Confira uma lista com 5 livros para entender o feminismo
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Confira uma lista com 5 livros para entender o feminismo

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Atualmente, o movimento feminista é muito comentado e teorizado e, com o advento das redes sociais, o feminismo se tornou ainda mais popular, mas, afinal, o que é este movimento?

O feminismo é o grupo que busca a igualdade entre homens e mulheres, é formado por um conjunto de teorias que dividem o movimento em três fases. A primeira fase (1850-1940), que foi marcada pela luta por direitos jurídicos e políticos, tendo como o auge a luta e a conquista do direito ao voto (apenas para mulheres brancas) e que criticava a ideia dos casamentos arranjados que não pensavam no interesse e sentimento da mulher.

Já a segunda fase (1960-1980) foi marcada pela chamada liberação feminina, que lutou pelos direitos jurídicos e sociais, encorajou mulheres a se politizarem para combater a estrutura sexista que estava no poder, criticou a ideia de que a mulher só teria satisfação cuidando da casa e dos filhos. Essa fase também acreditava que a desigualdade política e cultural entre homens e mulheres estava intimamente ligada, ficou muito marcada pela frase “o pessoal é político” da teórica feminista Carol Hanisch, foi na segunda fase que a minissaia e o uso da pílula anticoncepcional foram popularizados.

A terceira fase (1980 – atualmente) foi uma reação às falhas da segunda fase (que evitava definições essencialistas da mulher e pensava o feminismo somente para mulheres brancas de classe média alta) e desafiou os paradigmas da época, pois incluiu no discurso feminista a micropolítica, pensando em questões culturais, sociais e raciais, especialmente a participação das mulheres negras.

É claro que, desde 1850 ,as feministas lutaram e conquistaram muitos direitos que são necessários e essenciais para que a mulher exista em sociedade com a possibilidade de escolha do próprio futuro. Entretanto, ainda estamos longe da igualdade entre homens e mulheres e,  por isso, o movimento feminista ainda se faz muito necessário para nós, mulheres, e ainda é muito teorizado. Por isso, separamos cinco livros teóricos feministas para que você, leitor, possa conhecer e entender mais desse movimento.

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Feminismo. | Foto: Gibran Mendes.

Entenda a teoria feminista através da literatura

1. O feminismo é para todo mundo – bell hooks

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O feminismo é para todo mundo. | Foto: Isabela Lapa.

Neste livro, bell hooks se concentra na relação entre capitalismo, raça e gênero e em como essa relação produz e perpetua a pressão e a dominação de classe.

Nele, a autora fala sobre como o machismo afeta a vida de todos e não somente a das mulheres e que, por isso, homens e mulheres podem se beneficiar do feminismo, sobre lesbianismo e sobre a construção de uma masculinidade pró-feminista e de relacionamentos amorosos equilibrados.

hooks acredita que, para que a teoria feminista seja de fácil entendimento, ela precisa ser baseada em experiências concretas e levadas ao dia a dia do leitor. O feminismo é para todo mundo é o livro ideal para quem está iniciando os estudos na teoria feminista, pois a sua escrita é fácil e facilita o compreensão e a melhor absorção do que está sendo lido. 

2. O mito da beleza – Naomi Wolf 

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O mito da beleza. | Foto: Débora Costa.

Este livro é um clássico da terceira fase do feminismo e redefiniu a visão que tínhamos de beleza e feminilidade. Nele, Naomi Wolf afirma que o culto da sociedade à beleza e à juventude é um dos instrumentos do patriarcado para controlar e manipular as mulheres e, assim, evitar que ela cumpra a emancipação econômica e sexual.

A autora também expõe a tirania do mito da beleza ao longo dos anos, explica a sua função opressora e mostra como ele atua até hoje nos lares e na mídia, ela também fala de assuntos como distúrbios alimentares e mentais e a construção da indústria de cirurgia plástica e a pornográfica.

Wolf explica que o mito da beleza reforça o racismo, a lgbtqfobia, a gordofobia e todo tipo de preconceito. Por ser um livro antigo, é importante que, após a leitura, o leitor se atualize dos temas tratados, pois, apesar de ainda ser muito atual, muito do que lemos não é mais exatamente assim, porque o mito se renova e encontra novas formas de exercer seu controle sobre o corpo, a mente e a vida das mulheres como um todo. 

3. E eu não sou uma mulher? – bell hooks

bell hooks
bell hooks. | Foto: Reprodução.

Com o título baseado no discurso proferido por Sojouener Truth na convenção dos direitos da mulher em 1851, este livro é dividido em 5 capítulos e, em cada um deles, bell hooks aborda uma face diferente do feminismo negro, são essas: o sexismo e a exploração da mulher negra escravizada, a desvalorização da mulher negra, o imperialismo do patriarcado e o racismo e feminismo.

De escrita fácil, esse livro traz um conhecimento essencial para o entendimento do feminismo, mostra as diferenças da mulher negra e da mulher branca e como as vivências e opressões de mulheres negras são geralmente ignoradas pelo sistema racista e machista (este sendo reproduzido por homens brancos e negros e mulheres brancas).

4. Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Mulheres, raça e classe. | Foto: Reprodução.

Davis fala sobre o lugar, as lutas e a luta pela abolição da escravatura e pelo direito ao voto. Em sua análise, a autora fala sobre como as estratégias das lutadoras por direitos políticos assumiram posições racistas, favorecendo a ideia de supremacia branca que existia na época.

Daves também ressaltou que não existia matriarcado e nem patriarcado para a população escrava, homens e mulheres escravizados eram submetidos ao mesmo trabalho pesado e as mulheres ainda sofriam estupros constantes.

Ao fazer a análise histórica, sob a lente da questão racial, Angela Daves não só aponta o racismo que muitos não enxergavam, como também ressalta a importância de uma aliança política transversal. Esse livro é muito importante para entender a história do feminismo negro da América do Norte e como fazer um feminismo para todas as mulheres.

5. O segundo sexo – Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir
O segundo sexo. | Foto: Andréia Nascimento.

Este livro clássico da segunda fase do feminismo parte da premissa de que a mulher não é o segundo sexo por questões biológicas, mas sim, por questões históricas e sociais. Nele, Simone de Beauvoir, questiona a ideia do “eterno feminino”, que nada mais é do que crença de que existe algo intrínseco a todas as mulheres, o que nos prende a uma gama de características muito limitada.

Ao fazer esse questionamento inicial, Beauvoir passa pelas áreas da biologia, da psicanálise e do materialismo dialético para confirmar o seu argumento. Em seguida, a autora utiliza do campo da história, desde a Idade Média até a Idade Moderna, para a explicação do porquê a mulher ocupou uma posição tão diferente do homem na sociedade.

Ao final do livro, a autora vai desmentir os mitos nas relações de poderes entre homens e mulheres. O segundo sexo é um livro básico para entender o feminismo, especialmente a vertente chamada de feminismo radical.

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Por Fabiane Rebelo – Fala! UFG

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