'Coisa Mais Linda' e a ascensão da mulher negra nos anos 60
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‘Coisa Mais Linda’ e a ascensão da mulher negra nos anos 60

‘Coisa Mais Linda’ e a ascensão da mulher negra nos anos 60

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A segunda temporada traz à tona a perspectiva da mulher negra e sua relevância numa sociedade desigual

Num embalo leve e gostoso, a segunda temporada da série nacional Coisa Mais Linda, original da plataforma de streaming Netflix, te convida para embarcar numa jornada de quatro mulheres fortes e transcendestes que buscam sua independência na década de 60, uma década marcada por pautas sociais que ainda eram um impasse para alguns indivíduos, tais como o machismo e o racismo.

Série Coisa Mais Linda, da Netflix. | Foto: Reprodução.

2ª temporada de Coisa Mais Linda

Maria Luiza (Maria Casadevall), Adélia (Pathy De Jesus), Thereza (Mel Lisboa) e Ivone (Larissa Nunes) são os principais peões da trama. Malu acorda de um longo coma após ser baleada por Augusto (Gustavo Vaz), o ex-marido de sua falecida amiga Lígia, no Réveillon de 1959 para 1960, e é surpreendida pela volta de seu esposo Pedro (Kiko Bertholini), que havia fugido com todo seu dinheiro e, agora, se apossa do clube de música que ela havia erguido com todo seu esforço junto com Adélia.

Adélia, por sua vez, enfrenta alguns empecilhos, e que empecilhos! Ela se vê diante de uma frondosa felicidade por ter sido pedida em casamento pelo Capitão (Ícaro Silva), mas, aos poucos, ela descobre que seu amor pelo capitão não é realmente a paixão platônica que desejava, ela fica dividida entre o amor de Capitão e Nelson (Alexandre Cioletti), paixão essa de um relacionamento antigo que os dois tiveram quando Adélia trabalhava em sua casa. Nelson, que é casado com Theresa, e que vê sua relação se desmanchando feito um papel ao fogo.

Thereza que, apesar de ser uma mulher de classe, determinada, dona de si e com um pensamento além de sua época, acaba por se abalar com o término de sua relação, vive momentos turbulentos, mas tem seu ápice quando é contratada para trabalhar na rádio do Brasil como locutora.

Rádio na qual Ivone, a irmã mais nova de Adélia, participa de um concurso de música. Ivone é jovem e mostra à sociedade todo o seu talento, que até então estava guardado, uma voz doce e embargada de poder que emociona a todos. Ela tem a ambição de crescer no mundo musical, mas isso é realmente conflituoso quando se é mulher e negra numa sociedade tão retrógrada.

Ivone, em Coisa Mais Linda. | Foto: Reprodução.

Mensagens por trás da série

Essa é a mensagem que a série tenta abordar, a força e a persistência da mulher, e ainda mais a mulher negra, que luta para não passar por invisível em ambientes onde a maioria é branca e rica. Talvez seja a vez do morro, a vez do morro ter sua voz ouvida e alcançada pelas diferentes extremidades do Rio de Janeiro nos anos de 1960.

Ivone pode ser comparada com Dolores Duran, cantora negra de grande destaque que marcou com inúmeras músicas de tal década e sofreu para chegar aos palcos e ter seu merecido reconhecimento, ou até com Elza Soares, grande destaque da música brasileira até os dias atuais, cantora que passou por mau bocados e teve uma trajetória semelhante a de Ivone.

É a mulher negra conquistando seu espaço, indo contra toda a maré de racismo e machismo da sociedade da época e o pensamento padrão, onde sua voz não tem vez e não pode chegar aos espaços mais requintados, nem vestir boas roupas, nem ter um belo apartamento, não podendo ter realmente o seu valor. É a exaltação de sua força, de sua angústia, de seu brilho e, o mais importante, de sua persistência, que em momento algum é deixada de lado.

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Por Douglas Norberto – Fala! Cásper

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