Companhias aéreas: Como a aviação tem encarado a crise do coronavírus
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Companhias aéreas: Como a aviação tem encarado a crise do coronavírus

Companhias aéreas: Como a aviação tem encarado a crise do coronavírus

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Em decorrência da pandemia do coronavírus, múltiplos setores da sociedade tiveram suas atividades cessadas ou drasticamente reduzidas. Entre as instituições afetadas, cabe destacar a aviação. As companhias aéreas, bem como todos os setores inclusos na área da aviação, têm sofrido os impactos dessa crise.

Leandro Baran, engenheiro mecânico e piloto comercial, que leciona na Escola de Aviação Civil localizada em Itápolis, explica que houve um lockdown do transporte aéreo. “A primeira coisa que se faz em situações de pandemia é vetar as entradas dos países, para bloquear o contato entre as pessoas e, assim, a disseminação da doença. A aviação internacional é a primeira que tem um lockdown completo. Já a aviação doméstica, sofre uma severa restrição e, em seguida, retorna aos poucos, como está ocorrendo agora”.

Quanto ao lucro arrecadado, Leandro explica que houve uma perda de receita de 50% das companhias aéreas neste ano. “É um impacto tão grande que gera, além de uma redução na arrecadação de impostos para o governo, uma redução do lucro do acionista, que por sua vez retira o seu investimento, gerando uma dupla fuga de capital. Essas empresas, então, vão recorrer à chamada recuperação judicial, solicitando auxílio do governo”. Outras questões destacadas são as videoconferências, principalmente no contexto empresarial. “Com esse número de conexões via Internet, as pessoas não precisam mais viajar, estendendo mais ainda a crise”.

Baran ainda comenta que se a economia perderá cerca de um ano de desenvolvimento, a aviação perderá no mínimo o dobro. “As viagens de lazer serão as últimas a retornarem, já que não são uma prioridade em um momento que muitos estão endividados e passando por dificuldades. E as de negócios também sofrerão uma redução, já que não é necessário viajar longas distâncias quando é possível realizar reuniões on-line”.

latam recuperação judicial
O setor da aviação, assim como outros, sofreu com a pandemia. | Foto: Reprodução.

Como a aviação tem driblado a crise

No sentido de driblar a crise, algo que tem sido feito além de pedir ajuda ao governo é enxugar caixa.

A Gol está, hoje, em uma situação muito melhor do que estaria se permanecesse com muito protecionismo econômico, salários altos, etc. A Azul também está investindo muito em marketing, por exemplo. As passagens estão sendo vendidas a um preço muito baixo, de modo que é arrecadado um certo capital. Tem sido feita uma análise de várias formas para gerar menos prejuízo do que haveria se nenhuma medida fosse tomada.

Diz Leandro.

Rogerio Ribeiro Cardozo, técnico em manutenção de aeronaves e professor universitário na área de aviação desde 2012, aborda principalmente a questão do desemprego.

“Com o lockdown e as restrições, a aviação para. Porém, os custos fixos são altíssimos e, por isso, ocorrerão demissões em massa que irão saturar o mercado”. Ele explica que muitas organizações de grande porte já falam em cortes profundos e entraram com pedido de recuperação judicial. “Um exemplo foi a quebra da Avianca, provocando a demissão de centenas de funcionários, que até serem absorvidos pelo mercado, engrossaram os índices de desemprego no país.”.

O técnico ainda comenta que dentro do universo da aviação, os cargos sofrerão um grande impacto. “A aviação funciona como uma escada, sendo a Aviação Comercial o ‘topo da cadeia’, isto é, o maior objetivo empregatício, além das linhas internacionais e a aviação executiva. Neste momento, a escada fica parada, de forma que dificilmente os indivíduos conseguirão emergir de cargo, ou subir o degrau.”.

Auxílio governamental pode ajudar

Visando contornar essa crise, Rogério atenta para a importância de um auxílio por parte do governo. “A isenção de alguns impostos, como combustível, icms, entre outros, ajudaria a dar um fôlego ao mercado aeronáutico.”. Ele afirma, contudo, que as organizações estão se adaptando para manter o fluxo de caixa e os funcionários. “A instrução aérea conseguiu ser enquadrada como atividade essencial e está se adaptando com as medidas necessárias para seguir formando profissionais.”.

Outro ponto positivo é a aviação agrícola, que, embora inicialmente tenha sofrido os impactos da pandemia, por não provocar aglomerações e ser executada por uma equipe enxuta, tem visto um crescimento. “As pessoas não estão circulando, mas continuam consumindo produtos alimentícios por todo planeta, talvez até de forma mais acentuada.”, explica o técnico.

Avião agrícola
Avião agrícola. | Foto: Reprodução.

Cardozo finaliza, destacando que a aviação deve ser encarada como uma ferramenta essencial ao desenvolvimento local e mundial. “A aviação sempre foi a ponta de lança em termos de tecnologia e desenvolvimento. O Brasil possui dimensões continentais, e ainda dispõe de localidades remotas que só podem ser acessadas por via aérea, caracterizando a importância do meio aéreo e a necessidade de sua defesa em momentos de crise como esse.”.

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Por Melissa Charchat – Fala! Cásper

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