Compreenda a influência das revoltas de Pernambuco no Brasil
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Compreenda a influência das revoltas de Pernambuco no Brasil

Compreenda a influência das revoltas de Pernambuco no Brasil

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Além das inúmeras revoltas e resistências no período da invasão holandesa no estado, Pernambuco também protagonizou a Guerra dos Mascates (1710-1711) e Conspiração dos Suassunas (1801), por exemplo, antes da aproximação do Brasil Império.

História de Pernambuco

Atualmente, os pernambucanos ainda são conhecidos pelo seu bairrismo e pelo orgulho do estado, mas poucas pessoas de fora lembram que essa garra já levou a população a literalmente transformar Pernambuco em um país.

Isso ocorreu no período em que a família real passa a viver no Brasil fugindo de Napoleão Bonaparte, os habitantes de Pernambuco não estavam satisfeitos com as atitudes de Dom João VI e com da falta de atenção que a Coroa fornecia ao estado.

O Brasil, desde 1815, era sede da monarquia portuguesa e Dom João não havia retornado para Portugal, estabelecendo bases no Rio de Janeiro. Dessa forma, Pernambuco, que havia passado por uma grande seca no ano anterior e ainda colhia as consequências de uma grande crise econômica, se indignou com o quão esquecido estava o Nordeste em comparação aos estados localizados no Sudeste do país. 

Além disso, a família real, que vivia no Rio, tinha seu luxo custeado pelo lucro dos impostos cobrados nas capitanias nordestinas, que mesmo em crise eram obrigadas a pagar e não podiam questionar, já que não havia liberdade de imprensa. 

Pernambuco
Entenda a influência das revoltas de Pernambuco no Brasil. | Foto: Reprodução.

Importância das revoltas na região

Com influência do ideal iluminista, Pernambuco decidiu que era o momento propício de agir e contou com apoio de parte do Rio Grande do Norte, da Bahia e um de relativo apoio financeiro dos Estados Unidos, que tinha como objetivo aumentar a sua fronteira e realizar com mais facilidade acordos comerciais com Pernambuco. Cruz Cabugá viajou até os EUA para comprar armas, mas foi preso antes de voltar, permanecendo lá até receber perdão oficial em 1821.

A Revolução Pernambucana também teve apoio de religiosos católicos de baixo clero como, por exemplo, Frei Caneca, e se iniciou no dia 6 de março de 1918 – com a liderança de Domingos José Martins. O capitão José Barros de Lima, conhecido como Leão Coroado, matou um superior do Reino, tomou o quartel e deu início à revolução, resultando na tomada do poder da capitania e na proclamação da República de Pernambuco.

Na tentativa de eliminar os resquícios tradicionais da colônia, foi formada uma Assembleia Constituinte por representantes de cada município, a fim de criar a primeira Constituição da República de Pernambuco com a separação de três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Houve o aumento de direitos e da mobilidade social, o que deixou boa parte da população satisfeita. Entretanto, por conta do apoio de uma parcela da elite agrária, não houve a abolição da escravatura. 

Sendo assim, durante 75 dias estava consolidada a nação Pernambuco, até ser reprimida violentamente pela Coroa. Tropas de Portugal e do Rio de Janeiro isolaram o porto do país impedindo a chegada de alimentos e todo tipo de recursos para a sobrevivência dos cidadãos, até que conseguiram invadir de fato e renderam todos os participantes da revolução. Pela premeria vez na história do Brasil Colônia, padres foram executados.

Além de acabar com a revolta, Dom João também fragmentou a capitania e criou Alagoas, onde residia a parte da população que continuou fiel ao Reino; também torturaram, enforcaram e mutilaram os corpos de 9 líderes da revolução. Um exemplo chocante foi de Vigário Tenório, que teve sua cabeça decepada, exposta e o corpo arrastado pelo estado para servir como exemplo e induzir a população a não se rebelar novamente.

Entretanto, a ideia não funcionou e a população continuou indignada e determinada a lutar pelos seus direitos. Em 1820 ocorreu a Revolução do Porto e foi quando os líderes da Revolução de 1817 retornaram e foram anistiados pela corte de Lisboa.

O capitão Luís Rego Barreto, um dos carrascos da Revolução Pernambucana, foi posto no governo do estado e isso desagradou a população que promoveu uma luta armada contra o capitão general em 29 de agosto de 1821. 

Essa atitude levou à derrota e expulsão das tropas portuguesas do território pernambucano e à assinatura da Convenção de Beberibe, que fez Pernambuco ser a primeira província a se separar do Reino de Portugal e esse ser considerado o primeiro episódio da Independência do Brasil.

revoltas
Movimentos e revoluções separatistas pernambucanas. | Foto: Reprodução.

Quando Dom Pedro I tomou posse e o Brasil se tornou independente, ele convocou uma assembleia para produzir a Constituição Brasileira, mas quando começou a se sentir contrariado pelos outros representantes, aplicou um golpe em 12 de novembro de 1823, anunciando sua própria Constituição, na qual incluía um poder que o garantia amplos privilégios e maior autoridade: o Poder Moderador.

A população pernambucana se mostrou revoltada e insubordinada a Dom Pedro, fato que o levou a nomear Francisco Paes Barreto como presidente da província, o mesmo homem que havia comandado as prisões e execuções dos participantes da revolução anterior.

Pernambuco se recusou a dar a posse a outro carrasco e colocou em seu lugar Manuel de Carvalho Pais de Andrade, um dos revoltos exilados em 1817. Dessa forma, novamente, houve o bloqueio do porto de Recife que levou à escassez de abastecimentos básicos para o povo.

Os pernambucanos aproveitaram o período em que as tropas estavam preocupadas em defender o Rio de Janeiro de um possível ataque – consequente da Guerra Civil que ocorria em Portugal – para unirem a parte do Nordeste na qual ficava a de Pernambuco, províncias do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Alagoas com o objetivo de se separarem do resto do Brasil. 

A população nordestina em geral não aceitava a autoridade conservadora de Dom Pedro I, pois tirava a liberdade de expressão do povo e, por isso, a indignação se tornou coletiva. 

Esse acontecimento foi nomeado de Confederação do Equador; um movimento rebelde de caráter liberal e federalista, liderado por Frei Caneca, em 1824. O padre se posicionou dizendo que o povo tinha direito de rejeitar a Constituição de Dom Pedro I, visto que era um abuso de poder, além de não garantir a independência do Brasil e anular o poder das províncias.

Entretanto, o movimento não demorou muito para também ser violentamente reprimido. A Confederação foi derrotada por luta e armas do exército no comando do mercenário inglês Lord Cochrane, as tropas imperiais invadiram Recife e renderam os líderes da revolta, condenando-os à morte, inclusive Frei Caneca, que foi fuzilado.

revoltas pernambucanas
Frei Caneca foi fuzilado pelas tropas imperiais. | Foto: Reprodução.

Apesar disso, o ideal da população persistiu e não foi abafado. Assim, surgiu a Revolução Praieira (1848 – 1850), esse período foi uma luta de liberais contra conservadores, sendo os pontos principais Recife e Olinda, envolveu diversos setores da população e teve como base o Manifesto ao Mundo, idealizado por Borges da Fonseca.  

Esse documento defendia condições como voto livre e universal, república, fim do Poder Moderador, fim dos juros, liberdade de imprensa, igualdade jurídica, trabalho como direito e nacionalização do comércio.

A repressão foi liderada por Antônio de Sampaio e houve resistência da massa pernambucana por quase dois anos. Porém, por falta de apoio, o movimento foi perdendo força e terminou com a vitória das tropas do Império. 

Ainda que os resultados das lutas não tenham sido como esperados, a rejeição de Pernambuco aos meios autoritários e injustos ao longo dos séculos foi eternizada e orgulha a população até os dias atuais, fazendo jus ao que é dito no seu hino:

“Salve! Ó terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreiros
Pernambuco, imortal! Imortal!
[...]
Do futuro és a crença, a esperança,
Desse povo que altivo descansa
Como o atleta depois de lutar...
No passado o teu nome era um mito,
Era o sol a brilhar no infinito
Era a glória na terra a brilhar!”

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Por Meliah Cris – Fala! UFPE

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