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Conheça o coletivo “Africásper”

Por Thiago Bio, Michele Yang e Geórgia Ayrosa – Fala! Cásper

O coletivo Africásper, fundado em 2014, teve seu início com o intuito de proporcionar a troca de informações, a realização de discussões relacionadas aos temas de interesse da comunidade negra, e também a interação da mesma com o ambiente universitário.


Logo no início de suas atividades, o coletivo recebeu o apoio de diversos alunos e professores, que sentiam a necessidade de criar um espaço para os negros dentro da faculdade.
O cenário naquele ano englobava duas outras Frentes Casperianas: a Frente Feminista Lisandra e a Frente LGBT+. Era um universo predominantemente branco. Por esse motivo, um grupo de estudantes negros, incentivado pelos docentes, idealizou e desenvolveu uma comunidade em que o maior foco era o apoio aos negros.
Segundo Laís Franklin, aluna do 4º ano do curso de Jornalismo e uma das fundadoras do grupo, entre 2014 e os dias atuais foram obtidos dois grandes feitos: o primeiro foi conquistar voz dentro da Fundação Cásper Líbero. O coletivo adquiriu respeito e confiança de outros estudantes, que hoje podem denunciar atos racistas e receber a devida assistência.
“Saber que somos um suporte para as pessoas negras da Cásper, e que ganhamos visibilidade no meio acadêmico, é muito importante”, disse Laís.
O outro feito foi conseguir a realização de um grande evento dentro das instalações da faculdade, em outubro de 2016 – abordando o seguinte tema – “O Genocídio da Juventude Negra Brasileira”. O evento contou com a presença de notáveis convidados, como Eliane Dias, produtora do grupo de rap Racionais MC’s, e Danilo Lima, coordenador do Coletivo Nacional da Juventude pela Igualdade Racial (CONAJIR), levantando um debate profundo acerca da realidade vivida pelos negros no Brasil.


Em 2017, a primeira reunião do coletivo apresentou o filme Dear White People (Cara Gente Branca). Trata-se de uma disputa cultural entre negros e brancos em uma universidade dos Estados Unidos. O filme foi seguido de uma discussão, relacionando o tema assistido com a sociedade atual, e envolvendo diversos outros assuntos presentes.
Já na segunda reunião, o tema foi “Apropriação Cultural x Racismo”, tendo como base uma postagem que viralizou em uma rede social, durante o último Carnaval.
A quantidade de participantes nas reuniões oscila bastante, sendo as datas e, principalmente, o tema em questão, os principais fatores de influência.
“Sempre que for um tema que gere alguma dúvida, como identidade ou comportamento, mais pessoas aparecem”, falou Beatriz Magalhães, aluna do 3º ano de Jornalismo e integrante da Frente desde junho de 2016.
Os temas são escolhidos de duas formas: através de pautas consideradas fundamentais, como colorismo, genocídio e racismo institucional, ou de sugestões vindas de estudantes de fora da organização. No final de alguns encontros, o grupo discute algumas dúvidas que surgiram, e quais serão os próximos temas a serem abordados.


Para Thaís Regina, estudante do 4º ano de Jornalismo, é fundamental reconhecer a coragem do Africásper:
“Ele é um coletivo negro dentro de uma faculdade branca”.
Sendo também uma das fundadoras do grupo, a aluna diz não se sentir representada dentro da instituição, pois no corpo docente não existem professoras negras.
O grupo de ação acredita que a representatividade não é um processo passivo, que se espera do lado de fora para acontecer. Muito pelo contrário, é com a ajuda dos próprios casperianos que a mudança e a conscientização negra tornam-se possíveis dentro da faculdade.
“A gente está contando a nossa história, e quanto mais história tiver, melhor. Tudo isso diz alguma coisa muito valiosa sobre nós”, afirma Thaís.
Nesse universo majoritariamente branco, se os assuntos da minoria negra não forem expostos e desenvolvidos, o racismo continuará se perpetuando. Beatriz Magalhães vê o papel dos estudantes de comunicação como fundamental:
“Quem é a melhor figura que vai conseguir dar voz e dar ouvidos às minorias, senão os comunicadores?”, falou.
Por isso, esse tipo de pauta precisa ser trazido para uma discussão, principalmente dentro de uma instituição como a Cásper.
Além disso, as temáticas levantadas nas reuniões devem ser levadas para fora da faculdade.
“Não adianta eu ficar aqui dentro de um ambiente acadêmico onde estão falando sobre isso, se eu não me importar com pessoas que estão morrendo lá fora”, alegou a estudante. Para todo o coletivo, um indivíduo ser morto por ele ser quem ele é – negro, no caso – não é uma questão de segurança pública, mas sim de extermínio.
Em busca de novos integrantes para o grupo de ação, a principal missão do coletivo, em um futuro próximo, é levar as discussões adiante e colocá-las em prática. O espaço para debate é aberto para todos: basta ter vontade de aprender e entender um assunto que não se tem muita afinidade.
Assim, a Frente quer criar seu próprio papel dentro da faculdade e ter uma conduta muito mais forte do que já tem, além de ser uma referência para qualquer aluno negro dela. De acordo com a página do Africásper no Facebook, “a temporada de resistência só começou”.

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