Como Beyoncé contribui para o fortalecimento do movimento negro?
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Como Beyoncé contribui para o fortalecimento do movimento negro?

Como Beyoncé contribui para o fortalecimento do movimento negro?

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Beyoncé é um nos nomes mais influentes da atualidade, é uma artista com um poder de alcance imensurável e que usa isso para contribuir com as pautas do movimento negro. A cantora estadunidense – que por muito tempo foi vista apenas como uma entertainer, e conhecida por seus hits dançantes – passou a chamar mais a atenção e dar voz à população negra americana e, consequentemente, do resto do mundo com o lançamento de Formation, em 2016, e não parou mais desde então.

Desde o lançamento da música Formation e do o álbum Lemonade, Beyoncé passou a usar a sua arte para questionar e protestar contra o racismo, a brutalidade policial e contra as injustiças cometidas contra a população preta nos Estados Unidos.

A cantora começou a trazer para suas músicas referências de heróis negros como: Malcolm X e Martin Luther King, como uma forma de usar seus discursos e suas mensagens, a fim de dar visibilidade às questões raciais que o mundo enfrenta até hoje.

Além disso, ela passou a evocar, com frequência, em seus trabalhos, as Panteras Negras – partido político que surgiu na década de 60 e que, até hoje, é um forte símbolo de resistência negra pro mundo todo.

Beyoncé
Beyoncé e suas bailarinas no Super Bowl de 2016. | Foto: Reprodução.

Beyoncé e o orgulho negro

Formation é considerado um dos maiores hinos de orgulho negro atualmente. Ela foi apresentada pela primeira vez em 2016, no show do intervalo do Super Bowl, que é o momento de maior audiência da TV Estadunidense, e logo se tornou a música mais premiada da história. Com todo esse impacto, surgiram inúmeras críticas vindas dos conservadores, mas, apesar disso, a artista continua a trabalhar para o fortalecimento do movimento negro.

Em 2018, ao se apresentar como headliner do festival Coachella, Beyoncé levou a cultura das universidades historicamente negras aos holofotes e celebrou as tradições, a beleza, a música, o estilo próprio e o gingado da negritude americana, mais uma vez empoderando pessoas negras.

Beyoncé no Coachella
Beyoncé em show do festival Coachella. | Foto: Reprodução.

Outro exemplo de combate ao racismo através de suas músicas, foi com o clipe de Apeshit, onde Beyoncé, ao lado de seu marido Jay-Z, enalteceu a arte negra e provocou discussões sobre a forma que o povo preto é representado nas artes clássicas, muitas vezes deixando de lado sua história real e diminuindo esse povo a escravos. O clipe ainda trouxe questionamentos sobre a falta de reconhecimento das artes feitas por pessoas pretas.

Já a partir de sua participação no filme O Rei Leão, Beyoncé começou um processo de enaltecimento de artistas africanos, seus estilos e de suas tradições. No álbum The Lion King: The Gift, a cantora trouxe músicas como My Power e Brown Skin Girl, que, além de empoderar, também faz abraçar a grandeza das origens do povo negro. 

O Rei Leão Beyoncé
Beyoncé e sua participação no filme O Rei Leão. | Foto: Reprodução.

Empoderamento negro

Não é somente através de sua arte que a cantora e ativista enaltece e celebra sua ancestralidade, Beyoncé usa ainda sua plataforma para encorajar pessoas negras a abraçarem suas origens e apoiarem uns aos outros dentro das comunidades.

No Brasil, muito se ouve a frase de empoderamento “Pretos no topo” que significa, basicamente, apoiar a ascensão social de pessoas negras de forma coletiva. E Beyoncé sabe que esse é o caminho para a mudança real do sistema racista que ela combate, então durante o discurso para os formandos de 2020 que a artista falou:

Não havia mulheres negras suficientes sentadas à mesa, então eu tive que cortar a madeira e construir minha própria mesa. Então eu tive que convidar os melhores que havia para se sentar. Isso significava contratar homens, mulheres, desajustados, oprimidos, pessoas que eram esquecidas e que aguardavam para serem vistas.

Muitos dos melhores criadores na indústria, que, apesar de serem extremamente qualificados e talentosos, foram rejeitados diversas vezes por executivos ou por grandes corporações porque eram mulheres ou por causa da disparidade racial. (…)

Um dos principais propósitos da minha arte por muitos anos tem sido dedicado a mostrar a beleza das pessoas negras ao mundo. Nossa história, nossa profundeza e o valor das vidas negras.

Beyoncé. | Foto: Reprodução.

Além de tudo isso, a cantora ainda anunciou mais um projeto voltado para o enaltecimento da negritude e das origens de pessoas afrodescendentes, um visual album baseado no álbum The Lion King: The Gift, que vai trazer um culto à identidade das pessoas negras, da riqueza de suas tradições.

Beyoncé, através de suas ações, continua encorajando pessoas não-brancas a ocuparem espaços que há muito os foram negados e, com sua arte, continua a se empoderar para empoderar outras pessoas de comunidades negras ao redor do mundo.

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Por Leonam Souza – Fala! UFPE

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