não somos mais próximas, mas meu coração é minha alma sempre, sempre vai vibrar, torcer e se.emocionar por você! Meu eterno carinho!

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