Como as relações de trabalho foram afetadas pela Covid-19?
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Como as relações de trabalho foram afetadas pela Covid-19?

Como as relações de trabalho foram afetadas pela Covid-19?

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No final de 2019, houve um fato que abalou o planeta e trouxe consequências a longo prazo: a supercontaminação pela Covid-19, uma das diversas espécies da família do coronavírus. O surgimento de um vírus com um grande poder letal que acometeu a população mundial e originou um alerta de pandemia, devido às proporções, e que acarretou profundas alterações sociais como, por exemplo, dentre as muitas novidades, as mudanças nas relações de trabalho.

Com a imposição do distanciamento/isolamento social, ir ao trabalho deixou de ser uma rotina na vida de milhões, quem sabe bilhões, de pessoas. Para aqueles, claro, que possuíam o hábito de acordar todas manhãs e realizar uma atividade profissional fora do ambiente domiciliar, seja lá de qual espécie. Afinal, tem muita gente para quem casa e local de trabalho são um só lugar. Para quem teve os costumes laborais modificados, teve a vida afetada de diversas formas.

Covid-19
A Covid-19 alterou até as relações de trabalho. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Mudanças nas relações de trabalho pela Covid-19

Para aqueles que passaram do office para o home office, as transformações se evidenciam no estabelecimento de uma nova rotina de horários, ou rotina alguma, que se misturam ao tempo e ao ritmo da casa e da família. E isso, ao mesmo tempo que é bom, também é ruim. Se antes era preciso sair de casa para trabalhar, agora isso não é mais necessário, o que, em parte, é bom. Há contenção de gastos com transporte e alimentação fora de casa, por exemplo. Há também uma melhora na qualidade de vida, pois não há mais tempo empregado no deslocamento de ida e volta, é possível dormir mais, comer melhor e sem pressa.

No entanto, com a nova realidade imposta pelas medidas sanitárias de prevenção, essa organização e administração do tempo se perdeu ou se confundiu com o da vida privada. O distanciamento entre os ambientes domiciliares e laborais permitia, pois, a perfeita e esclarecedora diferenciação entre o tempo empregado ao trabalho e o tempo empregado a outras ocupações ou ao tempo livre. Então, tornou-se comum trabalhar sem o estabelecimento de horário e dia definido; desdobrar-se entre as atividades da casa e do trabalho ao mesmo tempo; ter uma carga de trabalho maior, a todo momento é hora para receber uma nova demanda, atender ao telefone ou participar de uma reunião virtual.

Mas difícil mesmo está para quem precisa, apesar de todas as advertências quanto à necessidade da autopreservação, sair de casa para trabalhar. Para quem precisa garantir o alimento essencial de cada dia, quem não tem alternativa senão sobreviver. Com a falta de recursos, o crescimento assustador do desemprego e o alcance limitado dos auxílios oferecidos pelo Governo Federal e os Governos de Estado, sair de casa todos os dias para trabalhar ou tentar encontrar um emprego ou bico se tornou uma tarefa arriscada.

Quanto mais tempo dura o pico de contaminação do vírus, por mais tempo vai perdurar a situação do isolamento social e todas as consequências advindas dele. O ideal é que todos tivessem a consciência de ficar em casa, além de empatia por aqueles profissionais (saúde e segurança pública) que estão arriscando a própria vida para salvar outras vidas, e deixar que somente aquelas pessoas que realmente necessitam com urgência sair para garantir a própria sobrevivência e a sobrevida dos seus familiares.

As relações de trabalho, assim como muitos outros aspectos da vida comum, mudaram com a Covid-19. É possível que, um dia, volte a ser como era antes ou que um novo normal seja estabelecido. As relações humanas não podem mudar. Não podemos esquecer daquilo que nos torna humanos: respeito, cuidado, união, caridade, resiliência, compaixão e, acima tudo, alteridade. Não podemos (nem devemos) deixar de nos colocarmos no lugar do outro, porque o outro também sou eu, somos nós, e, sozinho, ninguém consegue ir a lugar algum. Juntos, somos a força e isso não pode ser esquecido.   

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Por Tassia Malena Leal Costa – Fala! Universidade Federal do Amapá

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