'Coisa Mais Linda': Confira a crítica da segunda temporada
Menu & Busca
‘Coisa Mais Linda’: Confira a crítica da segunda temporada

‘Coisa Mais Linda’: Confira a crítica da segunda temporada

Home > Entretenimento > Cinema e Séries > ‘Coisa Mais Linda’: Confira a crítica da segunda temporada

Após o sucesso nacional da estreia em 2019, o seriado está de volta. Criada por Giuliano Cedroni e Heather Roth e com direção de Caito Ortiz, Coisa Mais Linda é considerada uma das mais belas e interessantes produções brasileiras da atualidade.

Apesar de se passar nos anos 60, a segunda temporada aborda diversas críticas e tabus que ainda são extremamente atuais. Começa a partir dos desdobramentos do final da primeira, quando Lígia (Fernanda Vasconcellos) e Malu (Maria Casadevall) são baleadas por Augusto Soares (Gustavo Vaz) durante o Réveillon. O espectador acompanha as consequências e os traumas que esse acontecimento provocou nas personagens.

Questões abordadas na 2ª temporada de Coisa Mais Linda

Um dos principais temas retratados na primeira temporada e que também recebe destaque na segunda é a violência contra a mulher em relacionamentos abusivos. É possível observar críticas sobre esse assunto tanto na relação de Malu e Pedro (Kiko Bertholini), seu marido, quanto na de Augusto e Lígia. Pedro encontra a esposa no Rio de Janeiro após ter desaparecido por um ano e procura reconquistá-la. Malu precisa lutar para se libertar do marido que recusa a separação e tenta dominá-la. 

Durante o desenrolar da série, a personagem de Maria Casadevall também disserta sobre a violência presente no casamento de sua amiga. As protagonistas mostram-se incomodadas com falas que culpavam Lígia pelos tiros disparados por Augusto.

Infelizmente, até hoje, ainda é possível observar discursos que colocam mulheres como seres maquiavélicos e homens como pobres vítimas de seus encantos. Um dos momentos mais emocionantes da temporada é o depoimento de Malu em que critica colocar a violência como forma de amor, uma problematização relevante para a atualidade.

Coisa Mais Linda elenco
Cena do episódio 6 da segunda temporada de Coisa Mais Linda. | Foto: Reprodução.

Outro aspecto positivo dessa temporada é a representatividade negra. Adélia (Pathy Dejesus) tem uma narrativa complexa que envolve vários personagens. Além disso, sua irmã Ivone (Larissa Nunes) ganha mais destaque quando decide investir em seu sonho de ser cantora e recebe a ajuda de Malu, seu pai, Capitão (Ícaro Silva) e a mãe dele.

Essa temporada foca ainda mais na luta da mulher negra e nas dificuldades enfrentadas para conseguirem ser ouvidas e se destacarem na sociedade. O racismo é muito retratado na série, o sofrimento de Adélia e sua família é angustiante. Sua filha Conceição (Sarah Vitória) também ganha mais tempo de tela e aborda o preconceito que encara em seu cotidiano. Dessa forma, diferente da primeira temporada, os novos episódios de Coisa Mais Linda apresentam um núcleo negro forte e com conflitos próprios.

A sororidade é um tema muito presente no seriado e, nessa temporada, é ainda mais reforçado. A união entre Malu, Adélia, Ivone e Thereza (Mel Lisboa) exalta a luta feminista. Ao longo dos episódios, é evidente a emancipação das mulheres que, cada vez mais, aspiram por uma vida independente dos homens. Thereza, por exemplo, ao perceber que a vida de dona de casa não é o suficiente para ela, decide retornar ao mercado de trabalho e ingressa na rádio, onde há quase nenhuma locutora feminina.

coisa mais linda 2ª temporada
Cena do episódio 2 do seriado. | Foto: Reprodução.

Ademais, Coisa Mais Linda escancara a desigualdade entre gêneros existente na sociedade e retrata diversos assuntos que não eram muito discutidos na época. Um tabu importante abordado no seriado é a sexualidade das mulheres. Apesar de a nudez feminina estar mais presente do que a masculina, as cenas são voltadas ao prazer da mulher. Novamente, pode-se estabelecer uma relação com a atualidade, já que essa questão permanece sendo um tabu.

Além da linda temática da série, em que as mulheres questionam sua posição na sociedade, o design de produção, a fotografia, os figurinos e a trilha sonora são outros aspectos que merecem destaque. As filmagens da Netflix retratam o Rio de Janeiro de forma belíssima. Os figurinos são adequados à época e extremamente caprichados, apresentam a essência e o charme dos anos 60. A música passa a ser ainda mais presente na segunda temporada, a trilha sonora inclui MPB e sambas encantadores de ouvir.

É chocante perceber como as diferenças entre homens e mulheres presentes naquela época podem ser observadas hoje em dia. Apesar de ser possível constatar que houve uma evolução, a luta feminista permanece sendo muito dura e constante.

Ao retratar um tema ainda bastante recorrente, a violência contra as mulheres, Coisa Mais Linda faz uma abordagem sensível e delicada. Esse assunto é muito importante ser discutido no atual cenário político do Brasil, pois, devido à pandemia, o Fórum Brasileiro de Segurança pública (FBSP) relatou que os casos de feminicídio cresceram em 22% entre março e abril deste ano. Dessa forma, a segunda temporada do seriado, além de ser extremamente relevante, provoca reflexões sobre a sociedade hodierna.

_________________________________
Por Amanda Moraes – Fala! Cásper

Tags mais acessadas