Conheça as novelas de época mais marcantes da TV brasileira
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Conheça as novelas de época mais marcantes da TV brasileira

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Novelas de época são uma viagem no tempo. Geralmente leves, emocionantes, cheias de romance e comédia, elas nos transportam para conhecer a arquitetura, moda, questões sociais e até o vocabulário de outras épocas, muitas vezes traçando um paralelo com o nosso cotidiano contemporâneo, quando são retratados aspectos da sociedade que não mudaram tanto assim.

Em 70 anos de TV, são incontáveis as novelas de época produzidas por diversos canais, sempre reconhecidas pela impecável reprodução de outros tempos, e pela grande aprovação do público. Com o passar dos anos, começamos até mesmo a ver novelas ambientadas nas décadas de 70 e 90, relativamente recentes. Tendo em vista este vasto catálogo, tentamos escolher as melhores novelas de época brasileiras! Conheça algumas:

Novelas de época mais marcantes da TV brasileira

Xica da Silva (Rede Manchete, 1996)

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Xica da Silva. | Foto: Reprodução.

O primeiro sucesso de Walcyr Carrasco que, contratado pelo SBT, usou o pseudônimo Adamo Angel para adaptar livremente os romances de Agripa Vasconcelos e João Felício dos Santos, contando a história real de uma escrava que se tornou rainha numa época em que o Brasil ainda era colônia de Portugal, causando escândalo na sociedade.

Retratando um Brasil cruel e impiedoso, e com forte apelo erótico, Xica da Silva foi um último suspiro de prestígio para a Rede Manchete antes de sua extinção, três anos depois. No elenco, destacaram-se Taís Araújo (ainda adolescente, vivendo a primeira protagonista negra da TV), Drica Moraes (vivendo a diabólica vilã Violante), Giovanna Antonelli, Guilherme Piva, entre muitos outros. Zezé Motta, que viveu Xica no cinema em 1977, desta vez interpretava a mãe da personagem-título.

Éramos Seis (SBT, 1994)

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Ireve Ravache, Glória Pires e Nicette Bruno interpretaram Dona Lola nas versões do SBT, da Globo e da Rede Tupi, respectivamente, de Éramos Seis. | Foto: Reprodução.

A saga da família Lemos já emocionou o Brasil diversas vezes, mas nenhuma supera a versão exibida pelo SBT em 1994. Um clássico da TV, baseado num clássico da literatura escrito por Maria José Dupré, Éramos Seis narra a história de amor, dor, perda e resiliência de Dona Lola (Irene Ravache, esplêndida), desde a década de 20 até a década de 40. Com elenco perfeitamente escalado, direção delicada e representação de época impecável, Éramos Seis representou o auge da teledramaturgia do SBT.

Esta versão utilizava o mesmo texto escrito por Sílvio de Abreu e Rúbens Ewald Filho para a versão produzida pela Rede Tupi em 1977, protagonizada por Nicette Bruno. O mesmo texto, por sua vez, serviu de base para uma nova adaptação, dessa vez produzida pela Rede Globo em 2019, assinada por Ângela Chaves e protagonizada por Glória Pires – sua Lola foi a primeira a ter um final feliz, e ainda interagiu com Nicette e Irene numa cena emocionante.

O Cravo e a Rosa (Globo, 2000)

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O Cravo e a Rosa. | Foto: Reprodução.

A primeira de uma série de novelas de época de grande sucesso escritas por Walcyr Carrasco na Rede Globo – esta, escrita em parceria com Mário Teixeira, baseada em A Megera Domada, de Shakespeare. Uma grande comédia, com um divertido romance no centro: a relação cheia de conflitos entre Catarina (Adriana Esteves), uma rica feminista, e Petruchio (Eduardo Moscovis), um caipira machão.

Como pano de fundo, as questões sociais da década de 20, e um elenco muito inspirado, que incluía Ney Latorraca, Maria Padilha, Pedro Paulo Rangel e Taumaturgo Ferreira – este, sempre acompanhado da porca Lindinha. Walcyr instaurava seu estilo de comédia, dividida entre a cidade grande e a roça.

Chocolate com Pimenta (Globo, 2003)

Chocolate com Pimenta
Chocolate com Pimenta. | Foto: Reprodução.

O segundo título da trilogia de grandes novelas de época de Walcyr Carrasco – a primeira de uma longa e frutífera parceria com o saudoso diretor Jorge Fernando, que entendia o texto do autor como ninguém.

Para escrever esta comédia romântica deliciosa (literalmente), Walcyr recorria mais uma vez à literatura internacional para se inspirar. A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Durrenmatt, e a opereta A Viúva Alegre, de Franz Lehar, serviram como a base da história de Ana Francisca (Mariana Ximenes) que, humilhada na juventude, retorna milionária à cidade de Ventura para se vingar de todos que a fizeram mal, até mesmo o homem que ama, Danilo (Murilo Benício), que ela esconde ser o pai de seu filho.

Num elenco com grandes atuações e personagens muito carismáticos, destacaram-se os vilões vividos por Elizabeth Savalla, Priscila Fantin e Cláudio Corrêa e Castro, o núcleo da roça, liderado pela sempre cativante Laura Cardoso e, principalmente, Drica Moraes, que roubou a cena com sua Márcia, dona e proprietária de um salão de beleza!

Alma Gêmea (Globo, 2005)

Alma Gêmea
Alma Gêmea. | Foto: Reprodução.

A terceira novela da trilogia não-oficial de Walcyr, também dirigida por Jorge Fernando. Desta vez, um grande drama romântico, com inspiração na doutrina espírita, deixando a comédia em segundo plano, mas ainda com destaque. Estrelando um fenômeno de audiência, Eduardo Moscovis e Priscila Fantin retomavam sua parceria com o autor.

Ele vivia Rafael, um homem triste que não conseguia superar da perda de seu grande amor, Luna (Liliana Castro); Priscila era a índia Serena, reencarnação de Luna, que ao encontrar Rafael, conhecia um amor capaz de superar o tempo e a morte.

Mas os grandes destaques, sem dúvida, foram a vilãs vividas por Flávia Alessandra e Ana Lúcia Torre, lembradas até hoje por meio de “memes” nas redes sociais. O núcleo da roça também estava presente, cujo principal nome era Mirna (Fernanda Souza), uma caipirinha que sonhava em encontrar um grande amor.

Cordel Encantado (Globo, 2011)

Cordel Encantado
Cordel Encantado. | Foto: Reprodução.

O cangaço nordestino encontra a monarquia de um país europeu fictício num conto de fadas bem brasileiro. Foi com muita originalidade, mas ainda assim, num folhetim clássico, que Duca Rachid e Thelma Guedes contaram a história de amor de Jesuíno (Cauã Reymond) e Açucena (Bianca Bin) dois jovens que, sem saber, faziam parte de dois tipos muito diferentes de realeza.

Ele descobre ser filho do maior cangaceiro da cidade de Brogodó, Herculano (o saudoso Domingos Montagner em sua estreia na TV); ela descobre ser a filha perdida de Augusto (Carmo Dalla Vecchia), rei de Seráfia do Norte, criada por um casal de humildes sertanejos. Ambos precisam assumir o lugar de seus pais, colocando seu amor em risco.

Cheia de personagens cativantes, amores impossíveis, figurinos e cenários impecáveis, Cordel Encantado foi, de fato, encantadora. No elenco, em estado de graça, destacou-se Débora Bloch como a vilã Úrsula, com nome e personalidade de uma típica vilã da Disney.

E tem mais!

Cassiano Gabus Mendes usou o período medieval para satirizar a situação socioeconômica brasileira em Que Rei Sou Eu? (1989). Benedito Ruy Barbosa retratou períodos importantes da história do Brasil em novelas como Terra Nostra (1998). Lado a Lado (2012), de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, venceu o Emmy Internacional ao falar do feminismo e do racismo no início do século 20.

Em 2016, Walcyr Carrasco e Jorge Fernando retomaram sua parceria com a otimista comédia Êta Mundo Bom, um fenômeno de audiência e repercussão. Na Record TV, Marcílio Moraes e Rosane Lima uniram com muita delicadeza várias obras de José de Alencar em Essas Mulheres (2005).

Como dissemos antes, novelas de época para todos os gostos já foram produzidas nesses 70 anos de televisão brasileira. Viu a sua favorita nesse texto? Se não, fala para a gente: qual é a novela de época que você mais gosta?

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Por Geovanne Solamini Brandão – Fala! Universidade Cruzeiro do Sul

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