Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Como Nossos Pais – confira a resenha sobre o filme

Como Nossos Pais – confira a resenha sobre o filme

Por Isabella von Haydin – Fala! Cásper

 

Todos os dias, milhares de mulheres acordam cedo, arrumam seus filhos, fazem o café da manhã, os deixam na escola e vão trabalhar. Rosa, perfeitamente retratada por Maria Ribeiro, é que nem a minha mãe, a sua, nossa vizinha ou aquela tia.

Todavia, ao descobrir que seu pai não é o homem que a educou, a personagem principal para de agir conforme às expectativas daqueles que a rodeiam e encara uma jornada de admissão de que está sobrecarregada e que não vive num relacionamento perfeito.

Maria Ribeiro interpreta Rosa.

 

Iniciado no famigerado almoço de domingo, o drama de Laís Bodanzky é extremamente atual e retrata os dilemas de ser mãe, esposa e filha em uma sociedade patriarcal.

Nesse clima melancólico, percebemos a libertação de uma figura feminina aprisionada em um trabalho que não a faz feliz, um marido de comportamento duvidoso, embates com a filha mais velha e uma certa desavença com sua figura materna.

Nada mais real do que a figura da mamãe má e do papai bonzinho. Levanta bem a questão da maternidade integral e a paternidade facultativa. Apesar de a frágil relação entre Rosa e sua mãe, ou a exaltação de seu marido, no fim a figura feminina sempre prevalece e elas que se apoiam durante os conflitos da narrativa. Os problemas sempre são resolvidos e recorridos às mulheres da família. Algo de familiar?

A fotografia é simples e ao mesmo tempo muito significativa, sempre no mesmo plano e com tons frios e cinzas na maioria das cenas. Será que há melhor maneira de retratar São Paulo? A forma como a diretora escolheu filmar e editar a história nos passa os sentimentos de angústia, raiva e inconformidade sentidos pelos personagens.

Clarisse Abujamra interpreta super bem o estereótipo da mãe exigente, sogra difícil e avó doce, sem contar na atuação de Paulo Vilhena, que coube direitinho na caixinha do pai que faz menos do que sua obrigação, e que ainda se vê cheio de razão.

Clarisse Abujarama interpreta Clarisse (sim, com o mesmo nome da atriz), mãe de Rosa.

 

Apesar de aspectos como o sumiço do irmão de Rosa, uma doença sem sintomas aparentes, acesso fácil ao Planalto Central e atuação um pouco fraca de certos atores em papéis secundários, Como Nossos Pais é um retrato tão real do formato de família tradicional brasileira que me fez esquecer que era apenas uma produção cinematográfica – assim como a canção de Belchior, que foi interpretada e reinventada por Elis Regina:

É muito fácil se identificar com a narrativa, os personagens e o que eles representam sobre a nossa sociedade e como vemos o mundo. A trama é de certa forma linear, mas nos faz levantar questões importantes e sair querendo falar sobre o assunto com todo mundo. Podemos descrevê-lo como lindo, leve e reflexivo. Daqueles filmes de dar orgulho ao cinema nacional.

Confira o trailer oficial do filme:

Confira o cartaz oficial do filme:

Confira também:

– Bingo, O Rei das Manhãs – confira a resenha sobre o filme

– “Adeus, palhaços mortos” – peça de teatro é encenada em um cubo com efeitos especiais

0 Comentários

Tags mais acessadas